Jack Bauer e a arte de ser feito de otário.

Confiança é algo que algumas pessoas demoram a conquistar e outras a tem nos primeiros minutos. É a arte de permitir que uma pessoa passe por suas barreiras e conheça seu verdadeiro eu e neste momento a pessoa arrisca-se a ter uma relação de eterna cumplicidade ou um prejuízo incalculável. Grandes danos já foram feitos por quebra de confiança e a reação natural da pessoa ao ser traída é ficar muito mais atenta antes de confiar em outra pessoa novamente.

E foi justamente isso que me fez sentir raiva pelo Jack. Eu achava que ele tivesse aprendido a lição de nunca contar com a ajuda dos presidentes dos Estados Unidos. À exceção dos Palmers, Jack só sofreu na mão dos mandatários americanos e dessa vez não é diferente. Confesso que fiquei decepcionado com a atitude do Heller em, até agora, nos momentos em que Jack precisou dele, que estava se arriscado para salvar as pessoas que o presidente jurou proteger, não fez nada para ajudá-lo, pelo contrário, quase o matou com o cerco dos soldados à embaixada americana e depois simplesmente negou a permitir que Jack resolvesse o conflito que ele mesmo gerou, graças à sua má assessoria que escondeu as informações dos civis mortos nos ataques dos drones ao Iêmen.

De prima eu até aceitei. Entendi que um conflito com os russos seria a pior escolha possível, mas em um mundo em que o Putin não tá nem ai pra ninguém e invadiu a Criméia o que seria os Estados Unidos permitir que seu agente resolvesse uma crise que poderia destruir a Inglaterra e colocar os Estados Unidos em rota de colisão com todo o restante do planeta? Eu tinha gostado de Heller como presidente, mas começo a temê-lo. Não que isso significa que não goste da atuação do William Devane, pelo contrário, acho o ator excelente e o personagem bem construído, essa é aquela raiva boa que sentimos em qualquer série onde há personagens tapados o suficiente para não enxergarem um palmo á frente.

Com Jack livre da prisão temporariamente finalmente tivemos o encontro entre ele e Audrey e adorei a maneira como abordaram o tema. Achei que eles fossem guardar mais para o final, que fariam um drama, beijos, aquela coisa mexicana de ser, mas me enganei. O encontro foi marcante, dramático, simples e sem beijos e exageros. Algo seco, real, condizente com a personalidade dos personagens principalmente com o Jack. Adorei o lance do encostar de testas, a preocupação do Jack e a lamentação da Audrey por tudo o que aconteceu. O amor entre os dois é genuíno e ver o que eu vi meio que me fez abandonar qualquer lance entre a Kate e o Jack. Por sinal boa parceria dela com a Chloe não acharam? As duas são determinadas, inteligentes, astutas e corajosas e enquanto uma tem agilidade, força e coragem a outra tem inteligência, nerdice e uma conexão 20 teras para fazer o que quiser com o planeta. Conclusão: enquanto toda a CIA vai para uma armadilha imbecil que até uma criança de 5 anos sabia, as duas vão desvendando todas as peças do jogo uma por uma.

E enquanto isso em Winterfell a Catelyn continua chutando os traseiros da galera. A personagem está me surpreendendo bastante, mostrando que não há limites para que realizasse seus objetivos e finalmente o Naveed morreu, sem ter conseguido fazer nada do que queria. Mas também é um jumento não acham? O cara vai se meter com a filha de uma das maiores terroristas do planeta e acha que tá de boa na lagoa? Pela Santa Fé, o cara é no mínimo negligente demais em fazer tudo isso, achar que iria embora e poderia ficar tranquilão como se tivesse saído de um emprego num supermercado! Mereceu morrer! Agora sem ele na jogada como será que teremos o andamento dessa família? O encontro de Jack com elas se aproxima e fico imaginando se algo vai acontecer ou se será apenas uma resolução simples e sem grandes surpresas. 24 horas tende a nos surpreender como fez no próprio episódio com a reviravolta no vídeo e localização dos terroristas, vamos ver o que eles tem em mente.

Por enquanto o que posso reclamar da série são os novos personagens. Só a Yvonne Strahovski se salva nessa lista, porque do restante só lamentos. Destaque negativo vai para o agente Erik que acompanha a Kate nas missões. Não faz nada, só reclama, só coloca empecilhos, um total imprestável e invejoso. Não duvido nada que tenha ido pros ares com o ataque dos drones…

Fora isso a série é só alegria. Com um ritmo acelerado, reviravoltas a todo o momento e quase metade da temporada, 24 horas mostra que o novo formato está muito bom, a trama empolga e pelo visto essa temporada não será a última.

Sobre o formato da série: como foi bem observado nos comentários semana passada, a temporada tem 12 episódios, diz que vai abordar um dia inteiro, mas até agora as horas se passaram em tempo integral uma seguida da outra. Vão ter uma pausa de algumas horas para dormirem? Ainda estou confuso…

Ryan Chapelle, o retorno: quando vi o chefe da CIA saindo para a missão já vi que não ia dar certo. Líderes quando saem da base da UCT, CIA, enfim, são para morrer. Mas será que morreu mesmo?

Saudades dos antigos personagens: Kim Bauer podia dar as caras né? Até mesmo o Tony Almeida. Sei lá, dessas caras novas só gostei da Kate mesmo.

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