Novas descobertas em uma temporada que parece estar voltando aos eixos.
Desde o seu retorno no sétimo episódio da terceira temporada, Coach teve a sua participação, bem como sua interação com o restante dos personagens, bastante questionada pelo público. O encontro com Cece e o consequente conflito com Schmidt não fizeram muito favor a ele, e assim ele seguiu sendo um outsider dentro da série. Nesse contexto, em “Basketball”, o texto coloca Jess no lugar do espectador, tentando conhecer, aceitar, integrar Coach no seu círculo de amizades, como já colocamos Winston, Nick, Cece e Schmidt.
Para isso, Jess usa o basquete, que ela particularmente não acha interessante, numa situação nem um pouco difícil de encontrar uma equivalente no nosso próprio cotidiano. Quantas vezes já fomos a lugares que não nos encanta ou tentamos penetrar em uma conversa que pouco nos atrai só para agradar alguém que gostamos? Jess acha que conseguiu se aproximar do seu objetivo, até perceber que a intimidade que essas tardes assistindo jogos estava proporcionando não tiraria a proximidade entre os dois da superficialidade em que já se encontrava.
Ainda nesse plot, o fato de Jess fingir que torce pelo time rival do de seu namorado cria outra condição muito aplicável à nossa realidade. Particularmente, entendo tanto sobre a rixa entre Pistons e Bulls quanto entendo entre Corinthians e Palmeiras, ou seja: nada. Mas eu sinceramente não duvido que existam pessoas que jamais se relacionariam com um torcedor do time rival, ou mesmo alguém que não curte o mesmo estilo musical, ou, quem sabe, a mesma série. Os níveis de fanatismo podem ir a níveis inimagináveis, acreditem.
Porém esse atrito funcionou bem para o episódio, não só por ajudar ainda mais na construção do casal Ness/Jick (?), que está sendo muito bem trabalhada nessa temporada, mas também na questão cômica. A ameaça do “no sex” rendeu as ótimas cenas de um provocando sexualmente o outro, e é claro que um jogo de sedução entre eles seria algo totalmente fora do comum.
O desfecho desse arco foi bastante satisfatório: Coach abre um pouco seu coração e ensaia uma maior aproximação do coração de Jess. Como disse no início, isso pode ser traduzido também como um possível início de um processo de abeirar também o coração do espectador, que, talvez, a partir de agora descubra mais o personagem de Damon Wayans Jr e o veja com mais naturalidade entre os outros cinco.
No plot paralelo, que confesso não ter despertado tanto o meu interesse, Winston ajuda Schmidt a solucionar um problema no trabalho e, com isso, chega à conclusão de que, ao invés de trabalhar com marketing, talvez sua vocação esteja na área policial. Achei um pouco repentina e “fácil” demais essa constatação, mas talvez a inserção de acontecimentos e cenas envolvendo essa profissão, combinada com o humor característico da série, possa ser benéfica para New Girl. Winston, assim como Cece e seu novo emprego no bar, dão continuidade à trama iniciada em “Clavado En Un Bar”, dos redescobrimentos e novos inícios de carreiras.
Já “Birthday” foi um daqueles episódios que parecem ter sido milimetricamente calculados para implantar um cisco no olho dos fãs do casal principal, ou dar mais embrulho no estômago de quem tem aversão à ideia.
Mais uma vez, Nick tem sua flexibilidade colocada à prova ao ter que se adaptar com outra (das muitas) peculiaridade de sua namorada: as altas expectativas que ela cria em torno de seu aniversário. É claro que o processo não seria fácil: Nick esquece que, antes de uma festa surpresa, é preciso tirar a pessoa do local e distraí-la de algum modo. Com isso, acaba colocando nossa doce Jess nos piores “programas de índio” possíveis, incluindo o acidental roubo da festinha de uma pequena garotinha.
Gosto do modo como a adaptação de Nick está sendo desenvolvida. O rapaz abandonou conceitos bobos sobre masculinidade ou perda dela por gostar de coisas consideradas femininas e infantis, passou a pensar mais no futuro, agir com maior responsabilidade, e, aqui, percebe-se que também aumentou a sua sensibilidade com os sentimentos das pessoas que o rodeiam. O personagem de Jake Johnson passou bastante tempo estagnado em questão de amadurecimento, mas o seu relacionamento com Ms. Day deu uma alavancada nesse aspecto e isso é uma das coisas que mais me encanta nessa relação.
Por falar em encantar, o quão fofo foi aquele vídeo exibido no telão do cinema? Ah, que coisa digna dos mais belos e ilusórios sonhos românticos! Claro que foi tudo bastante irreal, afinal lotar aquela sala só com amigos da professora, sem que ela percebesse algo ao entrar, não me parece algo muito crível. Mas não me apeguei muito a isso porque foi realmente bonita a homenagem. Foi ótimo rever alguns personagens como o simpático e tagarela Tran, Rose e, claro, os pais de Jess.
Nos plots paralelos, Winston e Coach entraram em uma disputa que não agregou muito valor a nada, e Schmidt ajudou Cece na sua nova empreitada como bar girl. A morena é realmente péssima nessa área, mas gostei dessa reaproximação dos dois: no campo da amizade, sem ser forçada… isso pode fazer com que deixe de existir aquele abismo que impedia os dois de ficarem juntos no mesmo ambiente sem causar um clima constrangedor, e permitir a criação de novas histórias que envolvam ambos por parte do roteiro. New Girl só tem a ganhar com mais Cece & Schmidt, mesmo que não estejam juntos em um relacionamento amoroso.
“Basketball” e “Birthday” firmaram minha opinião de que a série melhorou depois da volta do hiato de fim de ano. Não foram episódios espetaculares, porém bastante satisfatórios, e o último principalmente trouxe aquele humor leve, despretensioso e meio nonsense com o qual a comédia nos conquistou. Vamos torcer para que o bom momento continue!
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PS: A ruiva que Winston conheceu em “Longest Night Ever” estava na sala de cinema, ou seja, ela não foi esquecida e podemos vê-la novamente em breve.
PS2: O vídeo de Schmidt para congratular Jess foi o mais tocante, sacanagem do Nick ter cortado da edição final, haha!
PS3: Devido a dificuldades pessoais, a Ana Butrico não poderá continuar com as reviews de New Girl e eu assumo a partir daqui. Espero fazer jus ao ótimo trabalho dela até esse ponto.
Até a próxima!















