O que fazer com o season finale, quando o ápice da série foi no penúltimo episódio?

A resposta no caso de From Dusk Till Dawn é bem simples, enrolar bastante até chegar aos últimos dez minutos, para só então, começar a fechar pontas e preparar o terreno para uma segunda temporada.  Tudo havia sido preparado para finalizar a série, por isso, esse final, realmente pode ser encarado com um ponto que fecha todas as tramas levantadas. Pouco, ou quase nada, ficou em aberto, de forma a não fazer falta caso não existisse a renovação.

Minha maior preocupação era a série não conseguir elevar a tensão o suficiente. Com apenas 10 episódios é um pouco complicado deixar seu momento de maior tensão para o penúltimo episódio e não estamos encarando uma Game of Thrones, com um núcleo gigantesco que justifica deixar o finale exclusivamente para abrir portas. A verdade é que o confronto entre os Gecko e Carlos poderia ter sido bem melhor, se não fossem os incansáveis monólogos e discursos que tivemos que aguentar até lá.

Scott, que só precisava fazer uma coisa, não ser um clichê, foi. Garoto, você tinha um trabalho, só um. Infelizmente o lance de dubiedade entre o filho adotado que não pertence (apesar de nunca ter demonstrando essa faceta antes) e que quer transformar todo mundo para “vamos viver juntos para sempre” era esperado. Logo, eu não vejo muitos pontos positivos. Matar o Jacob é interessante para a Kate, mas acabou sendo um tanto anticlimático. Para encontrar o céu o cara precisou chegar ao inferno, e é uma linda poesia, agora, para reunir sua família o cara precisou morrer e ninguém termina junto? Pobre Jacob. Mas gostei muito da sua fala final com a Kate, é provável que a família nunca se reúna no tão almejado paraíso e isso deve promover nossa personagem para um nível sentimental menos choroso e mais realista, nuance que ela já possuía desde o começo da série. Sendo assim, consigo ver que essa morte, apesar de ruim para o personagem, foi boa para nós.

Fica também um pouco estranho toda essa conclusão, porque desprezaram completamente o vampicobra adolescente. Os adoradores de Santanico morrem em seu momento overdose de santo Daime, após o fim da maldição que a aprisionava, nossa deusa cobra pega Richie e vai pros Estados Unidos comprar eletrônicos e pequena Kate decide viver sua vida bandida com Seth. Mas e o Scott Bruce Lee? Nada. Tudo bem, sabemos que existiam lá outros vampiros, que o Carlos está passando pelo labirinto para sair de lá alguém menos amargo e sem dor de corno, mas podíamos pelo menos ter um vislumbre do rapaz, né? Mas isso nem chega a ser uma reclamação. A série poderia ter dedicado um tempo maior a deixar as expectativas para a segunda temporada mais afiadas? Podia. Podia ter perdido menos tempo com monólogos?Podia. Agora dar importância para o Scott é a minha última preocupação, pra ser sincero. É só para não deixar passar batido, mesmo.

Outro que acabou me decepcionando muito foi o ranger Gonzalez. Sua visão justifica sua saída, mas eu ainda queria mais do personagem, que foi completamente desprezível depois que chegou à pirâmide. Não conseguiu passar verdade em suas motivações e terminou como guarda-costas. Seu último suspiro na série foi o de rendição. Acho melhor nem ter mais do personagem na segunda temporada, deixem-no feliz com a família e longe de seu pesadelo com a filha e para mim isso terá sido o suficiente. Só vai ficar complicado engolir uma volta, isso vai.

Se formos levar bem em consideração, perdemos só nesse final 3 personagens, sendo que dois morreram. Sex Machine que eu gostava tanto acabou traíra, Jacob morreu vampicobra (mas não virou pó) e Gonzalez não morreu, mas não terá sentido nenhum trazê-lo para o ano dois. Ou seja, era para esse último episódio ter sido completamente emocional, passando da raiva a despedida, mas não foi. Foram mortes e saídas completamente compreensíveis para o roteiro, mas não passaram muito do sentimento de adeus que eu julgo necessário.

É nesse momento que volto ao meu maior problema com ‘The Take’, muito papo e pouca ação. É preciso saber como inserir os diálogos sem deixar tudo arrastado. Era monólogo comendo solto em todos os núcleos. Só lá no final que decidiram aumentar o ritmo. Não é de todo ruim, mas com certeza não era isso o que eu esperava, até porque, no momento em que temos uma alucinação no episódio anterior digna de um filme a lá ‘Onze Homens e um Segredo’, nossa última impressão é a de uma série de discursos intermináveis e em alguns pontos bem entediantes. Santanico e Seth não tiveram química nenhuma e nem mesmo a transformação da moça em morcega/cobra (oi?) foi suficiente, elevou a carga dramática, mas o papo sopa de chuchu não conseguiu manter o nível. Richie matou pai? Beleza, agora vamos falar do dinheiro.

De toda forma, nos minutos finas da série eu decidi se voltaria para um segundo ano ou não. E também passei toda a concepção dessa review ponderando quanto ao assunto. O resultado é que voltarei. Vou sim dar mais uma chance para From Dusk Till Dawn, que por alguns episódios soube muito bem como me prender e como me entreter. Outro ponto válido é saber que poucos episódios me cansam menos do que uma temporada com 22. Logo, se você assim como eu, passou por alguns momentos de dúvida, fica aqui o conselho: Essa é uma série que vale a pena continuar acompanhando, especialmente quando levamos em consideração que esse último episódio fecha completamente a carga comparativa entre filme e seriado. Veni vidi vici!

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