Mike Ross está de volta!

Suits retorna para sua quarta temporada, ocupando seu lugar habitual de série-secundária-favorita-de todo-mundo. Com seu drama jurídico repleto de elementos cômicos e referências culturais (cinematográficas e esportivas, sobretudo) e sua dinâmica quase novelesca nos ganchos e twists que cria, Suits oferece uma narrativa leve, com personagens consolidados e atraentes e que se consolidou como grande atração dos períodos de summer season.

É bem verdade que na temporada anterior, a série deu diversas patinadas, como resultado da adoção de certas mudanças em relação às duas primeiras. A principal destas mudanças foi abrir mão da utilização de ”casos da semana” (os quais apresentavam por diversas vezes dinâmicas envolvendo questões civis ou criminais de “cidadãos comuns”), centrando totalmente a temporada em um desinteressante arco narrativo: o caso Lady Stark Ava Hessington e a acusação de suborno e tentativa de assassinato por sua firma petroleira.  Isto redundou em uma temporada mais pesada, voltada quase que exclusivamente para as questões corporativas e as brigas do mundo dos “ternos” (a que o titulo faz referência).

Assim, Suits se afastou um pouco das suas origens e o que salvou o final da temporada foi exatamente o abandono do arco Hessington e o plot do cerco contra Mike, que fez a série optar por finalizar a temporada, com a sua saída da Pearson Specter (a partir da constatação do personagem de que sua almejada ascensão no mundo do direito seria insustentável com seu teto de vidro diploma falso). Uma cartada louvável que fez-nos vislumbrar uma oxigenação na trama, abrindo novas perspectivas para os personagens: Mike trabalhando no ramo financeiro; sua nova relação com Harvey, sem lhe estar subordinado; Harvey finalmente com o nome na porta e com suas brigas com Jessica cessadas; Rachel ingressando na faculdade e ocupando o papel de Mike na firma; a divisão da dinâmica da trama em duas firmas [The Good Wife mandou lembranças, by the way!]

Desta forma, então, chegamos a este retorno para observar o quanto que estas novas perspectivas se concretizarão. Esta premiere assenta as novas posições dos personagens, ao mesmo tempo em que parece confirmar que novamente adotará um arco central único e foco exclusivo no jogo corporativo.

Mike procura se afirmar na Sidwell Investment Group, trabalhando na aquisição das ações de uma firma de reprodução e distribuição de DVDs. A trama nos mostra que o idealismo do rapaz continua a toda, já que ele procura soluções para a aquisição que mantenham o máximo possível dos empregos. Este idealismo continua entrando em choque com o sangue-nos-olhos de seu patrão (agora, Jonathan Sidwell). Neste processo de aquisição, Mike conta com Harvey para representá-lo, colocando ambos em uma nova relação de forças (cliente-advogado). Porém, inevitavelmente, os conflitos surgem: não apenas porque Harvey naturalmente resistir a abandonar o tom professoral ao lidar com seu pupilo, como também porque chega na parada Logan Sanders, um dos principais clientes da Pearson Specter.

Logan tem uma personalidade impulsiva e fome de glória. Para isso, ele deseja uma aquisição hostil, sobretudo por demonstração de força e orgulho. Harvey se vê obrigado a buscar um caminho conciliatório para o dilema de ter que atender os anseios de Mike e de Logan. A história ainda vai render mais, especialmente porque Rachel revela que o homem casado com quem se envolveu (fato revelado a Mike na temporada passada) é justamente Logan Sanders! Pois é, pois é. Esse twist beeeem aleatório entra na conta de drama romântico que a história precisa manter, além de evidentemente acirrar os ânimos na disputa pela firma de Walter Gillis, bem como trabalhar a posição delicada de Rachel ao ter seu ex-affair como cliente.

Confesso que toda essa história me pareceu um tanto desinteressante. Não posso dizer o mesmo do novo plot de Jessica. Em quatro temporadas, continua me impressionando a ousadia de Suits em representar uma mulher negra, empoderada, dona de si e grande jogadora no mundo dos grandes. Jessica Pearson, porém, até aqui praticamente foi abordada apenas em seu aspecto profissional. A vida pessoal ficou restrita ao plot com seu ex-marido. Mas aqui vemos a vida sexual de Jessica em foco – e com direito à tentativa de nos enganar, com a sugestão de um intercurso entre Jessica e Harvey… hahaha

Mas na verdade, Jessica prefere o chocolate preto. Mais especificamente, Jeff Malone, funcionário da Comissão de Valores Mobiliários (que regula o mercado de ações), o qual além esquentar a cama de Jessica, adentra na Pearson Specter avisando uma problemática para vender a “solucionática”. Malone alerta que a Comissão “is coming” para investigar os clientes da firma e oferece seus préstimos como profissional entendido nos paranauês da dita Comissão.

Aqui tivemos a boa e típica tensão entre pessoal X profissional que acomete as personagens femininas bem-sucedidas da dramaturgia televisiva: após dar ouvidos aos conselhos de Harvey, Jessica (como esperado) prioriza o que lhe é mais importante – a firma – contratando Malone e pondo fim ao affair, de acordo com sua política de não misturar as estações. Parou por aqui a tensão entre eles? Eu poderia apostar que não.

Certas coisas nunca mudam. A insegura autoconfiança de Louis Litt é uma delas. Obteve a informação sobre a Comissão de Valores Mobiliários, mas (junto com sua fiel e aloprada escudeira Katrina) decidiu ocultá-la, baseada no “conselho” babaca de Harvey de que não se deve ligar para a garota bonita. Com isso, Louis mais uma vez fica em segundo plano e terá que adiar seu sonho de ter o nome na porta. Terá ainda que conviver com Malone.

No mais, resta Donna- sempre afiadíssima e certeira. Ah, outro ponto para glorificar de pé comemorar é a plena ausência de Scootie (outro ponto negativo da temporada passada). Que continue assim!

O retorno de Suits pode ser descrito como correto apenas, sem comprometer nem empolgar. Temos as mencionadas adições ao elenco e novos e velhos conflitos entre os personagens. Veremos o que a turma da Pearson Specter (e do Sidwell Group) tem a nos oferecer!

PS 1: Não tem jeito. Logan, para mim, só tem um… e atende pela alcunha de Wolverine =P

PS 2: Em duas cenas (incluindo a que ela sai de toalha do banheiro), deu para sentir que Meghan Markle está absolutamente em forma e magérrima (mesmo em relação a temporadas anteriores). Que saúde!

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