E se seu filho tivesse dois corpos?
Agora é inegável: Parks and Recreation está preparando o território para seu encerramento. Meu coração de fã gostaria de ter doses semanais da série ainda por muitos anos, principalmente depois da recuperada notável de qualidade dessa sexta temporada. Mas admitamos: passar mais de 7 anos vinculado a um projeto da TV aberta não deve ser fácil, afinal agenda, vida pessoal e ambições profissionais passam a se tornar cada vez mais sensíveis ao compromisso prolongado e, assim, o momento da despedida final se torna cada vez mais próxima. E é com um aperto no peito que eu assisti Prom, Flu Season 2 e One in 8000, porque a gravidez de Leslie, o ajuste de Ron à vida em família, a entrega de Donna a um relacionamento mais calmo e a concretização do Bristô de Tom representam desenvolvimentos de personagens definitivos e não mais transitórios como era o caso há um ou dois anos.
Nas duas últimas semanas, nós tivemos duas propostas diferentes, no entanto a gravidez de Knope foi o verdadeiro fio condutor da narrativa e, diante dessa continuidade, vale analisar os dois episódios em conjunto. O primeiro elemento que me chamou atenção foi a melhor integração de Craig ao universo de Pawnee. Não sei vocês, mas, desde que ele apareceu pela primeira vez lá no inicio da temporada, eu consigo enxergá-lo somente como um indivíduo MUITO exagerado. Agora, no entanto, eu, pelo menos, consegui criar um vínculo, mesmo que pequeno com ele. O esforço dele em tentar conseguir o emprego no Bristô e a tentativa (hilária e parcialmente falha) de não explodir de Tom, April e Donna fizeram com que minha irritação quanto ao personagem reduzisse muito. Comprovação disso: na cena final do 6×20, quando ele tem uma crise por todos roubarem o brilho de seu sucesso, eu ri ao invés de ficar contando os segundos pro momento acabar.
Quem teve a chance de provar ser a imperatriz do universo novamente foi Donna. Depois de ajudar April a tocar o terror no evento de vinhos (um deslumbre completo os olhares naturais de deleite e espanto de Retta na cena em que nossa creepy psicopata faz seu discurso humilhando o mercado de vinhos), tivemos a oportunidade de conhecer um pouco mais de sua vida pessoal e aí sim Donna brilhou muito como um diamante #vergonhadefazeressetrocadilho Quando ela barganhou com Ron para que ele ajudasse-a a manter Joe longe dela invocando o fenômeno cão-infernal-demoníaco Tammy, eu esperava algo surreal, no entanto o que vimos foi um rapaz legal, solícito e que realmente pensa no melhor dos outros. E somente então me lembrei do perfil aventureiro de Donna e sua explicação para o esforço de se manter distante dele fez sentido. Mas Ron “Fucking” Swanson deu um belo conselho e lá tivemos a cena mais destruidora dos últimos episódios: Donna esbanjando erotismo, acidez e sedução sobre vestir “aquela coisa vermelha” a que Joe se referiu <33
Já que citei o concorrente a papai do ano, claro que não posso deixar de destacar Ron Swanson que enfrentou um dos crescimentos mais intensos, sensíveis e sutis dessa temporada. Esse foi o ano de sua humanização: lá na season premiere, vimos um lado doce de Mr. Swanson que não tínhamos visto de forma tão exposta até então e, depois do nascimento de seu filho, as mudanças em sua personalidade ficaram ainda mais evidentes. Prova maior disso foi o fato de ele não querer saber sobre os problemas pessoais de Ben e, mesmo assim, não expulsá-lo de sua frente, mas sim fazê-lo beber e permanecer a seu lado. Mas nada me preparou para a alta concentração de sorrisos de Mr. Swanson em One in 8000 e, mais: ele usando coroa afogada em glitter, sendo cupido e sorrindo depois de Donna dizer que ele mudou, que a vida em família o transformou e que isso ficava bem nele. Não sei vocês, mas eu concordo com a Profeta de Pawnee.
April, Tom e Jerry/Larry tiveram participações menos significativas, mas não deixaram de criar bons momentos. Meus favoritos foram Larry preso numa tenda microscópica de quarentena no escritório do Departamento de Parques e Recreações proibido de fazer qualquer coisa, totalmente isolado e ainda assim sendo o culpado por um vômito de Leslie. April fazendo a dócil, doce e preocupada enquanto achava que Jerry estava morrendo, chegando ao ponto de coçar as costas dele (MELDELS, que cena perturbadora). E Tom já entrou em Flu Season 2 inspirado e mostrando sua admiração por quem consegue convencer as pessoas a comprar coisas caras que elas não precisam. E, diante da menor participação desse trio, quem ganhou espaço novamente foi Andy que novamente estava afiadíssimo em seu humor físico e ingênuo. Chris Pratt pode ter passado boa parte da temporada afastado, mas os últimos episódios estão sendo um verdadeiro deslumbre de atuação do rapaz.
E, por último, MEU POVO, TODO MUNDO GLORIFICA A GRAVIDEZ DE LESLIE KNOPE e ainda mais a minha burrice por não ter percebido que o enjoo dela era indicativo disso e não de gripe. Mas não tenho como descrever adequadamente a minha felicidade em ver Leslie assustada, empolgada e emocionada com sua gravidez: e sua alegria genuína em saber que seria mãe de trigêmeos. Sério, tudo nesse plot foi tão a cara de nossa protagonista que, daqui até o parto, eu ficarei com o coração na mão com medo de que a série venha a montar um series finale (acredito que a 7ª será a última temporada) melancólico. Claro que essa trama foi recheado de humor e o destaque maximus vai para Ben que, ao saber que o médico ouvia duas batidas de coração na ultrassom de Knope, disse: “O bebê tem dois corpos?”. Sério, vem cá e me conta: tem como não adorar a mente nerd-alienígena-distorcida de Ben?
E agora nos resta esperar o season finale duplo para saber como esse emaranhado de plots irão se desenrolar. Temos a questão da oferta de emprego de Chigado, a gravidez, o Festival da Unidade, o Bristô de Tom, possivelmente uma homenagem a Li’l Sebastian e quem sabe DUKE SILVER!!! Minhas expectativas são positivas e torço para que tudo dê certo e a temporada seja encerrada em alta, coroando a recuperação desta que voltou a ser a melhor comédia da NBC.
P.S.: Alguém me explica aquele resto de ser humano chamado Chipp McCapp?! Aliás, eu já procurei na internet toda e a NBC não liberou o clip das músicas dele para que os fãs pudessem apreciar mais alguns segundos desse gênio musical country que coloca o exército estadunidense em todas as letras de suas ~canções~.
P.S.: Andy escrevendo no corpo tudo o que ele não pode esquecer.
P.S: Ben bêbado encontrando o outro Ron e torrando o cheque com o dinheiro que ele iria gostar muito de não ter queimado horas depois.















