
De volta aos bons e velhos tempos das caminhadas na floresta em direção ao desconhecido, outra trama simples se apresenta e surpreende pela qualidade.
Spoilers abaixo!
Um dos fatores que fizeram o episódio ser outra bola dentro dos roteiristas nessa ótima temporada é que mesmo com as reviravoltas e surpresas típicas de Lost, tivemos boas doses de drama e uma nova camada naquele que é provavelmente o arco mais desvalorizado pelos fãs: Jack, um homem de fé. Durante seis temporadas, vimos o líder dos sobreviventes do voo 815 passar de líder completamente cético e sensível, a um completo perdido, egoísta e que tenta achar nas misteriosas propriedades da ilha – que o falecido John Locke tão bem tentava vender – o seu destino, a salvação que todos os personagens, de maneira direta ou indireta, buscam.
Darlton consegue apresentar bem e sutilmente essa “evolução” do personagem, que foi minuciosamente trabalhada em episódios fantásticos como Through The Looking Glass e 316. Cada passo, cada motivo, cada palavra que o seu antigo inimigo disse a ele quando ferido no hospital começava a se repetir de maneira cada vez mais forte na cabeça do doutor, até que ele chegou no fundo do poço ao se separar de Kate e sentir um vazio enorme. Era hora de voltar ao único lugar que um dia ele havia sentido poder, controle de sua vida e até da de outros, algo que o seu pai sempre havia negado. Pois mesmo entre tantas tragédias, principalmente por lá, odiando ou não, a ilha era o seu lar. E Isso não é por acaso. Como um grande quebra cabeça, o final dessa temporada e obviamente da série vai ficando cada vez mais claro. Há uma guerra a caminho e mesmo com ela trazendo muita ação e cenas explosivas, não espero uma batalha entre navios ou tanques, nada do tipo, e sim, uma disputa de interesses relacionados a ilha que pode acabar indo longe demais e causando a morte de inocentes. Os Losties estão, um por um, escolhendo lados nessa briga e a manipulação para o controle deles, os peões, parece ser algo que irá levar vários episódios, o que eu particularmente acho maravilhoso. É o momento que todos nós estávamos esperando acontecer e o seu desenrolar está sendo e certamente continuará a ser incrível.
Nos flash sideways, mais um exemplo de como a realidade alternativa é diferente da nossa: Jack tem um filho. Creio eu que torná-lo uma figura paterna foi algo que os produtores sempre quiseram e levemente trabalharam com o Aaron na quarta temporada, mas agora, com esse novo recurso narrativo, a janela novamente se abriu e eles pularam para dentro o mais rápido possível, dando ao Matthew Fox (outro fator da série super desvalorizado pelos fãs) uma chance enorme para mostrar o seu potencial e ele simplesmente arrasou. Sei que muitos não gostam do Jack ou das decisões que ele toma, mas sou um defensor do ator e acho que ele porta muito bem o papel de herói trágico, tão quão o de pai tentando consertar os seus erros. Super tocante a cena dele observando o filho tocar.
“You have what it takes.”
Outros pensamentos em relação ao episódio:
– Fiquei com a impressão ao fim de que uma espécie de força desconhecida está em ação sobre a ilha, permitindo só as pessoas que acreditam em algo, poderem vê-lo. O Que na verdade explica muitas coisas da série.
– Amo o mistério dos esqueletos na caverna e com essa nova aparição, acho que podemos assumir que até o final ele será 100% respondido. Alguém aí tem teorias? Rose e Bernard, como vistos no finale da temporada passada, parecem a opção mais provável, entretanto aquela coisa que o Hurley falou sobre eles serem eles mesmo do passado não parece ser algo solto.
– Claire completamente pirada já valeria a temporada toda, mas a sua amizade com o MIB explodiu a minha cabeça, mesmo sendo previsível. Imaginem só as possibilidades…















