É a história se repetindo?

Quando Reigan Derry apareceu lá no primeiro episódio dessa temporada, cantando “Someone Like You” e contando sua história que já envolvia uma relação com o mercado da música pop há alguns anos atrás, logo nossas mentes foram levadas até o ano de 2012, quando uma candidata também de 25 anos tinha uma trajetória de vida parecida. Como se a coincidência já não fosse bastante, a ex Scarlett Belle vem de Perth, mesma cidade da campeã da quarta temporada, Samantha Jade.

Mas toda a sensação de déjà-vu não para por aí. Nos últimos dois anos, o título do X Factor foi atribuído a uma concorrente da categoria Overs que poderia ser facilmente confundida na categoria das Girls. E esse ano tudo está trilhando para que a história se repita mais uma vez.

Não é como se Reigan se encostasse nas estatísticas e superstições. Sua audição pode ter ficado perdida no meio de tanta babação em cima das crianças prodígio – algumas delas sequer estão nos live shows -, mas do Bootcamp em diante só deu ela. Resta a nós torcer para pelo menos a história do pós-show não ser a mesma de Samantha, que está com um álbum prestes a ser lançado praticamente desde que a quarta temporada acabou e aparentemente vai ser deixada na geladeira de sua gravadora. Talento desperdiçado, tsc tsc.

Bom, agora chega de papo e vamos logo ao que interessa, que são as apresentações dessa primeira rodada de shows ao vivo, que foi ao ar no domingo. O nível não foi lá nas alturas, mas também não passou perto de ser uma tortura.

Para quem chegou esse ano e ainda não conhece o CHERÔMETRO, ele é uma escala para avaliar a qualidade das apresentações, ilustrada pela eterna musa do X Factor Cheryl Cole.

Essa escala vai de “OMG! Fantástico! Abalou abalou sacudiu balançou!”:

Até “OMG! Eu quero arrancar meus ouvidos e olhos fora!”:

Entendido? Então vamos começar:

Jason Heerah – “Sing” (Ed Sheeran)

https://www.youtube.com/watch?v=DJ_p9lL8r_s

Olha, quando eu vi que Jason ia abrir os live shows já me bateu logo um desânimo, mas não é que ele me surpreendeu positivamente? Foi algo bem na vibe da audição dele, uma música atual, animadinha, porém que ainda tem aquela cara de Jason, uma mistura de soul, com R&B, com pop… Não duvido que, se ele seguir nessa linha, possa até durar mais do que eu imaginei a princípio, e mais, que eu acabe querendo a permanência dele por mais um tempinho. Não é algo que eu morra de amores, mas fica ainda melhor se comparada com o restante das apresentações.

Tee – “Love Me Again” (John Newman)

https://www.youtube.com/watch?v=jdFlW__Yhqo

Não seria Tee se já não começasse com um drama card daqueles, hein? Parece que o destino não quer mesmo que eu simpatize com esse moço: com 22 pessoas nos live shows, quem tinha que fraturar o joelho e já ter um motivo para chegar chorando na primeira semana? Yeah, baby, O FUCKING TEE! Mas olha… odiei bem menos do que eu esperava. Na verdade nem cheguei a odiar. Rolou uma baita ajuda da música que é ótima, mas principalmente até o primeiro refrão Tee fez um trabalho bastante decente. A partir do segundo verso os vocais ficaram tremidos e vacilaram em algumas vezes, causando alguns momentos bem desconfortáveis de se ouvir, mas no geral, não foi trainwreck, não foi entediante, não foi detestável. Ou seja, não foi o que eu esperava de Tee – e isso é bom.

Sydnee Carter – “Don’t Panic” (Coldplay)

https://www.youtube.com/watch?v=IUDqFpI2dOY

Performance bonitinha, fofinha, tudo bem “inha” mesmo. Sydnee subiu no palco armada com seu timbre e nada mais. Senti falta de um clímax, uma subida no tom, ou qualquer coisa que empolgasse mais. Se continuar só nisso, daqui a pouco vai colocar todo mundo pra dormir.

