Aprendendo a lidar com expectativas (ou não criá-las).
O ser humano parece ser naturalmente condicionado a criar expectativas quando o destino parece lhe sorrir. Não é uma generalização, mas seja nos relacionamentos amorosos, na vida acadêmica e profissional, ou naquele evento tão aguardado, em muitas pessoas a mente começa a trabalhar em cima de uma idealização perfeita do que está por vir. Quando essas expectativas são atendidas, tudo está perfeito; o problema é quando essas expectativas viram frustrações.
Nos programas de TV, não é diferente. Assistir a promos instigantes, saber de adições promissoras ao elenco, ou mesmo ver cartazes bem elaborados, fazem com que os ânimos do público se exaltem e nasça o sentimento de que AQUELA temporada está por vir. Foi assim com o retorno de Cheryl e Simon, e a entrada de Mel B no X Factor UK. As expectativas dos fãs logo foram lá em cima, e até o quarto episódio pode-se dizer que estavam sendo consideravelmente atendidas. Entretanto, o quinto e o sexto episódio foram um verdadeiro balde de gelo nos ânimos dos espectadores.
Nisso surge a dúvida que só poderemos sanar na próxima semana, ou talvez não saberemos a resposta nunca: se a culpa foi do real mau desempenho dos candidatos no geral, ou se a edição não soube selecionar e agrupar de maneira equilibrada as audições dessa segunda etapa. Mas a impressão de que pegaram quase tudo que tinha de mais boring e jogaram nesses dois episódios ficou fortíssima. Foi um final de semana de deixar o alerta vermelho para a possibilidade de nem a ótima bancada ser a salvação quando os calouros e a edição não colaboram.
Um presságio de que as coisas não seriam muito boas pode ter sido o fato da primeira audição boa na arena a ser exibida ser a de James Graham. Não, ele não é ruim, pelo contrário. O rapaz mais uma vez cantou direitinho, foi simpático e engraçadinho, mostrou potencial para se dar bem com o público feminino… mas o problema é que é só isso. Não teve nada “uau” que justificasse isso ser a abertura das Arena Auditions. Ainda olho pra ele e só consigo imaginar isso funcionando com mais três ou quatro outros garotos ao redor.
Seguimos com a audição dessa adorável cover da Cheryl, que fez sua última aparição na temporada para nos trazer mais um momento maravilhoso:

A onda madness continua com The Courtesans. A audição deles foi mostrada no Xtra Factor, mas na ocasião nem dei muita atenção por achar que jamais isso acabaria indo parar no programa principal.

Por algum motivo, os jurados acharam que seria legal passar essa mistura de Banda Calypso com Família Adams para o Bootcamp.
E, a partir desse ponto, os critérios usados para se aprovar ou não um candidato para a próxima fase ficaram cada vez mais confusos e questionáveis.

Por exemplo, Rebecca Jones (que também teve sua primeira audição mostrada apenas no Xtra) não foi necessariamente mal, apenas enfadonha, o que, depois de sua boa e enérgica versão de “Jolene”, foi um considerável regresso. Os jurados empataram na votação e, assim, Rebecca voltou para casa mais cedo.

Daí entram Charlie Brown e Stevie Tennet, fazem mais ou menos a mesma coisa, não correspondem às expectativas (dos jurados, porque eu particularmente já não esperava grande coisa de nenhum dos dois), mas, ao contrário de Rebecca, ganham uma segunda chance. Coerência… cadê?
Olha, eu gosto do Simon, principalmente porque ele é um empresário muito competente, mas além disso porque é um jurado brutalmente honesto e, muitas vezes, acaba sendo a voz da razão quando outros na bancada se deixam levar pelas emoções. Mas que vontade de enfiar um sapato na boca dele por essa implicância com o Louis por não ter levado Paul Akister para os live shows ano passado! Em primeiro lugar, com ou sem Paul, o tio LouLou chegou com dois pupilos na final do ano passado – coisa que o próprio Simon nunca fez! Em segundo, o candidato foi para casa, mas voltou mais bonito e com um belo de um drama card para usar a temporada inteira. Então o Simon, nesse caso, realmente poderia e deveria calar a boca e superar essa história, para a qual ninguém na verdade está dando a mínima.
Cantar “Let’s Get It On” já me fez ficar com uma preguiça gigantesca de Paul, de tão óbvio que isso foi. Então vamos focar no mais importante dessa performance.

