GREATM
É uma pena que tenha que ser assim, mas The Walking Dead segue em sua programação mais previsível que nunca. Depois que eles separam os núcleos dá pra apostar com os amigos que a abordagem de “exploração dos impulsos internos” dos personagens será a desculpa perfeita para adiar confrontos que poderiam acontecer no ritmo certo, sem que precisemos ser levados a paraísos de atividades intensas e em seguida, infernos de divagação psicológica que estacionam sempre na mesma vaga.
Crossed foi bem melhor que o episódio anterior, porque enfim, vocês sabem o que eu penso daquele tormento que foi o que apresentaram na semana passada. Sei que muita gente falou do quanto o episódio “explorou” as mazelas de Carol e Daryl, mas dá pra fazer isso sem aquela direção de contemplação da apatia. Eu entendo que muitos de vocês aceitam essa métrica de lentidão, mas a série não começou assim, já provou ser capaz de não ser assim e deixa sempre escapar que toma decisões criativas para mascarar interesses financeiros que, infelizmente, se sobrepõem ao compromisso artístico. Não sejamos tolos de achar que todas as outras não fazem isso, mas pelo amor de Deus, The Good Wife tem tipo, quatro cenários, e deixa The Walking Dead comendo poeira no quesito texto e tensão.
Mas enfim, já fiz meu lamento da semana, vamos tentar encontrar sobre o que falar nesse episódio, que ao menos mostrou todos os núcleos movendo-se para a preparação de um confronto. Sobretudo no que diz respeito ao grupo de Rick, houve um considerável avanço, que mesmo que tenha sido para uma direção que já sabíamos qual era, ofereceu algumas surpresas e cenas visualmente boas. Jamais vou esquecer o nojo e o nervoso ao ver aquele monte de corpos fundidos ao asfalto, meio derretidos, pastosos, parecendo um mar de homenzinhos feitos de carne moída.
O grupo foi resgatar Beth e Carol, como já prevíamos, e planejou fazer isso usando as informações que Noah tinha a oferecer. Espertamente, o roteiro fez com que todo mundo desse de cara com os policiais de Dawn, para que houvesse ação e desestruturação no plano. Sasha que deu azar, coitada, porque o papel de idiota ficou pra ela, que ainda não aprendeu que não dá pra confiar em NINGUÉM, muito menos em quem acabou de encontrar no caminho. Fizeram até certinho, mostrando a fragilidade dela desde o início e encomendando um oficial com o mesmo nome de seu falecido namorado. O Bob Vivo deu uma de ator e passou uma conversa sentimental para a mulher, que já estava com o coração em frangalhos. Deu pra entender, vamos admitir.
O problema é que a contrapartida desses bons momentos foram as inutilidades do grupo de Gleen. Abraham ficou ajoelhado o episódio praticamente inteiro, olhando pro horizonte, Eugene desacordado, Maggie fazendo cabaninha e Gleen, Tara e Rosita indo procurar água e aproveitando pra fazer uma pescaria. Mas, em termos de andamento narrativo, NADA. Ao menos conhecemos mais de Rosita, que serviu ali pra incutir a ideia justa de que Eugene pode ser útil em outras frentes. Eu gosto de Tara, então curti ver mais dela também.
Na igreja, o padre começou a ficar mais perturbado e resolveu que fugir era a melhor solução. Como não tem como ele chegar em Atlanta para interferir nesse plot, imagino que ele vai complicar a vida de Carl e Michonne. Junto desse mini-plot, as cenas de Beth no hospital também tiveram pouca relevância. Tornaram Dawn menos chapada (foi uma boa sacada quando ela diz que Beth se meter na conversa foi o que determinou o destino de Carol) e trataram de dar remédios à moribunda, que precisa estar acordada pro derradeiro confronto.
Agora nós temos um episódio restante em 2014 e já dá pra saber que ele vai ser daquele tipo que volta a nos fazer acreditar que a série pode melhorar. Vamos dizer adeus a algum personagem regular (ou mais de um) e reencontrar outro desvio narrativo. Isso até os grupos se separarem de novo e aí… Enfim, vocês já sabem. Semana que vem espero por vocês aqui no nosso divã das emoções conflituosas. Vai ser um bom episódio ao menos, nisso nós também podemos apostar.
Right Bite: Foi bonitinha a ideia da sigla de Tara para cada um deles, que quase formam a palavra great.
Right Bite 2: Muito bacana a sequência de Daryl usando uma cabeça de walker para se livrar do policial malvadão.
Random Bite: E Rick, enfim, encontra alguns dos seus. Espero por promissoras ramificações disso.














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