O que faz alguém suspeito é suficiente para incluí-lo na lista de prováveis assassinos?
Tivemos mais dois capítulos de O Rebu, mas dessa vez focados em personagens de menor expressão… Aliás, O Rebu é uma trama que não podemos afirmar nunca que um personagem é mais ou menos importante, pois podemos ser surpreendidos mais adiante ao descobrir que aquele cara com uma única fala por capítulo foi o assassino do capítulo. Mas fato é que Oswaldo e Severino não têm, obviamente, o mesmo destaque de Angela ou Braga, por exemplo, mas eu jamais seria leviano de falar que, por estes motivos, eles são menos importantes.
A importância desses personagens de menor expressão reside na função que eles exercem na trama: inflar a lista de suspeitos e manter, pelo menos por enquanto, os detetives distantes do real assassino. Tenho quase certeza que o verdadeiro assassino está se mantendo discreto nesse momento, e possivelmente seu nome nem mesmo passou pela cabeça do Delegado Pedroso.
Aliás, mesmo que ninguém na festa tivesse matado o Bruno, ainda assim o Delegado Pedroso teria tido muito trabalho naquela mansão, já que tudo o que não tinha ali era santo… Na verdade, todos naquela festa ou escondiam algo, ou fugiam de algo, ou planejavam algo, ou tentavam alguma coisa nova… Quase ninguém ali estava naquela casa apenas pela festa, com exceção da Maria Angélica.
E o mais fantástico de O Rebu é exatamente isso: a forma como a trama trabalha a personalidade de cada um daqueles personagens e, sobretudo, os segredos que cada um tenta esconder. E como todo mundo tem segredos e – assim como você – não gostaria de vê-los revelados, acaba que todos parecem suspeitos em potencial… O trabalho de encontrar, entre tantos segredos, aquele que realmente interessa (quem matou Bruno Ferraz) cabe ao Delegado Pedroso e sua equipe, que já demonstraram que não têm medo do poder que emana da maioria dos convidados daquela festa.
Outro ponto que estou achando bem interessante é a forma que foi escolhida para a investigação do crime, onde temos um capítulo todo focado em uma pista, que nos leva até um suspeito, sendo que nos minutos finais somos direcionados para outra direção, com uma nova pista e suspeitos que serão abordados no capítulo seguinte. Como os capítulos são bem curtos, com menos de 30 minutos, escolher outra forma de investigação seria inviável, ou deixaria o público bem confuso.
Por outro lado, pelo menos em mim, desperta uma sensação de que estes primeiros suspeitos que estamos conhecendo têm chances menores de serem, de fato, o assassino, pela simples questão lógica de que a novela ainda está relativamente longe do seu final e dificilmente “gastariam” o assassino assim tão cedo… Claro que tem sempre a possibilidade de, mais adiante, Pedroso descobrir uma nova pista que o leve de volta a algum convidado que ele já havia descartado… São muitas possibilidades, no final das contas.
O que não podemos negar é que os dois personagens explorados nos dois últimos capítulos, Severino e Oswaldo, já se mostraram vitais para a trama.
Quando o capítulo de segunda começou, imaginei que veríamos uma investigação mais aprofundada sobre Adão, apenas para ser surpreendido quando ele apontou Severino como provável assassino… Aliás, “surpreendido” é a palavra que mais me define ao assistir esse capítulo, principalmente quando descobrimos que era o garçom a pessoa que atirou em Angela.
De certa forma, sempre soube que o tiro em Angela em nada tinha a ver com a morte do Bruno e era um artifício do roteiro para tumultuar a investigação e induzir o Delegado Pedroso a procurar suspeitos que, além de matar Bruno, também fossem capazes de atirar na anfitriã. Evidente que isso influencia o trabalho da polícia, já que ao pensar que os dois crimes tinham conexão, personagens mais frágeis ou que, por alguma outra razão não teriam por quê atirar em Angela, jamais seriam vistos como suspeitos primordiais, como é o caso de Maria Angelica, Vic ou até mesmo a Duda.
Por isso, achei interessante que o roteiro tenha se livrado deste seu recurso ainda neste momento da novela. Claro que o Delegado Pedroso ainda não sabe que foi Severino quem atirou em Angela, mas agora que o garçom entrou em seu radar, não vai demorar até que ele descubra tudo.
