Memórias de um futuro promissor.
E eis que voltamos a Litchfield antes de Piper! O curioso de Looks Blue, Tastes Red (“É azul, mas tem gosto de vermelho”) é que, pela primeira vez, fomos guiados por um episódio que não contou absolutamente nenhuma história com conexão direta com a nossa protagonista e com suas percepções a respeito das detentas que ganharam o foco. No caso, a prisioneira da vez foi Taystee, personagem que caiu no gosto do público e foi promovida ao elenco fixo nesta temporada.
Também pudera. O carisma que Danielle Brooks empresta à rechonchuda colega de Piper é imensurável, e conhecer um pouco mais sobre o passado da personagem apenas reforçou essa característica. Descobrimos que Taystee ganhou o apelido de uma espécie de mãe adotiva inicialmente renegada pela própria garota por ser uma poderosa gestora do tráfico local.
A fórmula é relativamente manjada, e já foi usada na temporada passada com a personagem Janae Watson e seu passado como atleta. O problema é que a ideia é poderosa e funciona. Taystee, obviamente, passou muito longe das pistas de corrida, mas tem uma história bastante semelhante. Dentro da realidade de sua vizinhança, a menina era um prodígio para os negócios. Mas, assim como a citada corredora, é a falta de oportunidade que faz com que a personagem viva um dilema e acabe, no fim das contas, despindo-se de moralidade e dos próprios sonhos de construir uma carreira e entregando-se à vida criminosa. E, dadas as circunstâncias, é difícil dizer que Taystee fez uma escolha errada quando nos deparamos com a cena em que a moça vislumbra o momento mais próximo da realização do seu sonho de vida: fazer parte de uma família feliz.
Na prisão, dialogando com o foco dos flashbacks da personagem, um evento para orientar as detentas na busca por emprego após o fim da pena. Fico pensando até que ponto esse roteiro foi encomendado pela Phillip Morris, uma clara patrocinadora, e até que ponto houve liberdade criativa para as cenas que envolveram diálogos sobre a empresa. Mas até que achei o resultado bastante satisfatório, com a propaganda sendo inserida de forma bastante orgânica ao longo da trama.
A ideia aqui foi enfatizar o potencial de Taystee, que acabou sendo a selecionada para a fictícia vaga de emprego, mas acabamos ganhando um belíssimo bônus: o sem número de pérolas na cena da orientação vocacional. Crazy Eyes, maravilhosa, mostra suas qualificações para trabalhar com crianças com deficiência intelectual, enquanto Poussey explica que tem vocação para um trabalho em que ela pode ficar numa boa, só coletando o pagamento, preferencialmente na praia e cercada de gente sarada (a pergunta é: quem não?).
Particularmente, adoro a chefona bitch Natalie Figueroa, uma das poucas personagens que a série faz questão de manter sem o mínimo vislumbre de humanidade. O momento em que ela esculacha Taystee apenas para encarar aqueles olhinhos de cachorrinho perdido e decidir “Ok, você ganhou US$ 10 de crédito” como alguém que dá uma moedinha para se livrar logo de um pedinte é impagável para uma personagem desse tipo.
Em meio a tudo isso, há três pequenos arcos que ganham algum desenvolvimento: o isolamento de Red, relegada ao grupo das velhinhas de 23 anos após perder todo o poder que tinha na prisão, o retorno triunfal de Pennsatucky, toda feliz porque finalmente vai ganhar uma recauchutada nos lindos dentinhos depois de chantagear Healy, e, por fim, a instabilidade emocional de Larry depois do fim do relacionamento com Piper.
Essa última história foi a única que me chateou um pouco, porque a insinuação de interesse sexual de Larry por Polly pode transformar ambos em personagens desnecessariamente odiados e, poxa vida, tem muita gente no mercado! Não precisa juntar esses dois, não é verdade? Espero que tenha sido apenas um momento desconfortável para Larry e que isso não renda. Ao menos tivemos um sério candidato a diálogo mais divertidamente bizarro entre pai e filho que a TV já viu, depois de o ex-sogro de Piper ter aproveitado uma promoção do Groupon para levar o rebento para relaxar numa sauna… gay.
Looks Blue, Tastes Red só não pode ser chamado de filler em razão de pequenos detalhes, em especial o final, que revela que a “mãe” de Taystee é uma das novatas na prisão. Mas, apesar de o mais interessante da série ser acompanhar a história de Piper (até por identificação do público com o perfil da protagonista), ele prova, acima de tudo, que há detentas em Litchfield capazes de sustentar sozinhas um episódio inteiro. Taystee é dessas, e é apenas poético que a “música-tema” escolhida para a personagem seja a balada hit de Christina Aguilera que brada “I am beautiful no matter what they say”. Sim, Taystee, e os fãs de OITNB nunca tiveram nenhuma dúvida disso.
P.S. – Para os fãs do elenco de OITNB, o episódio de “Hollywood Game Night” desta semana (2×16) contou com um time temático da série: Laura Prepon, Jason Biggs e Natasha Lyonne. Do outro lado, só pra constar, estavam Mario Lopez e Darren Cris. Taryn Manning, nossa caipira louca, também já participou do show no episódio 2×06. O único porém é que não há legenda disponível, mas o programa é bem divertidinho.
Próxima review: 2×03: Hugs Can Be Deceiving – 11/6















![[Exclusivo] As séries mais maratonadas por brasileiros, segundo o Tv Time (02 Set – 09 Set)](https://seriemaniacos.tv/wp-content/uploads/2019/09/Elite-218x150.jpeg)