Momento da verdade…
Em mais um ótimo episódio dessa segunda temporada, Hannibal continua explorando a mente humana. Desta vez a atenção foi voltada, ainda mais, para o Dr. Hannibal Lecter e Will Graham. Acho que, nesse episódio, vimos de maneira mais evidente e forte a real dinâmica desse relacionamento e o que um realmente significa para o outro.
Já disse anteriormente e repito que, a linha que divide Lecter e Graham é muito fina e com esse episódio conseguimos ter a clara dimensão de quão fina ela realmente é ou poderá ser. Lecter realmente admira Will e podemos até mesmo dizer que, da sua maneira, ele o ama. Suas ações estão ali para provar exatamente isso. Afinal, Dr. Lecter nada mais está fazendo, do que tentando proteger o seu “protegido”. Será exagero fazer uma analogia entre Hannibal Lecter e Victor Frankenstein? Afinal, não seria essa a tentativa de Lecter, fazer de Will seu monstro, ou quem sabe reflexo? Quem sabe também, podemos dizer que Hannibal Lecter tem leve tendência de Dorian Gray, o personagem brilhantemente escrito por Oscar Wilde. Mas a realidade é que não preciso comparar Hannibal Lecter a nenhum outro personagem, ele tem peso e independência. Por si só, Hannibal Lecter é um personagem muito poderoso e marcante e cada vez mais temos consciência disso.
Mas a questão é que Will Graham está completamente lúcido e entrou de vez na dança. Ele sabe quem Lecter realmente é, e consequentemente sabe quem está copiando seus supostos crimes. É uma verdadeira obra do destino ou até mesmo um jogo de ironia para nós que assistimos a série, ver que Hannibal, na realidade, está copiando os próprios crimes com o intuito de “ajudar” Will, e como ele mesmo disse, o autor desses “novos” crimes (Hannibal Lecter) está escrevendo um poema e Will definitivamente não desperdiçou esse o amor e esforço.
Até que enfim, vemos Will dar um passo importante na direção de se tornar alguém que, efetivamente, pode brigar de igual e/ou bater de frente com o Dr. Lecter. Aproveitar-se dessa nova onde de crimes, que ele sabe que foram novamente cometidos por Hannibal, é de fato um aspecto muito interessante e promissor, e pode fazer com que Will tome a, importante, dianteira do jogo mais cedo do que esperávamos.
Esse episódio foi, ainda mais, fortemente apoiado em diálogos e assim vimos o alcance do roteiro e da mensagem da série. Sem contar que, cada vez mais, me admiro e fico maravilhada diante da qualidade e intensidade desses diálogos. Com duas frases de Hannibal Lecter, conseguimos exatamente entender a dinâmica entre os dois, os motivos para tantos jogos mentais e tanta dependência e até mesmo conseguimos entender uma das mensagens que a série tenta nos passar: “Will Graham é e sempre será meu amigo” e “eu quero que você acredite no melhor em mim, assim como eu acredito no melhor em você”. Lecter realmente acredita que Will consegue trazer à tona o seu melhor.
Mas não foi somente Lecter quem tentou ajudar Will. Jack Crawford também foi corajoso e assumiu seus erros. É nítida a evolução de Jack nessa segunda temporada. Sabemos que ele terá uma importância vital no decorrer dos acontecimentos e ao mesmo tempo passamos a entender mais sobre quem realmente é Jack Crawford e o que o incentiva. Hoje, posso dizer que, o que o incentiva é culpa. Jack carrega muita culpa, seja sobre Will ou sobre sua esposa.
Fiquei feliz pela volta de Freddie Lounds, mesmo que por alguns pequenos instantes. Freddie é uma personagem que existe, na série, para mostrar de maneira muito eficiente que não há limite para o ser humano quando o assunto é busca pelo sucesso e ganância. Freddie é uma personagem que amo odiar intensamente, assim como começo a amar/odiar intensamente o advogado de Will, porque simplesmente adoro advogados canastrões. Agora, quem eu odeio intensamente, sem nenhum pingo de amor, é a Dra. Alana Bloom. Gente, sério, que mulher equivocada. Já dizia o ditado: “muito ajuda quem não atrapalha”, ela continua querendo seduzir e agora começa a querer exercer, a força, um papel de mulher independente. Apresento à vocês aquele que poderia ser o discurso de Alana Bloom (e ao mesmo tempo já peço desculpas por isso): “bitch please, meu nome é Alana Bloom e eu não preciso de homem. Tudo que eu e Will temos é tensão sexual e um pouco de recalque da minha parte, já que ele é tão mais brilhante do que eu! Quero deixar bem claro que eu só usei o corpo dele para assim poder agir como a dona da verdade. Afinal, eu não entendo somente de psicologia, eu entendo também de defesa para acusados de assassinato. Sou psicóloga, advogada e atriz”. Sem mais, porque ela realmente me irrita. Acho todas as ações da personagem forçadas e com o objetivo de autopromoção. Mas não posso negar que, talvez, seja esse mesmo o objetivo da personagem. Ser o contraponto, o meio, entre Will e Lecter.
Hoje não falarei sobre os efeitos visuais, porque na real já se esgotaram as formas diferenciadas que posso usar para elogiar esse aspecto, só digo que continua tudo muito lindo. Mesmo assim, vou dizer que aquela cena da explosão, explodiu minha cabeça também, de novo. Também não vou falar sobre Beverly Katz, já que a hora dela brilhar está chegando. Mas a real é que eu vou falar, de novo, sobre como sou (muito) feliz com Hannibal e tenho a forte impressão que essa felicidade só tende a aumentar. Que continue esse julgamento brilhante da mente humana.














