O arremesso no escuro.
A essa altura, no episódio 6 da segunda temporada de House of Cards, já podemos dizer que estamos no meio de uma queda de braços pelo lugar mais próximo do poder mais elevado: a presidência dos Estados Unidos. Não exatamente almejada da mesma forma pelos dois antagonistas, mas ainda um meio para a influência absoluta. Se não existisse a ambição e a vaidade, o que seria da dramaturgia? O que Frank Underwood e Raymond Tusk querem não tem nada a ver com necessidade, mas com o mais puro orgulho.
Se na primeira temporada a questão era vingança, era castigar a política estabelecida pelas promessas não cumpridas, nesse segundo ano os objetivos ficaram maiores como resposta à fidelidade do roteiro com o protagonista. Frank é um organismo de controle e manipulação que se não se move, morre. E pra ele senhores, mover-se é essencial, ainda que esmague transeuntes desavisados. A Vice-Presidência aconteceu finalmente, mas por que parar se você pode continuar subindo?
O Presidente Garret é um fantoche e antes de assumir o posto, Frank precisava se livrar do manipulador oficial: Tusk. Essa é a base condutora desse ano, em que passamos os episódios vendo um superar o outro, num cabo-de-guerra que parece ignorar totalmente o fato de tratar-se de um aspecto nacional. Frank joga pesado na Casa Branca e Tusk revida à altura lá do meio de suas obscuras influências. Nesse capítulo 19 chegamos perto de um apogeu, mas também vimos que Raymond é um adversário difícil, capaz de movimentos arriscadíssimos e que consegue sim, estremecer o trabalho cínico de Frank.
Então, correndo por fora, cada um busca os trunfos que pode. Frank tenta aniquilar as ligações de Tusk e ele revida o passado do mesmo. Tusk tem seu soldado Remy e Frank tem seu capanga Stamper. Curiosamente, ambos os braços direitos tem suas fraquezas no seio de uma mulher. Remy se arrisca transando com Jackie e Stamper se deixa levar pelos confusos sentimentos por Rachel. Nenhum dos dois avalia de verdade a situação e ambos se julgam no controle dos eventos. O problema é que Jackie parece ter a própria eloquência e Rachel parece ter outros objetivos. Nesse episódio, a prostituta deu sua cartada: se não pode se livrar do algoz, se junte a ele.
Lucas começou a enfrentar o inferno… Esse arremesso foi certeiro e a energia não acabou antes. Infelizmente, a investigação do jornalista depende de terceiros elementos demais, depende de comprometimento alheio e depois da morte de Zoe ele não vai encontrar nenhuma dessas coisas. Não se pode culpar Janine pelo arrego e diante do tamanho do engodo preparado para Lucas, me arrisco a dizer que esse foi um passo de conformidade. Se Rachel vive ainda há chances de uma virada, mas a série nos fez acreditar que não importam os sacrifícios em nome da credibilidade.
O trabalho de Claire nessa metade da temporada ganhou uma certa peculiaridade. Podemos entender, claro, que ela decidiu que minar o casamento do presidente é uma maneira de ajudar os planos de aniquilação de Frank, mas o movimento me deixa um pouco desconfiado. Christina é que deu o azar de estar na linha de fogo. Claire tem um olhar menos agressivo que Frank, mas muito mais perigoso. Ela parece estar sempre raciocinando apenas por si mesma e isso me faz crer que nenhum passo que dá deixa de considerar as próprias defesas.
Chegamos num momento em que começo a torcer por alguma espécie de queda abrupta no planejamento de Underwood. Não simpatizo com Tusk, mas sinto falta de um antagonista que ganhará minha torcida pela vitória. Não me entendam mal… Adoro ver Frank e suas manobras bem sucedidas, mas adoro mais ainda quando ele subestima alguém, e perde.














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