Física quântica, citação do livro de Eclesiastes, pinturas, profecias, doença em que tá morta, morte em quem está vivo. Under The Dome e sua salada indigesta de mal gosto (sic). Que chegue o fim, em todos os sentidos.

Turn” poderia ser o episódio perfeito para tentar alinhar as expectativas do público com alguns mistérios que conversamos no último review, mas parece que a série não tem dom para responder, apenas para perguntar.

Estamos diante de uma iminente desgraça segundo os moradores de Chester´s Mill, pois a redoma – segundo o cálculo da melhor cientista depois de Einstein, Doutora, professora e boring person, Rebecca Pine – na velocidade em que está, levará às ruinas não só a cidade como todos seus moradores. Que o evento catastrófico poderia acontecer mediante o início do recuo do domo, ok, quanto à velocidade da ameaça, os cálculos deveriam ser refeitos. Bem, não sejamos tão preciosistas, não é? É apenas uma série de TV.

O que vocês me dizem de uma redoma-sabe-se-lá-de-quê, que tal qual Godzilla, se apresenta grunhindo como um gigante adormecido e assusta a todos com seus passos?

Tenhamos bom humor. Coerência não é o forte dos roteiristas e os nomes destes pulhas devem ficar em nossas mentes como execradores de ideias boas. Fujamos para as montanhas ao ouvirmos/lermos o nome de Brian K. Vaughan e seus asseclas (são inúmeros, catem no IMDB) para qualquer projeto televisivo, que inclua até a Bíblia como fonte de inspiração.

Que domo é este que fala para Jim que ele deve ser o líder e também fala com Júlia que ela foi a escolhida para substitui-lo e que escolhe Pauline para morrer, desta vez, pelas mãos do seu amor, Lyle, outro personagem sem qualquer motivo para existir? A única razão para o barbeiro estar na história é para nós acentuarmos as cores da total falta de criatividade desse pessoal que ganhou uma grana para transformar um Best seller em um sucesso televisivo e conseguiram transformá-lo numa piada sem graça.

Aliás, verdade seja dita, Pauline morreu mesmo? E se sim, esqueceram de combinar com a atriz Sherry Stringfield, que nem na hora da sua morte conseguiu dar aquele gostinho na gente de que estávamos errados quanto ao seu talento. Nada. No fim do episódio, com a câmera se distanciando, não sabia se ela iria saracotear com sangue na boca ou se ia estrebuchar até o cara da foice busca-la. Pífio.

E por falar em pífio, o que foi a convulsão de Melanie? Na boa, eu pensei que na verdade eu assistiria uma cena de espiritismo, porque pensei que ela estaria incorporando alguém, quando retornou do seu desmaio para dizer que tudo “é tão maravilhoso”. Menos o episódio, querida, menos o episódio.

Gostaria que o público qualificado do SM continuasse defendendo a série depois que Rebecca – sempre ela – consegue fazer um exame de compatibilidade sanguínea através de feijões. Sim, Karla Crome e seu “olhinho tremido”, é capaz de tirar da cartola soluções que dariam inveja a outro astro das séries – MacGyver – que buscava se safar com chocolate, grampos e alumínio. Só tem um detalhe, a série do canal USA é do ano de 1985 e a docente está em 2014, no século XXI, desvendando mistérios como, quem seria a oitava mão para restituição da saúde de Melanie. Pífio, parte 2.

… E o Sam?

O cara matou Angie, sob a “desculpa” de estar tentando salvar toda a cidade. Mesmo com sua hermenêutica equivocada, tudo fica por isso mesmo. O cara mata uma pessoa e que se dane a linearidade dos fatos ou a verossimilhança com a vida. Afinal de contas é assim mesmo que acontece: eu e você contamos uma desculpa esfarrapada de algum equívoco pequeno que cometemos, como tirar a vida de uma pessoa, e depois sofremos o indulto do assassinato, tentando trazer a vida de quem já morreu. Muito curioso para ler os argumentos dos que ainda curtem a série, justificando ponto a ponto, o injustificável.

E pelo jeito acabou também o dinheiro da produção. Só temos alguns cenários: a floresta e a escola, quando tudo der errado, a escola e quando quisermos pensar a vida, a floresta. É isto. Como conversar com o domo, não é Júlia? Um diálogo destes de emocionar corações empedrados como o meu.

Não, nem tudo foi ruim.

Tivemos coisas péssimas como a conversa tola de pai e filho, ambos em lados diferentes, claro, para tentar convencer de que o “ovo” precisa retornar para Chester´s Mill. O argumento até que foi razoável: a filha que você teve fora do casamento está viva mas corre risco de morrer, desta vez parece que é sério. Aliás, passados 12 episódios, Big Jim fica sabendo da volta de Melanie. Sim, nesta cidade pequena onde todo mundo encontra com todo mundo, Big Jim não havia cruzado uma só vez com a morta-viva-desaparecida! É o fim, ou melhor, bem que poderia mesmo…

Agora a nova pergunta é a seguinte:

Para onde Melanie foi? Alguém levantou o dedo para dizer Zenith? Óbvio, não é? Aquele buraco deve levar de volta os nossos “herois” para fora do domo. A outra pergunta dentro desta resposta é: quem vai pular primeiro? Seria capaz de apostar de como a produção investiu em um diâmetro mais generoso do que a porta do armário da escola, muita gente tentará passar por aquele buraco. Bem, mas estamos falando de Under The Dome, então, pode ser que nada disso aconteça. Bem feito pra gente. Pífio. Epílogo.

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