Sobre Severino em si, é um personagem fantástico. Apareceu pouco, mas conquistou o público geral pela simpatia do “garçom repentista”, criando uma ponte interessante com telespectador de casa que pode, num primeiro momento, manter distância daquela história por não se sentir adaptado àquele mundo, e não conseguir ter simpatia daqueles personagens já que pessoas muito ricas, em geral, despertam essa distância do “público geral”. Logo, era como se Severino fosse a prova viva de que qualquer um de nós também poderia estar ali naquela festa, com todas as suas quebras de protocolo e etiqueta.
É necessário também fazer uma menção honrosa ao excelente trabalho de Cláudio Jaborandy, que soube imprimir uma personalidade completamente diferente ao seu Severino, quando necessário. Podemos ver, sobretudo na cena do carro, como até as feições e o tom de voz dele mudaram, isso sem falar no olhar, muito mais ameaçador do que o, até então, dócil garçom repentista.
Por isso foi muito interessante vermos esse outro lado de Severino, e sua dissimulação. Meu avô sempre me disse que “quem é alegre demais no ambiente de trabalho, ou quer esconder o medo ou a incompetência”, e ficou claro que Severino tinha muito a esconder, razão pela qual criou aquela personagem do garçom divertido, apenas para não entrar no radar de ninguém… Mas entrou. Adão não acreditou nenhum pouco em Severino e foi o grande responsável pela entrada do garçom na lista de suspeitos de Pedroso. Aliás, interessante notar mais uma coisa: Severino também entrou no radar de mais uma pessoa: Bruno Ferraz.
Mas a questão é que há um outro personagem no radar de Pedroso há um bom tempo: Oswaldo Pamplona, que teve o capítulo de terça focado nele. Primeiramente, minha intuição o excluiria da lista de prováveis assassinos por acreditar em uma razão maior para o assassinato do que um mero delírio de um homem desequilibrado… Mas depois dessa última terça-feira isso não é mais possível. Oswaldo é sim um grande candidato ao “título” de assassino.
E simplesmente porque seu descontrole na festa está evidente. O jornalista estava, literalmente, fora de si, e pode ter cometido o crime tanto num arroubo de loucura (como já vimos duas vezes, a primeira quando ele viu Bruno em todos os personagens na novela e o segundo, neste capítulo, quando imaginou todos rindo dele) ou até mesmo em uma possibilidade mais maluca, mas ainda assim não impossível: Oswaldo queria muito o patrocínio de seu novo livro, perseguindo Angela e Braga durante a festa… E se um dos dois convenceu o rapaz de que, se ele “se livrasse” do problema deles, ele teria esse investimento? Ou até mesmo se ele fez isso por livre e espontânea vontade, apenas para agradar seus prováveis investidores? Uma mente desequilibrada como a de Oswaldo não é tão difícil de se controlar.
No geral, preciso destacar também que Oswaldo teve seus momentos mais bonitos nesse capítulo… Tanto no flashback com seu pai, quanto em sua conversa com Camila no banheiro. O personagem é muito querido pelo roteiro da novela, e corresponde bem em troca… Só acho que ele ainda está muito desconexo do eixo central da trama no presente, e certamente quando ele for encontrado e levado à mansão, teremos cenas bem interessantes.
Agora, uma coisa que me dá ainda mais certeza com esse destaque de Oswaldo é que ele é um dos personagens centrais desse mistério… Continuo acreditando que, se não foi ele quem matou o Bruno, ele viu ou ouviu algo, mas em razão dos delírios que teve durante a festa, acabou sendo ignorado… Isso até justificaria sua fuga e o estado em que se encontra atualmente.
Inclusive, por causa de Oswaldo a equipe de investigação teve uma das melhores discussões que já tiveram, como equipe. A divisão do grupo, sobre aqueles que acreditam que Oswaldo é de fato um suspeito e aqueles que não, foi bem interessante. E por mais que eu queira ficar do lado de Rosa e dizer que aquele homem, por mais desequilibrado que fosse, não seria capaz de matar o Bruno, ainda assim não posso me fazer de cego sobre o que já vimos sobre ele. Oswaldo é certamente o personagem mais complexo da trama até aqui.
Também tivemos nesse capítulo o início da perícia, o que vou comentar mais apropriadamente na review do final de semana, pois tudo ainda está muito raso, com o Antenor “Dr. Caveira” afirmando apenas o que todos nós já desconfiávamos: afogamento não foi a razão da morte de Bruno.
