Are you afraid of the dark?
Moffat você é do c******! Desculpe pessoal, mas não encontrei um jeito melhor de começar a review de um episódio que com certeza entra para a galeria dos mais incríveis, geniais, bem escritos, bem montados, assustadores e belos episódios de Doctor Who.
Muitos andavam reclamando da “falta de qualidade” que a oitava temporada de DW estava apresentando e se “Listen” não conseguiu mudar a opinião de vocês, eu não sei o que vai conseguir. Moffat entrega aquele que pode ser considerado um dos melhores episódios dos últimos anos, um episódio com uma qualidade impressionante, que faz com que qualquer pessoa fique sem palavras após os créditos finais. Se não me falha a memória a última vez que fiquei nesse estado de perplexidade, admiração, curiosidade, dúvida e espanto com um episódio de Doctor Who foi após a exibição de “Blink”, que também foi escrito por Moffat.
É difícil organizar as minhas ideias para elaborar esse texto, pois ainda estou tentando digerir toda a informação dessa belezura de episódio. Uma das coisas que admiro no atual showrunner da série é a sua capacidade de mexer com os nossos sentimentos, com a nossa cabeça e elevar nosso nervosismo a níveis inimagináveis. E “Listen” é um belo exemplo de como ele consegue fazer isso com perfeição.
Usar o medo do escuro como premissa já é uma ótima sacada, já que todos, repito TODOS, sentem-se fragilizados e assustados quando precisam encarar a escuridão. E não adianta dizer que isso não é verdade, pois não importa se você é homem, mulher, criança, idoso, bailarino, lutador de MMA, negro, branco, indígena, rico ou pobre, tenho certeza que em algum momento você já sentiu aquele calafrio, aquele desconforto que o só o escuro é capaz de causar. E ao trazer essa sensação universal para a história, Moffat acaba nos aproximando ainda mais dos acontecimentos do episódio. Afinal, muitos já se perguntaram o que poderia existir no escuro e que consegue arrepiar todos os pelinhos do corpo. O medo surge do desconhecido, do incontrolável, daquilo que não podemos antecipar e que nos faz frágil. E o que seria isso? Um monstro? Um espírito? Uma energia mortal? A Gretchen? O ato de elevar a voz é uma tentativa de nos igualarmos a essa força desconhecida, de lutar de igual para igual.
E não saber como lidar de forma efetiva com isso faz com que fiquemos ainda mais apreensivos com a “coisa” que aparece no orfanato ou com as batidas ouvidas do lado de fora da nave espacial. Não revelar para o público o que essas coisas são faz com que a nossa tensão aumente cada vez mais e não somente pelos fatos envolvendo os personagens, mas também por algo intrínseco a cada um de nós. Eu, por exemplo, queria tanto saber o que poderia ser essas aparições que meu coração estava quase saindo pela boca a todo instante, um misto de curiosidade com uma angústia que surgia ao relembrar todas as vezes em que fiquei sozinho no escuro, sentimentos que vieram à tona, quase como uma catarse, através de um roteiro que vai preparando o terreno de forma magistral, apoiando-se em questionamentos, sensações e memórias daqueles que estão assistindo.
Claro que tudo isso toma proporções ainda maiores quando envolvemos o Doctor, Clara e uma boa dose de wibbly wobbly timey wimmey nessa equação. É lindo, e ao mesmo tempo assustador, ver a viagem acontecendo pela linha temporal da existência da Clara e presenciar o encontro dela com o passado do seu atual interesse romântico e o futuro fruto dessa possível união. Imaginem como isso deve ser confuso e perturbador para uma pessoa.
E já que estamos falando da Clara, não posso deixar de elogiar o seu desempenho nessa aventura. Vimos Jenna Coleman na sua melhor forma, entregando uma Clara humana, sensível, esperta, corajosa, capaz de nos proporcionar os melhores momentos dessa aventura. E para quem duvidava que ela já tinha expirado o prazo de validade na TARDIS, eis que a garota mostra que a sua importância na vida do Doctor é ainda maior do que pensávamos. Ao usar a interface telepática da TARDIS para fugir do fim do universo, a garota acaba pousando em Gallifrey em um momento difícil da história do nosso Time Lord. Um momento de fragilidade, de angústia onde, além de impedir uma catástrofe resultante do encontro entre a figura jovem do Doctor e seu futuro, tornando-se assim o estopim dessa aventura, ela é a responsável por transforma-lo em um soldado bom, um soldado sem armas. E como não gostar da ótima sequência em que ela acalma a versão mais jovem do Doctor e o encoraja a enfrentar o seu maior medo?
E esse medo faz com que a figura imponente desse herói fique mais próxima de nós. Ter medo de algo tão simples (comparado com tudo o que ele já enfrentou) desmitifica essa figura lendária que ele se tornou e também serve como uma justificativa para que ele não queira viajar sozinho, já que é muito mais fácil enfrentar nossos medos quando temos alguém para nos encorajar e fortalecer, e com o Doctor não seria diferente. No fundo desse ser incrível também existe uma criança assustada buscando por ajuda e que precisa de um ombro amigo.
Depois de um episódio cheio de poesia, suspense, ótimas atuações e wibbly wobbly fica fácil entender os motivos que me fazem considerar Doctor Who uma das melhores séries desse planeta.
Considerações finais:
– Não sei se eu estava muito saudosista enquanto assistia, mas várias coisas me lembraram de episódios antigos como “Midnight”, “Utopia”, “The Girl In The Fireplace”, entre outros.
– Simplesmente adorando o desenvolvimento que estão dando para a Clara. Continuem explorando o potencial dessa garota.
– Já tivemos episódios intitulados “Blink” e “Listen”. Será que também teremos algum chamado “Talk” ou “Scream”?
– Apenas surtando com a aparição do War Doctor. E gostei da explicação do celeiro que vimos em “The Day Of The Doctor”: é para lá que o Doctor vai quando se encontra em um momento difícil.
– O pequeno Rupert Pink é adorável. E já estou começando a enxergar alguma utilidade para o Danny na série.
– Porque a Clara precisa de três espelhos?













