Mais um passo rumo ao inevitável e temido confronto.

Seguindo a mesma linha de seu antecessor, o episódio desta semana mais uma vez serviu como base para mostrar um novo passo dado pela Decima Technologies para transformar em realidade aquela que promete ser a maior ameaça já enfrentada pelo Team Machine. E uma vez que impedir as ações capitaneadas pelo velho Greer tem se tornado cada vez mais difíceis, evitar os efeitos colaterais gerados por elas tem sido a única ação ao alcance de Finch, Reese e Cia.

Confirmando as suspeitas levantadas após o final de Root Path, Maria Martinez, cujo nome havia aparecido nas análises da Machine com ameaça igual a 78,24 %, foi logo revelada como sendo realmente o POI da semana. Responsável por complicados projetos de reconstrução em países de 3º mundo, a engenheira acabou tornando-se mais uma vítima indireta dos esforços da Decima para erguer o Samaritan ao tomar conhecimento de informações que poderiam conectar seu chefe ao roubo de seis poderosos geradores originalmente destinados a uma hidrelétrica iraquiana, mas que acabaram desviados para as mãos de Greer. Contudo, apesar do easter egg deixado de um episódio para o outro, infelizmente o caso da semana em si foi, em minha opinião, uma decepção.

Ainda que Allegiance tenha realizado de maneira competente a conexão da trama relacionada à vítima com o plot principal da temporada, a verdade é que o desenvolvimento da história de Maria Martinez em si deixou bastante a desejar, tendo como defeitos principais a previsibilidade de algumas situações e tornando-se até mesmo enfadonha em alguns momentos. A personagem de Martinez não conseguiu despertar grande empatia e, visto que histórias que envolvem uma pessoa lutando para proteger outra pela qual está apaixonada (de preferência secretamente) já estão bastante manjadas, não foi difícil imaginar os acontecimentos subsequentes que ocorreriam no episódio. Além disso, as revelações de Ken Davis e principalmente Christos Sevon como vilões e verdadeiros responsáveis pela tentativa de deportação de Omar Risha também não foram nada surpreendentes, o que terminou por transformar o episódio em uma receita de bolo comum e nada condizente com a maioria das tramas que vemos em POI.

Contudo, uma vez que Allegiance também tinha o compromisso de preparar um pouco mais o terreno para o aguardado final da temporada,  podemos dizer que as perseguições de Root a Greer conseguiram aliviar os problemas exibidos no caso de semana  e nos deixar ainda mais ansiosos para os (temidos) acontecimentos que estão por vir. Além do diálogo entre os dois personagens ter finalmente revelado que a intenção da Decima ao apoderar-se do Samaritan é a de simplesmente controlar a riqueza do momento, a informação (nada de terrorismo), as perseguições mostraram-se um verdadeiro jogo de estratégia, com a Machine usando todos os recursos possíveis para perseguir Greer, enquanto este demonstrou também já possuir diversos expedientes para conseguir se safar antes mesmo de ter o Samaritan completamente a seu dispor, o que certamente indica que não será nada fácil derrotar a Decima quando a criação de Arthur Claypool estiver a todo o vapor. Aliás, conforme dito por Root durante o episódio, a esta altura o chip supercondutor roubado pela equipe de Greer em Root Path já encontra-se reprogramado e sendo reproduzido em larga escala, de forma que a eliminação de Greer seria a última maneira de deter o Samaritan antes que a guerra seja finalmente deflagrada. Será que a Machine tentará novamente?

Observações

– Greer é um adversário muito poderoso e, o que é pior, extremamente perspicaz. Será que não teria seria melhor para o Team Machine se o Samaritan tivesse caído nas mãos de Control e Hersh, não?

– Vocês não acharam que eu iria esquecer de falar do Bear, né? Adorei a ideia de usá-lo na perseguição a Greer, além é claro de mostrar que a Machine também é uma grande estrategista e sabe usar todas os recursos que tem a seu dispor, principalmente um que possui uma das poucas habilidades que ela não tem: o olfato.

– A cena foi feita em forma de piada (ótima, por sinal), mas ao mostrar Bear descobrindo o esconderijo dos biscoitos o roteiro já estava preparando o terreno para a perseguição que aconteceria no final do episódio. Contudo, fiquei incomodado com uma coisa: como é que o Bear sabia qual cheiro deveria seguir? Não foi mais uma mancada do roteiro isso, não?

– Outra coisa: invadir a ONU? Fácil daquele jeito? Com a Shaw jogando coisa pela vidraça como se fosse na casa do vizinho? Menos, né, gente, ficção tem limite!

– O John voando com o cara pela janela também foi meio exagerado. Contudo, visto que pelo menos eles explicaram que essa é uma manobra ensinada na Marinha (denominada Evel Knievel), dessa vez passa, mesmo porque essas estripulias de Reese é o que dão graça ao personagem (e não teve como não rir dessa cena). Aliás, e a cara dele quando percebe que todo mundo está olhando a maluquice que ele fez?

– As interações de Shaw e Lionel ficam cada vez melhores. Aliás, Fusco é o rei das interações, impressionante como o personagem encaixa com qualquer outro que contracene. Mas para quem morria de medo de Shaw depois dela quase fazê-lo se borrar nas calças quando eles se conheceram, até que Lionel está ficando cada vez mais à vontade na presença da ex-agente.

– Interessante ver Greer, chamar Root de Ms. Grooves, assim como Finch. Vilão sim, mas classe acima de tudo, né?

Frases

“Finch, quando chegará nosso Capitão América?” (Shaw para Finch)

“Olá, Harold. Queria falar comigo ou com ela?” (Root para Finch)

“Entro em contato na próxima vez que minha orelha ficar vermelha” (Root para Finch)

“Eu deveria ter roubado um distintivo.” (Shaw para Lionel)

“Olha só. A imunidade não te impede de sangrar.” (Lionel para Christos Sevon)

“Você possui algumas coisas que não lhe pertencem… Dois discos rígidos, um chip supercondutor, e seis geradores. O que significa que ou você planeja colocar o Samaritano online, ou que é o jogador mais ambicioso do mundo.” (Root para Greer)

“Eu nunca me sinto civilizado ao negociar a partir da extremidade de um cano. De qualquer um dos lados.” (Greer para Root)

“Talvez da próxima vez que nos encontrarmos você reconsidere a minha oferta.” (Greer para Root)

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