Desta vez não vai dar: tivemos um episódio muito ruim de The Strain e abaixo você verá os motivos que elenquei para dizer que “The Disappeared”, com o perdão do trocadilho, poderia desaparecer.

Em suma nada de muito relevante aconteceu e os problemas não estão nos eventos em si. Desta vez temos alguns problemas técnicos. Isso mesmo que você leu. A edição foi uma das piores desde que a série entrou na grade. Dá pra explicar melhor? Dá sim.

Se em The Strain temos muitas cenas que são apenas “de passagem”, só para interromper os eventos e criar pequenas tensões, a cena inicial careceu de cortes que pudessem estabelecer tais feelings. A morte de Matt foi a mais carente de melhores efeitos. Sua cabeça rolando pelo chão parecia uma máscara carente de orçamento de parques de diversões do interior de qualquer cidade brasileira. Quando Zack é confrontado pelo padrasto, tudo acontece tão rápido que as emoções que aconteceram em sua (Matt) morte ficaram com um delay muito grande para uma produção deste calibre. Aliás, não foi só isso.

A ficha caiu muito tarde para Eph e Nora. Revoltados com o pragmatismo de Fet, por incrível que pareça, enfrentam uma ameaça com um olhar científico, incrédulo e ainda muito assustado. Já foram testemunhas de muitas mortes e viram de perto o “vírus” vivendo no corpo do amigo morto. E ainda assim culpam as pessoas. Ainda temos que escutar o sentimentalismo idiota de Nora: “Ele era nosso amigo”. Ah, ok, ele era amigo de vocês e quando confessou a culpa por ter permitido que a caixa saísse do aeroporto nenhum dos dois foi capaz de perdoá-lo, mesmo que o motivo utilizado pelo falecido tenha sido conseguir um tratamento para mulher. Ambos os rejeitaram, não houve perdão. Agora se sentem “ofendidos” pelo fato da morte não ter vindo através das mãos de gente que amava o ex-cientista? Então tá.

Aliás, depois que todos ficaram estupefatos dentro da casa e vasculhados todos os cômodos, a conversa por lá foi desnecessária. Por isso que aponto um sério problema de corte/edição. Não havia nada mais a ser feito se não despachar o corpo do vampiro e porque isso não poderia ser feito com a ajuda de todos? “Porque Zack não poderia ver o próprio padrasto sendo queimado”. Calma aí, ele viu Matt jogando uma “serpente” para fora da boca tentando suga-lo até à morte e não poderia testemunhar como se faz pra se livrar definitivamente do mal que habita o corpo de queridos ou não? Tudo foi uma desculpa para deixar a hermana e o médico sozinhos e quando ela se propôs a ficar, sublinhou: “Hoje vai ter”.

E teve.

E todo o sentimento de luto se desfez em um coito. Não quero entrar em méritos subjetivos. Estamos falando de TV, de cultura pop, de entretenimento e de todos os interesses por trás, mas não dá para depois de tanto mimimi rolar uma cena de volúpia (desculpe-me por utilizar eufemismos: não quero baixar o nível do texto) e carência. Que havia uma tensão sexual entre os dois era óbvio, mas este era o momento mais apropriado para um alívio? Deem suas opiniões nos comentários.

As cenas de flashback na Polônia no campo de concentração não me convencem suficientemente de aquilo é um campo de concentração. Tudo parece superficial, por isso minhas críticas a como o cenário é tratado. Nem tanto pela atuação. Eles se salvam, para ser bem franco. Não foram poucos os elogios que fiz. O problema é – repito – a edição. Parece que a direção corre para mostrar muita informação e acaba não dando a relevância que cada momento deveria ter.

Temos mais problemas.

Dutch tem uma crise em sua residência porque foi assaltada pela melhor amiga. Pelo menos é o que parece. Não há nenhum indício de que ela foi realmente responsável pelo sumiço do backup e do dinheiro da blondie. Uma cena de exageros com direito a “foras” no calmo e tranquilo Fet, o cara que está sublimando alguns sentimentos (fica claro que ele luta de maneira velada) para proteger a trupe junto com Setrakian. Ainda trataram de banalizar a presença dos vampiros com mais um entrando em cena e “saindo” após um belo golpe do caça-ratos. Eles têm uma boa pérola nas mãos, mas pecaram muito em vários aspectos em “The Disappeared”.

Ainda tivemos o choro (lembra que eu falei do delay) tardio de Zack por Matt e lá vai Setrakian – do seu jeito – dar um conselho adulto a um moleque de no máximo 11 anos. “Lamente a morte, mas levante a cabeça”. Ok. Vou deixar passar, mas o momento a dois de ambos foi para que houvesse este diálogo. Ou seja: previsibilidade. Assim como os doutores sentados na cama de casal. Só não rolou um beijo roubado entre a hacker e o rats killer não fossem eles atacados. Correria na edição, correria na narrativa. Quando é bom, é bom, mas definitivamente não foi este o caso.

Núcleo latino. Não entendi porque o “gordinho” poupou alguns colegas dentro da van. Desculpem mas utilizarei outra vez: previsível. Não aliviou para o motorista. Mesmo com esta incoerência, ao menos pra mim, foi o de mais interessante que aconteceu no episódio, mesmo apresentando o óbvio: estava na cara que mais cedo ou mais tarde aquilo aconteceria e não poderia ser na delegacia, chamaria muito atenção.

Então, Daniel, o que mais aconteceu de bom?

Pouquíssima coisa. A ideia que eles querem passar de que o caos cerca a cidade, convence. Está ali na notícia do rádio, em pouquíssimos diálogos. Já se sabe que mesmo com os meios de comunicação comprometidos o inevitável se aproxima.

Fora isso é torcer pelo próximo episódio, porque este foi muito aquém dos outros. Tão aquém que nem me importa saber onde está Kelly, a desaparecida.

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