O papel da mãe no jogo.

Desde a troca de tribos, Missy saiu do casulo e começou a se destacar como uma forte competidora. Apesar de sempre colocar as vontades e caprichos da filha em primeiro lugar, Missy foi capaz de ganhar a confiança de muitos participantes, formando uma sólida aliança que controlou o jogo desde então. Por algum motivo misterioso, ela não parecia ter força junto à edição para se sagrar campeã da temporada, mesmo estando controlando o jogo e manipulando os seus aliados de forma bem convincente. Depois de mais um promo Pegadinha do Malandro, todos nós ficamos com a pulga atrás da orelha tentando enxergar na suposta evacuação da participante o real motivo pelo qual Missy não tinha o destaque que um jogador aparentemente tão bom merece. Com “Let’s Make a Move”, o mistério acabou e a verdade é que Missy, que não foi evacuada e demonstrou uma grande força de vontade, realmente não é uma jogadora tão boa assim.

Recapitulando a trajetória da participante, podemos perceber que ela se cercou de participantes agressivos e com ousadia para grandes jogadas, se aliando a Natalie, Jeremy e Jon. É importante perceber que a grande qualidade da participante, ser uma jogadora de grupo e que é capaz de criar verdadeiros laços de amizades e confiança, também é o principal defeito, uma vez que esta conexão com os outros participantes funcionam em mão dupla e cegam o seu jogo estratégico. Missy parece ser uma jogadora acima da média por se aproximar muito bem de todos os seus aliados conquistando a confiança de todos, porém ela acaba se envolvendo demais e não usufruindo do poder que poderia exercer. Ela não é mãe coruja apenas de Baylor, mas também de Natalie e de Jon e Laura Morett sabe muito bem o que acontece com mães em Survivor.

Esta falta de ambição e senso estratégico de Missy já me vem chamando a atenção há algum tempo. Agora podemos pensar friamente e entender que quem articulou todo o blindside de Jeremy foi Jon e Missy apenas acatou o desejo de um dos seus mimados filhos. Agora podemos perceber que Missy (e a grande maioria dos seus aliados) acreditou em Reed e Alec quando eles tentaram eliminar Jon como uma mãe acredita que o filho vai estudar para não ficar de recuperação no próximo ano letivo. Graças ao blindside de Jon, agora podemos perceber que Baylor é melhor jogadora que Missy e não é a toa que a filha tem uma edição bem superior que a mãe no programa. Baylor e Natalie destronaram a mãe e tomaram conta do jogo.

Não gosto de ficar bancando o psicólogo e ficar tentando associar a necessidade de Missy por amor verdadeiro aos seus 3 casamentos frustrados, mas toda a sua insistência em não eliminar o seu queridinho filho Jon me pareceu uma carência muito grande de uma pessoa que foi para um jogo em que deveria buscar 1 milhão de dólares quando na verdade o que ela queria buscar era afeto. A maior moda da temporada é fazer a Brenda e desistir da Recompensa em favor a um ou mais aliados, exatamente a tentativa de Jon de conquistar a lealdade de Baylor, mas que apenas funcionou apenas para colocar Missy ainda mais do seu lado. Este episódio resume bem a diferença do jogo de mãe e filha e porque finalmente estou pendendo para o lado da segunda.

Do jeito que eu estou falando, até parece que Missy não foi adiante com o plano de Natalie de finalmente se livrar de Jon, mas a impressão que eu tenho é que Missy só fez o que tinha de ser feito porque a filha de sangue bateu o pé e fez birra até a mãe ceder. Durante toda a temporada, critiquei Baylor e o seu jogo pouco eficaz, mas a verdade é que num mundo em que todos podem confiar em Missy, quem consegue manipulá-la acaba concentrando um enorme poder em suas mãos. Assim, num jogo em que os participantes podem jogar em dupla com os seus Loved Ones, a dupla que mais funciona é uma dupla bastarda. Natalie e Baylor são as melhores jogadoras da temporada (não que isso seja muito) e criaram uma amizade verdadeira que deve garantir ambas na final, mas sem deixar de jogar e de mostrar frieza e disposição para fazer jogadas que as beneficiem. Survivor já um jogo muito pessoal, uma vez que o tabuleiro faz parte da vida de cada uma das peças, Blood Vs. Water é um formato que realça ainda mais este lado mais humano dos jogadores e saber equilibrar a razão e a emoção é essencial para se dar bem neste cenário.