Mas tivemos também algo muito importante: o encontro daquela que pode ser a arma do crime. Se for confirmado que aquela é mesmo a arma do crime (e neste ponto, eu concordo com o Delegado Pedroso de que é sim), podemos ter mais dicas sobre o assassino e a possibilidade de crime passional se intensifica. Primeiramente, a arma em si é um objeto qualquer, o que demonstra a falta de premeditação do crime. É bem provável que tenha acontecido uma discussão e o assassino simplesmente foi tomado por uma forte emoção e pegou o primeiro objeto ao seu alcance… Em segundo lugar, a forma como o assassino se livrou da arma do crime, de qualquer forma, colocando nas coisas de Oswaldo (isso na possibilidade de não ter sido o próprio, é óbvio), demonstra que não era uma pessoa “experiente” ou até mesmo que já tenha matado alguém antes, o que excluiria Severino, por exemplo.
Logo, a arma do crime pode nos dizer MUITA COISA sobre o crime, e intensifica a possibilidade de um crime após uma discussão acalorada e, sobretudo, passional, o que traz à tona muitos suspeitos que, até então, estavam no final da lista.
P.S.: Novamente sou obrigado a elogiar o Tony Ramos pela brilhante cena com o Daniel de Oliveira na abertura do capítulo de segunda. Novamente, fantástico.
P.S. 2: Aliás, sensacional o Braga que toda vez que se aproxima do Pedroso é para tumultuar a investigação. Acho fantástico como o personagem consegue ser falso e dissimulado.
P.S. 3: Gilda, Bernardo e Mirna começaram a aparecer bem mais essa semana… Espero muito ver mais sobre esses três, que são personagens que eu já adoro.
P.S. 4: Angela está começando a entrar na minha lista de suspeitos principais apenas pela tentativa do roteiro de inocentá-la… Nos últimos capítulos é evidente a tentativa do roteiro de fragilizá-la, até mesmo com as insinuações de romance com o Delegado Pedroso.
P.S. 5: E o que falar de Duda, hein? Qual a razão dela ter roubado o dossiê contra o Braga?
P.S. 6: Falando nisso muita gente me pergunta a razão de A ou B não estarem no meu Ranking dos Suspeitos, já que eles são os que têm mais motivos e coisa e tal… Bem, meus palpites são baseados única e exclusivamente no que eu vi naqueles capítulos, então, por mais que eu ache que a Gilda tem razões bem maiores para ter matado o Bruno que o Oswaldo, não tem como eu acusar a Gilda num capítulo onde só vimos o Oswaldo em situações comprometedoras. É assim que funciona os meus palpites, basicamente apontando quem o roteiro nos coloca em voga.
QUOTES DOS CAPÍTULOS:
– “Na cadeia eu aprendi a farejar uma mentira… Severino pode ser tudo, menos garçom” – ADÃO.
– “Esse café tá frio e amargo, parece a Gilda.” – REZENDE, Bernardo.
– “Nós temos muito o que fazer, tome um calmante e vamos agir” – MAHLER, Angela.
– “Meu amor, desculpa… Mas a festa não acabou, não!” – PAMPLONA, Oswaldo.
– “Qual é o assassino que guarda a arma do crime dentro do quarto em que estava hospedado?” – NOLASCO, Rosa.
– “Vou logo adiantando: afogamento não foi!” – “DR. CAVEIRA”, Antenor.
– “O senhor não pensou na possibilidade de um crime passional? Me desculpe, mas o rapaz era mulherengo.. gostava do esporte” – VIDIGAL, Carlos Braga.
– “Quem mandou convidar o lobo mal pro piquenique da chapeuzinho?” – VIDIGAL, Carlos Braga.
PALPITES DOS CAPÍTULOS: Ainda que tudo no capítulo de segunda nos leve à Severino, meu palpite fica mesmo na nossa anfitriã, ANGELA MAHLER, pela tentativa do roteiro de fragilizá-la, o que me pareceu estranho. Já no capítulo seguinte, não posso ignorar que o suspeito primordial seria OSWALDO PAMPLONA, razão pela qual o incluo na lista. Só aproveito a situação para apontar um segundo suspeito neste capítulo, depois que descobrimos a arma do crime e a possibilidade enorme deste ter sido passional, não temos como não apontar MARIA EDUARDA “DUDA” MAHLER como suspeita.
RANKING DOS SUSPEITOS (contabiliza quantas vezes cada personagem já apareceu na minha lista de suspeitos):
BRAGA: 2 vezes.
LÍDIA BRAGA: 2 vezes.
KIKO: 1 vez.
VIC: 1 vez.
ROBERTA: 1 vez.
BERNARDO: 1 vez.
OSWALDO: 1 vez.
ANGELA: 1 vez.
DUDA: 1 vez.















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