Water never forgets.
Olhando a 11ª temporada de NCIS em perspectiva, podemos dizer que vivemos nos últimos 24 episódios momentos de despedida.
Começamos dizendo adeus a Cote De Pablo e sua icônica Ziva David. E agora, em Honor Thy Father, colocamos o nome de Ralph Waite – que faleceu no dia 13 de fevereiro deste ano, aos 85 anos -, que tanto brilho trouxe a Jackson Gibbs, em nossos corações, para que nunca seja esquecido. E, por mais que o episódio tenha ampliado sua trama, trazendo fechamento para algumas storylines passadas, não há como deixar passar a afirmação que essa foi uma homenagem mais que digna ao ator. Nunca esqueceremos, assim como as águas nunca esquecem.
Aliás, a frase inicial dessa review faz parte de uma citação feita flashback pela mãe de Gibbs que, emocionada, recebeu uma miniatura de um barco com seu apelido: Chickadee. Essa cena funcionou como uma alegoria perfeita para o real significado do episódio e o modo que ele imortalizará Jackson e seu intérprete.
Mas esse episódio não falou apenas de memórias, mas de honra ao pai e seu legado. E nada melhor para isso do que ver o gesto de salvação feito por Jackson a Cal Frazier ser estendido por Gibbs.
Cal era um rapaz que caminhava a passos largos para um caminho incerto. Jackson não só lhe ofereceu uma oportunidade de emprego no mercadinho, mas uma escolha. Ele podia se revoltar com sua situação e “justificar” através de seus caminhos, ou buscar algo melhor. Tomou a estrada que se abriu diante de si e entendeu. Mais do que isso, criou um laço com Jackson. Estava lá quando ele sofreu o derrame.
Gibbs entendeu o que seu pai fez por Cal e quis honrá-lo através disso. Confesso que não esperava nada menos de Gibbs do que entregar as chaves para o rapaz. E, nem por isso, deixei de me emocionar. Vimos um legado ser continuado: tanto pela mão que continuou estendida para Cal – dessa vez a mão de Gibbs –, impulsionando-o a continuar, como pela manutenção do pequeno negócio com uma pessoa que Jackson confiava. Não sei se seria a mesma coisa se o mercado fosse vendido para qualquer outra pessoa, alguém que não entendesse o que aquele empreendimento significava para Jackson e sua família. Portanto, foi a melhor decisão para mim.
Mas não era apenas Gibbs que honrava o nome do pai. Honor Thy Father resgatou uma storyline das temporadas 7 e 8 da série, quando vimos a trama do incêndio no U.S.S. Niagra e a captura de Levison no início do episódio ser parte de um plano para que Alejandro Rivera completasse a missão de matar Gibbs. Para aqueles que não lembram (embora o episódio tenha sido eficaz em refrescar-nos a memória), Alejandro e sua irmã Paloma eram chefes do Cartel Reynosa do México, e filhos do homem que assassinou a família de Gibbs e por ele foi executado. Também não podemos esquecer que o roteiro fez conexão com a organização Brotherhood of Doubt, que era comandada por Benham Parsa: o assassino pago por Rivera era o segundo em comando.
A cena mais icônica dessa storyline, no entanto, foi a conversa entre Gibbs e Alejandro. É comum que olhemos para a dor causada a Gibbs pela perda de sua mulher e filha. No entanto, não podemos esquecer que a morte infligida em vingança por ele trouxe consequências para uma outra família – Alejandro e Paloma. Claro que os irmãos Rivera poderiam ter tomado outro caminho (e aqui a conexão com Cal é inevitável, justamente pelo oposto). No entanto, o discurso de Alejandro mostrou mais semelhanças que diferenças com as razões que levaram Gibbs à justiça com as próprias mãos. Ele deseja honrar o pai com o sangue daquele que lhe tirou a vida.
Se pensarmos no atual contexto, onde estamos tomados por notícias e discussões desse calibre, Honor Thy Father traz uma reflexão interessante. E, se condenamos Alejandro pelo desejo de sangue, não podemos esquecer que Gibbs teve êxito em crime semelhante. Vale até para que não esqueçamos que o “herói” dessa história também tem os seus defeitos.
E, por conhecermos Gibbs tão bem quanto Vance que a atitude dele em forçar a equipe a não contar sobre a investigação do USS Niagra me pareceu a mais acertada de todas nesse episódio. Era fato que o chefe da equipe voltaria no instante que soubesse de algo relevante (tanto é que foi o que aconteceu), e apenas uma pessoa que passou por luto recente como Leon Vance para forçar a barra em fazer Gibbs se concentrar no luto e na cerimônia de Jackson. Uma pena que o Diretor teve de ouvir voltar para si o que acabou fazendo a morte de Jackie. Entretanto, sua postura em não recuar ou se arrepender da decisão tomada só me fez admirar Leon um pouco mais. Ele honrou a amizade com Gibbs e a memória de Jackson.
Claro que não posso deixar de mencionar a cena da cerimônia de Jackson, que premiou uma season finale redonda e emocionante. O coração certamente bateu mais rápido quando entregaram a bandeira dobrada dos EUA a Gibbs e o som de Keep me in your heart, de Warren Zevon, deu o tom da sequência e alimentou as lágrimas que derramamos ao assisti-la. A homenagem não poderia ser melhor. Certamente Rahph Waite viverá para sempre na memória de todos os fãs da série.
E é com essa linda homenagem que terminamos essa 11ª temporada de NCIS. Desde já quero agradecer muito a todos que leram e todos os comentários que recebi. E, claro, pelo espaço que recebi no Série Maníacos.
E àqueles que continuarem segue meu convite para que possamos nos ver temporada que vem!
