Apesar de fazer um jogo bem agressivo e de sempre pensar em favorecer a sua dupla, Jon acabou iludido numa confiança que não deveria existir em Survivor. Sendo a maior ameaça na sua aliança desde que ele decidiu eliminar Jeremy, ele deveria ter sido um pouco mais cauteloso, mas não vejo nada que ele pudesse fazer para mudar este cenário além de vencer todos os challenges possíveis e imagináveis. Escolher estar sempre no meio e se destacar como o Power Couple da temporada não foi uma boa escolha e limitou e muito as suas possibilidades no jogo. Ele não deveria confiar tanto em Baylor e Natalie, mas confiar em Keith, Alec ou Reed seria tão catastrófico quanto. No final das contas, acabei me afeiçoando a ele nos 48 do segundo tempo e acredito que Jon e Natalie são as únicas boas opções de San Juan Del Sur para um possível retorno (mesmo eu tendo certeza que é Jeremy quem deve voltar pela vontade da CBS e dos produtores do reality).

O tão esperado blindside de Jon foi ótimo e manteve o ritmo da temporada, que já vinha muito bem desde a Merge. Acredito que ele era necessário para tirar de vez San Juan Del Sur dentre as piores edições do reality e que se não acontecesse iria frustrar grande parte do público. Por mais que tenha sido um pouco óbvio, já que a edição vem construindo esta eliminação e a ascensão de Natalie desde a saída de Jeremy, acho que a chance de Keith ou Missy cagar com tudo manteve a emoção no Tribal Council.

A uma semana da grande final, arrisco apostar em Natalie, Baylor e Jaclyn na final e já explico o porquê. Não tenho certeza do que estou falando, mas quero acreditar que Jon deixou o seu idol com a noiva para o futuro, uma jogada melhor do que usá-lo no último Tribal Council e ficar sozinho sem idol e Jaclyn, o que garantiu um deles no F4. Dessa forma, Keith tem grandes chances de vencer o próximo challenge, deixando a eliminação entre Baylor e Missy, uma vez que Natalie também tem um idol, ou seja, deixando a eliminação entre Missy e a mãe de Baylor, porque vamos combinar que nada fará a mãe eliminar a filha.

Ranking da Temporada

1-Natalie. Vencendo ou não, Natalie já é a jogadora da temporada, mas tudo leva a sua vitória. Sua edição foi constante, ascendente e alguns depoimentos são típicos de quem vence. Todo o seu segmento na Exile Island lembra muito momentos já vividos por vencedores do reality. De modo geral, ela fez um jogo bem seguro, se manteve longe do alvo, ganhou alguns challenges, foi inteligente na hora de recuar, soube se recuperar muito bem de uma perda e dar o bote no momento certo. Sua trajetória lembra muito a de Sandra com a diferença de que Sandrão nunca conseguiu colocar a sua vingança em prática mesmo saindo vitoriosa nas duas vezes que tentou. Espero que Natalie siga o mesmo caminho e marque San Juan Del Sur como uma temporada com um grande e justo vencedor.

2-Baylor. Durante a temporada, Baylor foi mimada, fez um jogo que até parece agressivo mas que pouco deu resultado e foi alvo em vários Tribal Councils mesmo não sendo uma grande ameaça. Tem como ponto forte, o fato de ser fria e de se divertir ao enganar as pessoas. Acredito que sua maior dificuldade frente ao júri será em levar crédito pelos feitos de Natalie e Missy.

3-Keith. Continua sendo o pior jogador da temporada e um dos piores da história de Survivor. Entretanto, ele sobe da última colocação para a terceira simplesmente pelo fato de ter chances de vencer. Poderemos xingá-lo e amaldiçoá-lo o quanto quisermos, mas se Keith chegar na final pode conseguir votos para a sua improvável vitória. A seu favor tem o fato de ser o melhor nos challenges. Contra tem o fato de não fazer ideia de como é o jogo em Survivor e o seu discurso no Tribal Council não me deixa mentir, estava muito falso. Acredito que Jeremy, Josh, Reed e Jon devem votar em quem jogou melhor, o que diminui e muito as suas chances. Deus queira.

4-Missy. A review foi toda sobre ela. Tem em seu favor o fato de ter controlado uma boa parte do jogo, mas acabou ofuscada pelas suas aliadas mais próximas, que passaram por cima de sua vontade de mãe e tomaram o jogo para si. Participantes mãezonas não costumam se dar bem frente ao júri justamente porque os filhos estão acostumados a ser mimados pela mãe e não o contrário.

5-Jaclyn. Ela poderia ser a voz da razão, já que alertou muitas vezes Jon no perigo de confiar em Natalie, mas ela é muito fraca como jogadora e não conseguiu executar nada. Muito papo e pouca ação. Duvido que alguém além de Jon é capaz de votar nela.

PS.: Me desculpem pelo atraso da review nas últimas duas semanas. Infelizmente o trabalho continua sendo a prioridade.

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