Com um título enganoso, é dada a largada para a segunda temporada de Vikings.

Quando Vikings estreou no ano passado, uma das principais características apresentadas pela série foi o fato de ela apresentar poucas cenas de ação, priorizando mais o diálogo, drama e conflitos (não físicos) entre os personagens. Abrindo mão de sangue e violência excessiva, a estética da série foi construída de forma mais sóbria, e de certa forma, foi uma das coisas que conquistou seus fãs.

Da mesma forma, este Brother’s War não investe tanto na guerra entre Rollo e Ragnar, como o título sugere, e continua investindo no drama e conflitos para prender o espectador. Não que a cena da luta não tenha sido boa, mas poxa, eu esperava ao menos ver uma briga entre os irmãos, mas ao invés disso, Rollo se acovardou e desistiu do embate. Embora tenha sido “lindo” o laço entre eles ter prevalecido e tals, a cena foi COMPLETAMENTE anticlímax! Podemos dizer que a temporada passada inteira foi uma espécie de preparação para o bicho pegar entre eles, mas isto sequer aconteceu! Pelo menos um chute no peito e um soco na cara deveria ter rolado!

Outro ponto em aberto deixado na season finale foi a morte de Gyda. Já ia xingar muito no twitter o fato de Ragnar parecer nem se importar com a morte da própria filha, até que o roteiro de Michael Hirst nos presenteia uma bela cena, com o Earl junto ao lago fazendo sua despedida de sua filha. A cena foi genuinamente emocionante, e aproveito aqui para destacar a atuação de Travis Fimmel, que mostra mais uma vez que convence tanto nas cenas de ação quanto de drama.

Falando em drama, Aslaug chegou para semear a discórdia na casa Lothbrok, se aproveitando do fato de estar carregando um filho de Ragnar. Eu havia comentado na review da season finale que havia achado esta declaração muito abrupta, e juntando isso ao que a Siggy fala par Lagertha, questionando se ele é mesmo o pai (cadê o Ratinho para fazer o DNA?), me faz pensar se não está rolando um golpe da barriga medieval nessa história toda. Se sim, com qual intuito? Perguntas que deverão ser esclarecidas em breve (ou não). O interessante deste núcleo é que pelo menos por ora, Lagertha e Bjorn voltam a ter alguma importância para a trama. Como vocês já podem ter lido aqui no Série Maníacos, uma contratação para a segunda temporada indicava um salto temporal, que deverá ocorrer em breve. Bjorn resolveu acompanhar sua mãe, e é provável que quando ele retorne, já esteja maior.

Outra coisa interessante que aparece neste season premiére é o roteiro nos mostrar, sem ser didático, que mesmo na sociedade nórdica já rolava umas propinas, sobressaindo-se a vontade dos homens acima dos deuses, demonstrando que toda sociedade é corruptível desde que haja alguém corrompível, nos levantando uma questão: quem é pior, aquele que corrompe ou aquele que se deixa corromper? Mesmo sendo teoricamente por uma boa causa, a de salvar a vida do irmão, Ragnar abre uma margem para que as leis sejam burladas, pagando-se o preço certo. Nesse sentido, a direção de Ciaran Donnelly se mostra competente, ao nos trazer closes em objetos, como na moeda, no diálogo entre Ragnar e Bjorn, para depois, ao nos dar um close na mesma moeda, sabermos o que está acontecendo sem a necessidade de uma frase explicativa.

Com um episódio que nos traz mudanças para o restante da temporada, Vikings segue mantendo a boa forma que apresentou ano passado. O que falta agora é a série ousar um pouco e sair de sua zona de conforto, caso o contrário, ficará sempre correndo atrás do próprio rabo.

MITOLOGIA:

A princesa Aslaug afirma para a Lagertha que é filha da escudeira Brunhild com “o” Sigurd, que teria matado o dragão Fafnir. Segundo a mitologia nórdica, Sigurd era filho do rei Sigmund. Sigurd foi criado e treinado pelo anão Regin. O anão era irmão de Fafnir, e os dois haviam matado o próprio pai para ficar com o ouro dele. Acontece que Fafnir se transforma então em um dragão para ficar com todo o ouro para si, e deixa Regin no exílio (que é quando ele se torna tutor de Sigurd). Regin então convence o guerreiro a enfrentar Fafnir e reaver o ouro. Com os pedaços de Gram, a espada de Sigmund, Regin forja uma nova espada para Sigurd, com a qual ele consegue derrotar o dragão. Ao fazer isso, ele se banha com o sangue dele e se torna praticamente invulnerável, a não ser por um pedaço de seu ombro que estava coberto por uma folha.

Ele também bebe um pouco do sangue do dragão, e adquire a habilidade de falar a língua dos pássaros, e então as aves lhe contam que Regin pretende matá-lo para ficar com o ouro todo para si. Após matar Regin, ele come o coração do dragão e adquire o dom da sabedoria. Segundo a mitologia, o guerreiro se apaixonou por Brunhild, mas eles nunca chegaram a ficar juntos (então se a mitologia estiver sendo seguida, Auslaug não pederia ser filha deles). Curiosidade: No filme Django Livre, o personagem King Schultz (Christoph Waltz) conta à Django uma versão alemã da lenda, em que Brunhild teria sido presa em uma montanha cercada por fogo e protegida por um dragão, e quem a conseguisse libertar se casaria com ela. Quem consegue tal feito é Siegfried, versão alemã do herói Sigurd. Pode ser só coincidência, mas em O Hobbit, Smaug é um dragão que roubou o ouro dos anões e passa então a protegê-lo, para que ninguém mais pegue, será que teve alguma inspiração nessa história? Alguns acreditam que esta lenda inspirou também a de Rei Arthur, principalmente pela questão da espada (Gram x Excalibur), assim como existem comparações entre Sigurd e Aquiles, pela questão do único ponto fraco estar localizado em uma parte específica do corpo (ombro x calcanhar). O prefixo “Sig” significa “Vitória”.

Em tempo 1: Foi para Valhala: Arne, vulgo “um-olho”, vulgo “tiozinho do tapa-olho”. Quase foi para Valhala: Floki. Ainda bem que era pegadinha de edição uma das promos que saiu.

Em tempo 2: “Eu só queria sair da sua sombra. Mas, quando saí, não havia luz. Não havia luz nenhuma”. Rollo sendo sentimental.

Em tempo 3: Estou feliz que os deuses tenham sido estúpidos o suficiente para te poupar”. Você e nós também, né Ragnar.

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