Analisando depois o conjunto das audições, só consigo concluir que a coisa estava tão chata que as juradas aproveitaram a primeira oportunidade para fazer algo que deixasse a plateia empolgada novamente. Não que alguém aqui seja louco de reclamar de ver essa deusa, louca e feiticeira humilhando o restante da humanidade com sua beleza nessa dancinha. Simon, you’re a lucky guy!
Quando Sam Bailey cantou essa música ano passado nos live shows, eu cheguei a dizer que era uma das poucas canções de Whitney Houston que ainda dava para aguentar ouvir em programas de calouros. Mas isso era justamente porque “How Will I Know” é mais animada, dançante… aí vem Lauren Platt e me manda essa versão baladinha sonífera, transformando-a quase em uma nova “I Have Nothing” ou “I Will Always Love You”. E a Cheryl ainda tem a audácia de afirmar que isso foi atual! Em que mundo, gente? Porém, não dá para negar que Lauren cantou muito bem e, se antes eu acreditava que ela seria enfiada em algum grupo nas próximas fases, depois dessa apresentação já a considero forte o suficiente para chegar ao menos nas Judge’s Houses como solo act mesmo.
https://www.youtube.com/watch?v=ZdgXkytd1bc
E como se o episódio já não estivesse ruim o suficiente, a edição decidiu terminá-lo em clima de velório. Eu já tinha cantado a bola de Amy Connelly não ser versátil e tampouco comercial, e tive minhas suspeitas confirmadas quando, depois de interpretar uma canção de um musical na salinha, a garota voltou para a arena munida de uma “Greatest Love Of All”. A galera desse quinto episódio só tinha um dvd “As Melhores Canções de Amor” comprado em algum camelô como base para song choices? No que diz respeito à apresentação, Amy não correspondeu ao que esperavam dela, desafinou em vários momentos e parecia que seria engolida pelo palco a qualquer instante. Apesar de ter voltado mais bonita, a sua falta de segurança era transparente como água. Concluindo: não foi uma boa audição por vários motivos, e sua eliminação nesse ponto da competição seria facilmente justificável, se julgada individualmente.
Entretanto, dentro do contexto desse episódio como um todo, não dá para não considerar essa decisão no mínimo questionável, quando The Courtesans, Charlie Brown e Stevie Tennet foram para a próxima fase. Amy podia não ser uma grande promessa, mas viu candidatos piores e/ou que se saíram pior, ocuparem vagas que poderiam ser suas por merecimento. Do outro lado da moeda, pode ser que tenha sido melhor eliminá-la agora e poupar um valioso tempo de sua vida que envolveria o deslocamento e a preparação para o bootcamp, bem como poupar um belo de um desgaste emocional.
PS: Alguém em explica como da audição na salinha para a arena, Amy rejuvenesceu um ano?

O segundo episódio de audições na arena também começa com um participante da categoria Boys, Andrea Faustini.
Olha, Faustini me causa uma preguiça equivalente a que Paul Akister também traz, e, assim como o candidato que retornou esse ano, Andrea está sendo bem pimpado pela edição e já mostrou que vai ser esse tipo de cantor que não importa até onde vá, vai fazer mais ou menos o mesmo tipo de performance sempre. Com certeza um deles estará nos live shows, então só resta torcer para o bom senso de quem quer que seja que pegue os Boys fale mais alto e não leve ambos para a fase final.
E como se ainda estivesse pouco, a edição ainda me traz outro momento que dá vontade de ligar direto na ITV e perguntar por que eles perdem tempo com gente como o Andrea quando se tem na mão isso:

