Ah, como eu gostei desse episódio. Depois de outro pequeno desvio no caminho (o que não é surpresa nenhuma devido à duração da temporada), Lost está de volta aos trilhos e melhor do que nunca.

Spoilers abaixo!

Para começo de conversa, temos o retorno do Desmond. Qualquer episódio centrado nele é cheio de revelações, cenas românticas e “viagens”, mas mesmo com todos esses fatores constando e sendo aliados a qualidade costumeira em Happily Ever After, ele foi mais do que isso pela forma que Damon e Carlton decidiram abordar toda a trama dos flashsideways. Sutileza sempre foi um dos fortes da série, mas há momentos em que ela precisa nos forçar a acreditar para assim tornar a experiência prazerosa, eles precisam pegar a verdade ou um pequeno flash dela e esfregá-la na nossa cara para acalmar os ânimos. Ainda não temos uma resposta definitiva para o polêmico recurso narrativo, mas as respostas e cenários armados nesse episódio me deixaram tão satisfeito que agora prefiro que eles guardem um pouco dos segredos para o tão esperando The End, que dará fim a maravilhosa saga de todos esses personagens que – como provado pelo Des nesse episódio – ainda estão em busca do tão esperado “…e viveram felizes para sempre”.

Balanceando ambos os lados da trama no geral ao fazer o mesmo esquema de Ab Aeterno, esse episódio se passa 80% na realidade alternativa, e o que antes seria recebido com expressão triste e gritos de infelicidade, se torna a maior e melhor parte do episódio, com as já citadas ali em cima e ainda assim tão esperadas respostas, e mesmo com elas não tendo vindo aos montes, o palco está pronto para elas se apresentarem. Ao mesmo tempo, a teoria de que os mundos estão se chocando se torna verdadeira e muito interessante ao percebermos que outro personagem notou isso, e não podia ser ninguém menos do que o homem que explica tudo para os fãs não ficarem perdidos, Daniel… Widmore. Sua aparição – e a do Charlie, claro -, deixou o episódio limpo, arrumado, com um começo meio e fim definidos no qual o seu protagonista descobre um segredo digno de filmes de conspiração e tem uma missão a cumprir. Os paralelos com a realidade da ilha continuam ótimos e trazem pequenas aparições interessantes, como o Minkowski – interpretado pelo vencedor do Oscar, Fisher Stevens – sendo engraçadinho pra variar, e a Eloise Hawking, como sempre interferindo na vida do pobre Desmond.

Foi um episódio cheio de meias explicações satisfatórias, com muita nostalgia, coisas estranhas, participações especiais, mitologia, um dos melhores romances da TV… Foi uma hora excelente e típica de Lost, digna de ser parte da temporada final e da história da série e especialmente, foi feita para os fãs se acalmarem e saberem de uma vez por toda que sim, os criadores têm um plano. E Sim, a história está indo em uma direção fantástica e surpreendente.

“What if this, all this, what if this wasn’t supposed to be our life? What if we had some other life, and for some reason, we changed things?”

Outras observações:

– Se lembram de quando o Sayid só consertava transponders e atirava em crianças? Pois é, bons tempos, velhos tempos. Não sei se gosto muito desssa fase zumbi, mas enfim, isso – como todas as coisas ruins da temporada até agora – deve resultar em algo bacana no final.

– Muito bizarro todo aquele teste e equipamento do Widmore . Sem falar que colocar o Desmond ali sem muita certeza de que ele sobreviveria é pra mim a prova certa de que o que ele vai fazer na ilha não é nada bom.

– Como eu não disse isso uma vez em toda a review, lá vai: brotha.

E um agradecimento especial ao Shiko Augusto pela imagem dessa review.

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