Younger Than Yesterday – “Somebody To You” (The Vamps feat. Demi Lovato)

https://www.youtube.com/watch?v=eWSen6r3_Qk

Mantenho minha posição sobre a ida desses meninos para os live shows: era uma jogada estratégica de Dannii que, no fim das contas, deu muito certo (falaremos disso posteriormente). Bem, até acreditei que eles poderiam melhorar com uma escolha de repertório mais bem pensada, alguns dias a mais de ensaio… infelizmente, parece que nada funcionou. Os primeiros solos, de Ellis e Harry, já mostraram uma insegurança enorme. A coisa melhorou e ameaçou engrenar no solo de Joel, mas aí no refrão foi ladeira abaixo e não parou mais. A volumosa base de backing vocals, que amenizou o desastre que seriam as harmonias, foram tão vergonhosas quanto os instrumentos que estavam sendo tocados “de mentirinha”. E esse nome difícil, gente? Parece que a Austrália estava tão revoltada com a ida deles no lugar dos Brothers 3 que decidiu trollar até na hora de sugerir o nome para o novo grupo. Eu tento até me apoiar na lembrança de que o Union J foi terrível no live show 1 e depois acabaram sendo o melhor act da nona temporada do X Factor UK, mas acho muito difícil que a história se repita com esse trio.

Rochelle Pitt – “History Repeating” (Propellerheads feat. Shirley Bassey)

https://www.youtube.com/watch?v=CXM7Ytg2qs0

Imaginem só a minha surpresa quando Rochelle começa a cantar e até um pouco depois da metade da performance eu estou adorando. Bom, a sensação foi legal, mas aí vieram essas notas altas estranhas e completamente desafinadas e me imergiram em um pesadelo auditivo. Uma pena, porque Rochelle estava bonita, toda a produção do palco com os dançarinos e o jogo de cores estava ótima, e a proposta da song choice tinha sido bacana. Pena que a execução nadou e nadou para morrer na praia.

Trill – “I Will Never Let You Down” (Rita Ora)

https://www.youtube.com/watch?v=uVqUUDaDn1c 

Adoro Redfoo falando por todos nós ao não conseguir falar nada, de tanta informação vomitada em questão de pouco mais de 2 minutos. Performance que pecou pelo exagero. Teve pichação falsa no telão, teve selfie no sofá, teve o zoológico inteiro invadindo o palco, teve globo gigante, teve a Trill do casaco branco errando todas as high notes e deixando o que já não estava tão bom um pouquinho pior… enfim, teve muita coisa e nenhuma delas efetivamente ajudou essas meninas.

Adrien Nookadu – “Stupid Love” (Jason Derülo)

https://www.youtube.com/watch?v=ZTTshAiwfBQ

E aí Nat, caiu na real de que a voz do Adrien não é tudo isso e colocou o menino para dançar? Aparentemente sim, porque vocalmente ele não provou a que veio, não passando de um desempenho digno do mais genérico dos cantores de r&b/pop. Mais uma apresentação que tinha tudo para dar certo, uma produção bem armada, coreografia legal, mas o candidato não ajudou muito. Concordo com Ronan no que diz respeito a escolha da música, foi realmente meio morna e no catálogo do próprio Derülo há canções melhores e cheias de instrumentais que ajudariam até a disfarçar as fragilidades vocais de Adrien.

Marlisa – “All By Myself” (Céline Dion)

https://www.youtube.com/watch?v=i7BiKQmflrs

“All By Myself”? Eu liguei a TV no Jovens Talentos do Raul Gil por engano? Juro que achei que depois que acabasse essa performance apareceriam a Marly Marley (RIP) e o Pedro de Lara (RIP também) para comentar. Ai gente… NÃO, NÃO E NÃO! Implantaram um tal de The Voice Kids lá na Australia justamente pra isso, para pegarem crianças prodígio e colocarem-nas para cantar clássicos manjados totalmente inapropriados para a idade dos concorrentes. Não é isso que eu quero ver no X Factor. Ronan parece ter um sério problema para ser um bom mentor no começo dos live shows, visto que no ano passado foi preciso o Taylor bater o pé e ainda sair de “rebelde” para se encontrar na competição (Omar e Jai saíram sem personalidade artística alguma). O cara quis mostrar algo que todos já sabiam – que Marlisa tem uma voz incrível – e esqueceu várias outras coisas, como trabalhar a postura dela no palco. Sério, nas horas em que ela não estava cantando a sensação que eu tive era de que ela estava procurando um buraco no chão para sair o mais rápido possível dali. Marlisa é fofa, tem likeability, a produção já ajudou tirando o sobrenome difícil dela do nome artístico, mas se essa é a proposta do Ronan para ela, pode esquecer, não vai ser estrela ali nem em lugar nenhum.

