A lentidão de The Strain chegou a um momento interessante, onde veremos se a história se sustenta. Ainda incomoda que a calamidade não seja aparente. Um fugitivo que a polícia/FBI não procura (Eph), a volta da que foi e voltou sem uma explicação (Dutch), a eliminação de uma personagem antipática (Mariela) e a consolidação do ódio de Setrakian pelo Mestre e por seus planos.
Em “Last Rites” fomos apresentados (mais uma vez) ao passado do velho judeu, da sua perseguição implacável aos vampiros e também conhecendo o modus operandi do Mestre e de seu assecla principal, Eichorst.
Tirando a forma caricata como Abraham foi retratado na Albânia, onde a maquiagem, definitivamente não é o forte da produção de The Strain, faltou também um pouco mais de emoção para simbolizar a relação forte do ‘professor’ e seus pares. O núcleo estreito de personagens deveria fazer com que as participações especiais pudessem ter um papel bastante significativo na narrativa e o que acontece é justamente o contrário: as cenas ficam superficiais, numa velocidade paradoxal à história. Parece que não dá tempo de conferir realidade ao que está sendo contado. Na outra ‘ponta’ destes flash-fowards o tempo está tão relativo que o recurso do passado parece uma forma de explicar o óbvio.
Mesmo quando Gus aparece ao lado de Alonso para tentar se armar e precaver quanto a uma ameaça que ele desconhece as origens, a dinâmica está pesarosa. Agora, que é sempre legal ver o Strigoi´s Squad entrando em cena e “quebrando tudo” (literalmente), eu não tenho dúvidas. De longe, eles são o que de mais interessante a série mostrou. Estou absolutamente curioso como eles se desenvolvem durante a história desenvolvida pelo Del Toro e o Hogan.
Mas…
Não dá tempo do público se apegar, se identificar, abraçar ao personagem. Contudo, a aparição dos caras-de-rato foi o que de melhor ou o que de mais novo aconteceu no episódio.
A volta da hacker era previsível. Não iriam investir numa personagem que não está nos livros para que ela sumisse antes do fim da primeira temporada para nunca mais voltar. Também explicou sua origem para um embasbacado Fet, a cada dia mais seduzido pela loira. Se a ideia é fazer com que a tensão sexual entre os dois cresça, está funcionando. Promete uma cena de coito não interrompido para agradar os onanistas de plantão. A pergunta feita por Fet já é a melhor do episódio: “Homem ou mulher?”.
E quais são os maiores pecados da série no momento? Querer explicar o que já está inserido no inconsciente coletivo de quem assiste ou insistir em diálogos que para o mote principal não contribuem em nada. Lembremo-nos: ela também é uma série de terror e deveria, entre outras coisas, assustar, criar suspense e ambicionar no público a vontade de voltar a sentir medo. Expectativas frustradas, eu diria.
Preocupa os detalhes técnicos e embora eu não esteja acompanhando como estão os números do show, o público americano normalmente não tem muita paciência com propostas demoradas. Até séries que possuem 23 ou 24 episódios por temporadas, mesmo com episódios mais chatos, em sua maioria, o ritmo é mantido. Os procedurais tem isto a seu favor. Aqui temos uma história bem simples: um vilão tem em suas mãos o poder de transformar a América (ou parte dela) no maior celeiro de vampiros/zumbis do mundo, em contraponto, a versão contemporânea da turma do Scooby-Doo, luta para que, de maneira até estabanada, conter os esforços do Mestre e daqueles que estão por trás dos seus planos. É só isso. A ideia inclusive foge dos principais roteiros que envolvem o tema vampiresco nos últimos 15 anos, portanto, é uma ótima maneira de reintroduzir a mitologia e colocá-los no devido lugar: vampiros não são amigos, não andam sem camisa e nem sempre estão atrás da Bella.
Por outro lado, precisava acontecer algo de mais retumbante no episódio doze de um total de treze e isto ocorreu: até quando os refugiados na loja de tralhas do Setrakian achariam que poderiam se manter seguros? A resposta foi dada através de uma invasão sem cartão de visitas. Me impressionou que na companhia de Eichorst estivessem vampiros menos débeis. Parecem ser uma forma mais evoluída. Por outro lado estava demorando para que o astro do rock Bolivar reaparecesse e ele acabou ‘aliviando’ a nossa barra tirando do caminho a mãe de Nora, que é tão chata quanto a filha, em um grau onde a árvore hereditária foi cortada sem piedade. Ok, não dá para ser tão insensível. A filha estava ali se livrando das possibilidades da mãe procura-la para matar um pouco da sua fome, mas é sempre tão mal feita pela nossa querida Mia Maestro, que acaba afastando qualquer possibilidade de comoção. Bem, ela tentou…
Com relação à sobrevida (ou eternidade) adquirida pelo Sr. Palmer ainda não entendi o que de fato aconteceu. A impressão mais óbvia é que ele facilitou a entrada do Mestre nos EUA e em troca ganhou a vida eterna, mas isto ainda não está muito claro pra mim. Afinal de contas um ser poderoso precisa da ajuda de um mortal só pelo poder capitalista que ele exerce? Não é muito maniqueísmo para um vilão quase ‘espiritual’? Ou teremos uma troca de fiéis escudeiros? Sim, estou falando de Eichorst ser descartado pelo grande Mestre.
The Strain não é uma série ruim. Possui pecados (alguns bem graves) como qualquer outra série, como bem dizem os comentaristas do SM, mas precisa, em sua segunda temporada (o próximo episódio, “The Master”, é o último desta) de uma cadência que cative e não que faça com que o espectador desista, como se viu, desde o seu claro decline, entre os leitores do site, especialmente nos últimos quatro episódios. É preciso motivar o público com ganchos mais atraentes do que saber o destino da esposa de Eph, que por sua vez, não é nada interessante. Semana que vem teremos respostas e um veredito final sobre esta temporada. Quem sabe sejamos surpreendidos positivamente.
“Ei, você não vai comentar o fato do Setrakian guardar o coração da mulher dele em uma compota?” Não. É demais pra mim, mas, por favor, fiquem à vontade. Quero saber a opinião de vocês.















