Fim do prólogo recheado de loucura e reviravoltas.
Após acabar de assistir esta primeira temporada, posso afirmar sem medo de errar que Helix é a série americana mais bizarra em andamento e é nesta a característica, onde reside seus maiores acertos e conquista e cativa seus fãs. Fico especialmente satisfeito ao constatar que a história contada até aqui é tão somente a ponta do iceberg e serve meramente de introdução para os eventos que se seguirão (e ainda mais satisfeito pelo anúncio da renovação, antes mesmo deste episódio ir ao ar).
Muitos personagens entraram, ganharam relevância e se foram, demonstrando que o cenário sempre foi muito mais importante que seus atores. Prova disto é a dificuldades em sabermos quem são os verdadeiros protagonistas do show, afinal Alan, Julia e Hatake têm a sua dose de importância, mas são insignificantes mediante a grandeza da mitologia apresentada. Eu volto a afirma que, se existe um astro da série, é o próprio vírus Narvik, pois sem ele, não teríamos motivo algum para acompanhar a história.
E, sendo assim, nosso astro não poderia ficar confinado às geleiras do Ártico, ao invés de transformar os pobres humanos globais em bubbaloos ambulantes, como genialmente comentou nosso leitor Danilo, na última review. E as primeiras cobaias foram os porto-riquenhos (salvo engano), ao mesmo tempo em que todos tentavam destruir a – teórica – última amostra do Narvik guardadas a sete chaves nos porões do complexo. Irônico imaginar que eles lutaram tanto para destruir a matriz do vírus, que já estava em poder da Ilaria há tanto tempo… Existe, evidentemente a Narvik-B, mas este era um projeto pessoal de conhecimento único do Dr. Hiroshi e nem fazia parte do escopo inicial de seu “contrato de produção”.
A minha grande decepção, aliás, foi o próprio Dr. Hiroshi, que iniciou como um belo vilão canastrão e maquiavélico, acima do bem e do mal e encerrou apoiado nas péssimas atuações dramáticas de Sanada. Hatake, desde o primeiro episódio, foi o meu personagem favorito e me conquistou com o seu estilo Dr. Gory (spectroman) de ser e a revelação que ele ficou trabalhando 30 anos para desenvolver o vírus e a cura, por causa da chantagem da sua mulher estar em poder da Ilaria é extremamente pobre; especialmente para um homem de mais de 500 anos de idade.
Balleseros, por outro lado, me surpreendeu positivamente ao revelar que suas intenções divergiam tanto da Artic, quanto da Ilaria e conseguiu justificar boa parte do seu comportamento sentimental em relação os tri gêmeos (nos seus diversos níveis). Há de se imaginar que o seu resgate em meados da temporada, seria providenciado por seus parceiros rastreadores dos meninos sequestrados e não pela própria Ilaria, como parecia ser óbvio. As intenções deste terceiro grupo passa a ser mais um enigma para a segunda temporada…
Sem maiores delongas, vamos para os cinco minutos finais, que coroaram a persistência de todos aqueles que se dispuseram a assistir Helix, onde Peter liberta o Foice, revelando ser seu aliado e parceiro nos planos de (pasmem!) dominar o mundo. Já que Blake, sua última “foicete” viva já havia morrido nas negociações de sua troca por Jane, resta somente ao Justin Silver-Eyes Bieber explodir tudo com o verdadeiro detonador, que sempre esteve com Peter.
Vamos esquecer por um minuto que seria impossível a explosão de um complexo construído sobre o gelo ártico e com mais de 10 andares de profundidade não ter afundado todos num raio de quilômetros e vamos acreditar que sobrou somente a garagem por onde eles sairiam intacta. Mesmo assim, a sequência de loucuras insanas desta reta final foi monstruosa, a começar pela descoberta da gravidez de Sarah, após ter dado somente UMA rapidinha com Alan, uma semana antes. Até entendo que o cientista não tenha levado camisinhas para um ambiente tomado por um surto virótico a lá apocalipse zumbi, mas é de se causar bastante estranheza a doutora não se precaver com nenhum método anticoncepcional.
Jane, que entrou na série somente para justificar as atitudes de Hatake, tem o pescoço cortado pelo Foice, devido à irritação que este ficou ao ser chamado de Spencer e Julia é arrastada para o helicóptero em fuga do garoto imortal. Eis que Alan utiliza seu “gizmo” (nome dado em RPG para um objeto que pode ser qualquer coisa que se queira, a qualquer momento) e o transforma na cabeça de Constance, a arremessa dentro do helicóptero, propiciando à Julia arremessar um dos dois frascos (vírus ou cura). Tudo em vão, pois como vimos, sete meses do futuro, esta mesma Julia será uma diretora bad-ass da Ilaria, que já tinha o vírus e agora tem a pesquisadora que criou a cura.
E foi justamente com este cliffhanger sensacional, que encerramos este capítulo inicial, colocando ex-marido e mulher como antagonistas centrais dos próximos episódios. Resta-nos esperar nove meses para obtermos as inúmeras respostas que ficaram pendentes até aqui. Ano que vem, nos reencontramos.












