E tudo começou com a Corrida Maluca!

Entre carros que se ultrapassavam, armadilhas na pista e muita confusão, só faltou um cão chamado Mutley acompanhado de um Dick Vigarista para que a festa estivesse completa. A falta de um mínimo de lógica – os sobreviventes já tinham observado o automóvel que os seguia, mas mesmo assim resolveram parar para matar zumbis – se mantém em Z Nation e não somos nós que vamos reclamar. Já ficou mais que evidente, para aqueles que seguem acompanhando a série, e para os que desistiram, que os showrunners estão muito mais preocupados com o efeito, que com a causa. Aqui os meios não justificam os fins, e como não faz o menor sentido que um homem, uma mulher e duas crianças tenham rendido um bando armado até os dentes, resta para a nossa diversão ver o grupo de Garnett andando em um Fusca aos pedaços.

O problema é que, finda a aura de desenho animado de Z Nation, eis que o programa resolveu se levar a sério, desconstruindo tudo o que foi feito até aqui. Full Metal Zombie foi o primeiro episódio exibido em que, em vários instantes, senti-me cansado. Foi exatamente como estar em uma festa por horas extremamente inesquecíveis, até que se alcança o instante em que todos estão bêbados demais para prosseguir, ou então aquela sequência de piadas e momentos engraçados entre amigos, quando chega o segundo em que ninguém mais sabe o que falar e a graça se perde.

Ainda que tenha sobrado uma interessante “homenagem” a Nascido para Matar (Full Metal Jacket, no original), e que o capítulo tenha rendido bons momentos, a mistura de seriedade envolvendo o passado de Dez Mil com todo o restante soou desnecessário e apenas serviu para tornar o enredo moroso ao lembrar ao público que nem tudo é uma piada. Se este é o primeiro sintoma de que Z Nation poderá cansar fácil e em breve, saberemos em mais algumas semanas, mas é evidente que os produtores precisam tomar cuidado sobre a linha em que pretendem investir. Quem continua aqui, semana após semana, não quer uma nova The Walking Dead. Para nossa sorte, um Znado no horizonte parece ser a salvação.

De qualquer maneira, Full Metal Zombie ainda vestiu a casaca proposta desde a estreia e apresentou o que todo Zfã (péssima piada, eu sei) quer ver: zumbi Arnoldão pronto para segurar a galera pelo pescoço, Salsicha e Scooby no meio do nada brincando em chats, e uma conversa entre Doc e um zumbi no melhor estilo Eduardo Jorge.

É interessante também notar como o show consegue superar seus limites em quesitos nojentos e fora do lugar-comum ao criar cenas que muitas vezes beiram à insanidade presente nas mentes dos criadores dessa joça. Se antes tivemos canibais sem nada a esconder, agora foi a vez de um general cuja equipe de soldados e assistentes era nada mais que um bando de mortos a escutar suas conversas com um presidente dos EUA imaginário. E se nos afastamos de Dez Mil por conta do script, estas mesmas linhas trataram de aproximar Murphy do restante do grupo, quando este parte em defesa de todos desde que se juntou a eles.

Para os fãs do audiovisual, ainda sobrou uma excelente montagem na cena do elevador, em que planos iluminados se intercalaram com completos apagões e três dos sobreviventes enfrentaram, neste ínterim, um zumbi ensandecido, e a bela trilha sonora que, com poucos arcodes, é eficiente em transmitir a aspereza daquele mundo cru e frio.

Momento bebê zumbi: Z Nation precisa aprender que não tem cacife para pagar pelo CGI, e ninguém precisava assistir àquela nojenta queda do general sendo seguido por dois zumbis. O green screen foi de matar.

Momento “I give you mercy”: Por outro lado, ver o primeiro zumbi emaconhado da história dos zumbis foi impagável. Agradecimentos a Doc por ter usado a boca da criatura como cinzeiro.

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