Vai entender, né? #JusticeForLydiaLucy
E o nível vai ficando cada vez mais alarmante. Sério, perder preciosos minutos de programa com esse grupo que claramente não vai a lugar nenhum é forçar a barra. Pelo pouco que mostraram da primeira audição delas, conclui-se que realmente a única coisa que mudou foi o figurino, e sobraram os vocais ruins e uma harmonia toda esquisita e fora de tom. Quem nasceu para ser Rouge Kiss nunca será Rouge. Next!
Até que finalmente entra gente que realmente faz algo de empolgante! Os meninos do Overload foram combados no segundo episódio da temporada e, por esse motivo, não dava muita coisa por eles. Porém, essa audição na arena os colocou como um novo nome promissor dentro da categoria Groups. A música de autoria própria, “No No No”, tem uma letra bobinha – o que torna engraçado o fato de serem necessárias cinco pessoas para pensarem em um refrão que é encabeçado pela eloquente frase “Porque você tem um namorado e eu tenho uma namorada” -, mas uma melodia e um apelo teen que poderiam torná-la facilmente um hit, principalmente no Reino Unido que é um lugar que ama boybands desde que elas surgiram. Mesmo que os vocais individuais e as harmonias não tenham sido bons, o que fica até mais perceptível pela edição nem fazendo questão de diminuir o volume da barulheira da plateia, eu acredito no potencial desses meninos. Primeiro, porque eles são evidentemente comerciais e um bom trabalho de um mentor pode trazer as melhoras que eles precisam. E, segundo, porque desde 2008 as temporadas ímpares sempre trazem uma boyband boa (S5 = JLS; S7 = One Direction; S9 = Union J; S11 = Overload???).

Mas como alegria de pobre dura pouco, logo a coisa desandou de novo com os jurados insistindo em carregar esse palhaço (sério, não tem outro adjetivo para definí-lo, o que ele faz no palco é pura palhaçada) do Stevi Ritchie para a próxima fase.
A esperança de que talvez tanta tortura fosse valer a pena veio quando vi Kayleigh Manners, uma das minhas favoritas da fase da salinha, entrar no palco. Infelizmente, a mágica não aconteceu de novo. A belíssima voz da garota parecia estar entalada debaixo de tantos nervos e, para piorar, a segunda música que ela cantou já está impregnada na memória dos fãs na inesquecível e maravilhosa audição de Janet Devlin em 2011. O pânico que Kayleigh transparece me deixa bastante duvidoso quanto ao seu avanço e, se no Bootcamp ela tiver um desempenho igualmente afetado pela insegurança, sua eliminação é praticamente certa, o que será uma pena, pois seu timbre é delicioso de se ouvir.
Para fechar a primeira semana de audições na arena de um jeito mais otimista do que o fim do quinto episódio, tivemos um dos favoritos entre os Overs, Jay James. Na sua primeira aparição, houve equívoco na interpretação da minha opinião sobre Jay; ele foi super bem na room audition, mas justamente porque se recuperou de um começo péssimo e totalmente desafinado. Dessa vez ele foi bem mais consistente: começou, avançou e terminou muito bem, controlou mais os vocais e o resultado saiu ainda mais bonito. Todo o conjunto de pai bonitão, dedicado, maridão dos sonhos também conta muito a favor dele e acho que isso ainda o levará longe.
E assim terminou uma das piores dobradinhas de episódios que eu já vi nos três principais X Factor’s. Aguardo a semana que vem na esperança de que a edição tenha feito uma separação extremamente discrepante, deixando todo o suprassumo para a segunda metade de audições na arena. De fato, vendo a lista de favoritos que coloquei no final da review passada, ainda tem bastante gente que não apareceu, o que faz com que eu me agarre um pouco mais na fé de que nem tudo está perdido nessa fase na arena.
Mas e vocês, concordam que esses dois episódios foram passos para trás em uma temporada que estava começando a pegar gás? Ou acham que o nível continua bom? Desçam a lenha (ou não) nos comentários e nos vemos na próxima semana com mais X Factor UK!















