Com tudo congelado e o clima mais quente do que nunca.
Estou realmente muito feliz com o que Once Upon a Time se tornou. Não é segredo, muito menos novidade dizer que passamos por poucas e boas com a série durante dois anos. A recompensa ainda não está tão doce quanto o sorvete mágico da Tia Sorveteira, mas está sim bem mais agradável do que o arroz doce que a Tia Cora fez ou o peixe assado que Vovô Peter Pan queria nos enfiar com espinha e tudo. Houve crescimento no roteiro de OUAT, mesmo que novamente tenha sido utilizada uma repetição de um padrão já adotado, um episódio para fechar a trama da temporada e o próximo para levantar aquilo que será desenvolvido na temporada 4B.
Nós sofremos, foi meio arrastado, mas até que Emma e Elsa foram mais úteis. Desde o episódio passado com ambas agindo como irmãs, não apenas pelas convenções da loucura da Ingrid, mas por realmente terem cumplicidade e amizade, até atingir o ponto em que conseguiram avançar verdadeiramente. Porém, não se enganem, foi Anna quem selou o destino dos habitantes de Storybrooke. Sinceramente, achei bem válido. Seria injusto negligenciarem a personagem mais interessante do núcleo de Frozen, um momento de decisão. Pode não ter sido lá essas coisas, com ela praticamente se teletransportando, ou tropeçando na garrafa que não foi (convenientemente) enterrada pelo vento e a areia, mas tudo bem, essas coisas nós aprendemos a relevar. A capacidade dos redatores em serem caras de pau extrapola os sensos dos contos de fadas.
Que saudades que estava de Regina/Rainha Má. Tudo bem que o papel já estava beirando o esgotamento, mas dessa forma, às vezes, é bom matar a saudade de uma personagem tão ótima. Lana Parrilla nasceu para ser Regina Mills, ou melhor, o papel foi criado especialmente para ela. Nós já chegamos exatamente onde todo o crescimento da personagem precisava atingir, com este episódio por se tratar de uma “versão alternativa” das personalidades, nada realmente acrescentou ao que precisávamos, foi puramente para nossa diversão. E não tem nada mais divertido do que ver Regina se portando como a Rainha dos flashbacks, no tempo real, com Emma, Snow, Charming e até Anna. Me faz querer algo assim toda temporada, pelo menos, mas nada que atrapalhe a vida amorosa de Regininha, por favor.
E é aqui que atingimos exatamente o ponto que o episódio estava querendo alcançar. Muito parecido com a dinâmica do season finale do ano passado, estamos vendo uma brincadeira se desenrolando. É uma oportunidade para ver os personagens se pegando, com birras e brigas que usualmente não veríamos. Mas não apenas uma diversão a mais para nós, telespectadores, também conseguimos enxergar o desenvolvimento do arco que iniciou desde o finalzinho da temporada passada, quando Elsa quebrou a urna e levantou milhares de perguntas em nossas cabeças.

Reclamei um pouco a respeito do fato de todos os vilões terem um pé nos dramas familiares, mas vou confessar, todo o desfecho ao redor de Ingrid/Tia Sorveteira foi tão bem construído, que eu gostei. Lembram quando eu disse que estava bem difícil detestar a Tia Sorveteira? Foi exatamente a forma com que a direcionaram que não me deixou detestar a vilã, mas não apenas detestar de uma maneira sentimentalmente inclinada a ser justo, ou por causa dos mocinhos, mas sim pela utilização de mais um clichê que a série já havia perpetuado com tanta força. O carisma que Elizabeth Mitchell passou, com um ar mais maníaco, a forma com que cuidou da Emma e até mesmo o que aconteceu com suas irmãs, me segurou emocionalmente para que eu não desgostasse do que era entregue. É exatamente neste quesito que OUAT se beneficiou durante essa meia temporada. O sacrifício e a redenção, com as memórias do passado das irmãs vindo a tona coroou o trajeto de uma quase vilã, que não fez tanto mal assim e no fim, precisava mesmo era de uma parte de si.
Se bem entendi, o passado que ela teve ao lado das irmãs também foi abalado pela magia que o Grand Pabbie lançou. Um pedaço da Ingrid estava faltando, algo que ela queria completar com Emma e Elsa, de uma forma ou de outra. Lembrar-se dos momentos bons, uma “tortura” que ela queria impor na sobrinha e na salvadora, exemplificou a necessidade final da personagem. Por isso, eu repito, a melhor coisa deste arco não foi trazer a animação para o live action, mas dar um novo coração a uma mulher que todo mundo estava pronto para detestar.