Brothers 3 – “Just the Way You Are” (Bruno Mars)

https://www.youtube.com/watch?v=OtGYUswWe6w

Bom, como esperado, quem voltou pela votação do público para wildcard foram os Bregas 3. Não que houvesse outras três opções absolutamente sensacionais, mas depois de Ryan eram os que eu menos queria ter que aguentar por mais algumas semanas. Mas confesso que estou ansioso para ver como Dannii vai rebolar para tornar esses meninos vendáveis – e pra ver eles cantando “The Sound Of Silence”, por favor Dannii faça acontecer, mulher!. Por enquanto não mostraram nada que já não tenham feito no Bootcamp; aliás, eles fizeram exatamente a mesma coisa. Pegaram uma música atual e com certo apelo teen para usarem a desculpa de que podem ser comerciais, colocaram aquele toque Bregas 3 e ficou aquela coisa bem campestre, bem sertaneja, bem… brega. Só queria destacar o makeover porque foi algo que só vimos nesse episódio: conseguiram deixar o brega 3 da esquerda muito feio, o do meio muito bonito, e o da direita continua parecendo aqueles personagens bobões de besteirol americano, tipo algum American Pie da vida.

Caitlyn Shadbolt – “Days Go By” (Keith Urban)

https://www.youtube.com/watch?v=8iXIcloybrc

Que tristeza que me deu ver essa performance, e não porque Caitlyn foi mal – longe disso. Ronan fechou o primeiro live show atestando que foi um lixo de mentor nessa semana, dando essa música morna para uma candidata que já tinha muito a provar por não ser uma das super pimpadas pela edição. Fiquei até com um pouco de dó da garota, que estava lá fazendo o melhor que podia, entrando no clima da música, tentando dar uma animada na plateia, que respondeu com frieza, alguns aplausos bem xoxos e animação de quem está assistindo uma partida de golfe. Poxa, Australia, ajuda aí. Vocês fazem um escândalo pra uma menina cantando Coldplay dentro de um barquinho no meio da noite e outra cantando a corta-pulsos “All By Myself”, mas para a garota que manda um country animadinho é esse silêncio? Precisam urgentemente reconhecer que o brilho e o star quality de Caitlyn são GRITANTES. A postura dela no palco, o modo de falar perante a câmera, e até mesmo aquele videozinho exibido antes da performance na qual ela fica posando, tudo isso deixa bem claro o quanto essa menina tem potencial para ser o que o X Factor procura – a de maior potencial entre as Girls, inclusive. Só falta o público abraçar e Ronan dar umas músicas melhores. PS: Seriam três cherylzinhas mas vai ganhar uma a mais pela dancinha de Ronan e Nat <3

XOX – “Braveheart” (Neon Jungle)

https://www.youtube.com/watch?v=W-DazbJDKUw

WOW! Depois de tanta performance caidinha, era disso que esse primeiro live show estava precisando! Esse grupo é tudo que o outro conjunto formado pelos jurados não conseguiu ser. Essas meninas têm química, boas vozes, harmonizam bem (para um grupo recém-formado), e ainda mostraram que dançam bem também – reparem especialmente na Chaska (a do bocão)! Acho que além das coisas mais óbvias, outro ponto a se melhorar é a busca de uma identidade mais única para elas; no momento, tudo ainda parece meio wannabe Little Mix, ou até mesmo as intérpretes originais, Neon Jungle. Mas para uma primeira apresentação ao vivo, foi muito bom mesmo – principalmente se comparado com a concorrência que deu uma ajudinha sendo meia boca.

Dean Ray – “Sympathy For the Devil” (The Rolling Stones)

https://www.youtube.com/watch?v=Hh_SaZyxAUo

Tenho um pouco de abuso da personalidade do Dean. Não acho ele arrogante e nem forçado, apenas não simpatizo com essa atitude meio blasé dele mesmo. Mas em cima do palco não tem como negar que ele manda super bem e dessa vez não foi diferente. A song choice caiu como uma luva, ele conseguiu passar toda aquela intensidade sem exagerar e nem assustar quem estava assistindo e ficou tudo com a cara dele. Não sei até onde ele consegue durar sem variar esse estilo, mas sem dúvidas é o que há de mais interessante entre os homens da competição.

Reigan Derry – “Unconditionally” (Katy Perry)

https://www.youtube.com/watch?v=eaKtTCEYqXc

Daí que aos 47 do segundo tempo vem alguém e te faz ter a sensação de valer a pena ter passado pelas apresentações fracas do início, só pelo deleite de se chegar nesse ápice. As expectativas eram altíssimas, tanto por ser Reigan Derry e termos seu histórico de excelentes performances bem fresco na nossa memória, quanto por “Unconditionally” ser uma daquelas músicas que não são tão difíceis assim de se gerar comentários do tipo “melhor que a original”. E Reigan não decepcionou. A mega produção, digna não só de final – como bem pontuado por Dannii -, mas também de grandes premiações, não serviu para disfarçar qualquer fragilidade ou falha vocal da cantora, mas sim para enriquecer visualmente algo que já seria um prazer auditivo que, nessa competição, só Reigan é capaz de proporcionar. Semana passada afirmei que essa mulher estava deixando a concorrência comendo poeira, e dessa vez ela usou essa poeira para fazer a melhor apresentação DISPARADA do primeiro show ao vivo.

PRÉ-RESULTS:

Younger Than Yesterday é uma certeza no bottom, tanto pela repercussão junto ao público antes mesmo dos live shows começarem, quanto por merecimento. A outra vaga deveria ser de uma girl – de preferência Sydnee – até mesmo para dar um sacolejo em Ronan, mas provavelmente deve ficar entre Jason, Trill ou Caitlyn.

RESULTS

No episódio de segunda-feira, Dami Im e Guy Sebastian voltaram ao X Factor para apresentar seus novos singles (ambos bons, aliás), e Luke Jacobz começou a anunciar quem estava salvo e…

COMO ASSIM YTY SALVOS? QUE MUNDO É ESSE? CADÊ JUSTIÇA? Não que os dois acts que foram ao bottom tenham feito apresentações estupendas no domingo, mas a boyband ficou para trás na mesma proporção que Reigan ficou na frente e, com certeza, mereciam ir para a berlinda. Ao invés disso, foram Trill e Adrien. A girlband não foi surpresa, já imaginava que elas corriam sério risco, tanto por não serem tão populares quanto por terem se apresentado bem no meio do show, mas Adrien me pegou desprevenido, porém satisfeito, já que todo castigo para Natalie esse ano é pouco. Vamos ver como eles se saíram cantando pela sobrevivência:

Trill – “Leave (Get Out)” (JoJo)

https://www.youtube.com/watch?v=vKbehGy5A6I

Achei isso longe de ser ruim, aliás até um pouco melhor que no live show – pelo menos a Trill de branco acertou um pouquinho mais nas notas altas. Mas parece que essas meninas tem uma dificuldade em causar impacto no refrão, e isso em um grupo, onde se tem no caso três vozes, é um baita de um problema. Você fica esperando aquela explosão e a energia acaba caindo. Mas foi ok, fizeram um bom trabalho.

Adrien Nookadu – “When I Was Your Man” (Bruno Mars)

https://www.youtube.com/watch?v=Z1_j_1BbP7Q

Ai essa músicazzzzzZZZZzzzzzzz. Sorry Adrien, você não é Reigan e não conseguiu deixar uma música do Bruno Mars audível. Pelo contrário, conseguiu piorar.

Infelizmente estava meio na cara que Trill seriam eliminadas, até mesmo para equilibrar o jogo e Dannii ficar com 3 acts assim como os outros jurados. Só o discurso de Redfoo que foi totalmente equivocado, alegando que votaria considerando “quem queria mais ganhar” e mandando Trill para casa. Sinto muito mais vontade e entrega nas performances do Trill do que nas de Adrien. Mas a verdade é que nenhum dos dois duraria muito no programa.

Semana que vem o tema é “Legends”, e Luke já cantou a bola de algumas coisas que ouviremos: Michael Jackson, Lady GaGa, Britney Spears, Justin Timberlake e Aerosmith. Aposto que cairão para, respectivamente, Jason, Rochelle, XOX, Adrien e Dean.

E vocês, o que acharam dessa primeira semana de live shows? Será que Reigan já está mesmo com uma mão no troféu? Será que existe jeito para consertar essa boyband toda errada? Gostaram da volta dos Brothers 3? Mataram a saudade do Luke Jacobz sendo lindo, elegante e mandando aquelas piadinhas não tão engraçadas, mas que a gente ri só porque saem da boca dele? Mandem ver aí nos comentários e vejo vocês na semana que vem!

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Aleph Macaullay
Goiano que foi viver no caos de São Paulo mas não esconde as origens caipiras e chora quando ouve "Evidências". Radialista por formação e redator publicitário por profissão.