Eu bem disse na review passada que o perigo eminente que faria com que os cidadãos de Storybrooke decidissem se dilacerar, não passaria de uma agitação boba no centro da cidade. E foi isso mesmo. Parecia mais encenação de peça de teatro infantil, em que “bater” no outro personagem se resume a segurá-lo pelo colarinho e dar aquela sacudida. Poderiam ter abusado em algumas cenas mais reais, não é? Uns arranhões, uns olhos roxos e outros hematomas. Mas nem de longe isso chega a ser ruim, não dá mesmo para esperar que alguém fosse morrer. Segundo a cota de mortes de Once Upon a Time, apenas macacos voadores, criaturas criadas digitalmente e bruxas caricatas morrem de verdade.
Finalmente, fechando a trama de Frozê, a chegada de três super vilãs deverá trazer mais do que apenas um problema de amor. Parece que estamos bem perto dos vilões conquistando seu final feliz, o que trará consequências consideráveis para nossos protagonistas. Espero que até lá Snow e Charming já tenham reconquistado o brilho que perderam. Durante a gestação de Ginnifer, existiu um afastamento muito grande dos dois atores de tramas que exigiam muito. David nunca mostrou ser muito interessante sozinho, era com a Snow que ele brilhava mais, retirando-a do centro das atenções ele acabou apagando um pouco. Bom, só nos resta esperar que a partir de então alguns dramas sejam minimizados e outros potencializados, quero mais vilões e menos família, se é que vocês me entendem.
Dificilmente iremos ter um “quase series finale” no próximo episódio, antes da pausa da série. O que eu imagino é um caos maior na cidade. Quando Rumpels disse que Emma não precisaria se preocupar com ele fazendo algum mal a ela ou a Storybrooke, me cheirou muito como uma maneira bem deslavada de dizer: Não precisa se preocupar comigo, porque o que vem será pior do que eu. As expectativas estão altas, a conclusão do arco da Ingrid foi sim bem feito, apesar das usuais saídas fáceis do roteiro. O que imperou foi a diversão e o fato de terem desprendido tanto tempo para personagens que antes não estavam convencendo, como Snow e Charming, mas de uma forma bem agradável, foi superior as faltas e falhas. E se compararmos com o regular 3A, com Peter Pan e os garotos do batuque, tudo fica melhor ainda. Nos vemos uma vez mais antes do hiato na semana que vem, onde poderemos discutir o balanço geral da temporada.
PS. Descanse em paz, Tia Sorveteira. Reine belamente ao lado de suas irmãs, em uma terra onde meninas não são chutadas, o sorvete nunca derrete e o cerol sempre está na mão.
PS². Gente, e o Kristoff? Seu corpo continua na praia, ao relento? Me candidato como TRIBUTO! Vou lá ajudar esse sereio.
PS³. Harry Potter! Nunca é demais mencionar.
PS4. Adicionando mais algumas provocações que a Emma deveria ter feito a Regina: 1) Que vestido é esse? Virou destaque em escola de samba. 2) Eu faço mais gostoso. 3) O filho é meu, mas quem gastou dinheiro e trocou fralda, foi você.
PS5. Belle passou o episódio inteiro D-E-S-M-A-I-A-D-A. Chegamos ao ponto em que os redatores não estão mais nem tentando.
PS6. Todo mundo ficou meio louco com o cerol amaldiçoado da Tia Sorveteira. O que o bebê Neal fez para provocar? Encheu a fralda? Ou estava planejando uma mordida nervosa na próxima hora do leite?
PS7. Depois do “quem ama prende”, neste episódio tivemos o “quem ama, joga na frente do carro”. OUAT sempre surpreendendo nas mais diversas formas de se demonstrar afeto.
PS8. Regina e Snow rindo do modelito rainha má, mas até agora ninguém alertou a Snow a respeito da coleção de suéter em tons pastéis que ela usa. Que guarda-roupa mais boring.
PS9. Por falar em guarda-roupa boring, alguém traz a Ruby de volta? Alguém precisará substituir a Tia Sorveteira no quesito comissão de frente. Não conseguirei viver sem aquela ostentação láctea.
PS10. Robin e seus comparsas, alguém tem notícia? E Marian? Descongelou? E a criança, onde a esconderam durante a maldição do cerol? Arrisco dizer que fizeram churrasco de criança e usaram o corpo congelado da usurpadora pra refrescar as bebidas. UM SONHO!
PS11. Em um episódio a Regina leva quase uma hora para chegar à biblioteca, no outro a Anna não demora nem um minuto pra sair da praia, até a caverna da Tia Sorveteira. Mas que palha assada! Ou ela foi voando na Rena, ou tem alguma coisa errada com a geografia de Storybrooke.















