Abraçando a vilania.

Sabem por que eu amo Revenge? Porque sempre que estou perdendo a empolgação e a fé na série, ela parece adivinhar isso e entrega um episódio que volta a encher meu coraçãozinho do mais puro amor! O maravilhoso Endurance vem no melhor momento possível, o momento em que Revenge passava por uma terrível crise de ideias interessantes e válidas desde a lamentável finalização do “Quem atirou em Emily?” e passando pelo episódio que seguiu a revelação.

O motivo é muito simples: a partir de agora, há uma faceta de Emily que está morta e enterrada: aquela Emily altruísta e filantropa, que só tinha amor pra dar e era a pessoa mais compreensiva do mundo morreu para sempre, e para dar lugar a uma personagem infinitamente melhor: a Emily Thorne golpista, vigarista, salafrária e que só queria desfilar a riqueza dos Graysons pela alta sociedade durante todo esse tempo.

O maior problema de Emily Thorne eram justamente os momentos em que ela fingia ser boazinha. Eles simplesmente não convenciam. Agora, isso não é mais necessário. Emily virou o jogo, assumiu uma nova identidade e poderá abraçar a vilania com toda a força que nós merecemos, com muito potencial para protagonizar momentos deliciosamente crocantes dentro da mansão da família mais disfuncional da história dos Hamptons.

Fui pego completamente de surpresa por esse novo plano, e exatamente por isso terminei o episódio sorrindo de orelha a orelha com o cinismo da nossa protagonista – que, agora sim, eu consigo chamar de heroína sem (ok, quase sem) ironia. Achei realmente que ela diria que incriminou Lydia “por amor” e que estava arrependida por ter mentido sobre a gravidez. Foi uma saída realmente brilhante, um final muito digno para um episódio que me deixou tensíssimo e de cabelo em pé durante boa parte de seus 42 minutos.

Toda a malignidade de Emily foi ativada em nível máximo pela perda de sua capacidade de ter filhos. Castigo merecidíssimo, se não por tudo o que ela fez de ruim para pessoas inocentes ao longo desses três anos, pela burrice de seu plano mais recente. E, numa boa, esse draminha de “Os Graysons tiraram isso de mim!” não cola! Quem tirou isso de si mesma foi Emily e o seu tradicional egoísmo – egoísmo que, aliás, a levou a partir o coração de Aiden (prometo não dizer aos shippers nada do naipe de “I told you so!”… oops, escapou!). Desde o início, sabíamos que Emily não seria capaz de pensar mais nele do que em si própria e em seu desejo de vingança. Tratava-se apenas de mais uma relação fadada ao fracasso.

Agora, sejamos francos, alguém realmente acreditou que Victoria Grayson descobriria com tanta facilidade a verdade sobre Emily e o conteúdo verdadeiro da Revenge box? Sendo muito sincero, por mais que eu ame nossa rainha, enquanto ela punha as mãos na caixa ainda fechada, imaginei a cena seguinte exatamente assim:

Ok, Revenge foi um pouco menos legal do que eu gostaria quando vi que não era isso que tinha acontecido, mas, dentro das possibilidades da série, não deixou de haver uma meleca simbólica naquela caixa. Tudo graças à sagacidade de Nolan, que, em vez de esconder direito os objetos importantíssimos que lhe são confiados para que ninguém nem perceba sua existência, prefere fazer pegadinhas trocando seu conteúdo. Acho superválido!

O processo de aquisição da caixa foi o ponto fraco do episódio. Honestamente, prefiro os Graysons nem perto de descobrir nada sobre Emily a vê-la sempre um passo a frente deles, mas sei que cortar o número de twists aleatórios ao longo das temporadas não é uma opção para os roteiristas. Mesmo com isso em mente, ainda acho que fazer Patrick derrubar Nolan, escancarando a inimizade entre eles, foi um passo muito precipitado. Mal chegamos à metade da temporada, e a guerra fria entre os dois deveria ter sido muito mais bem explorada antes que esse passo fosse dado. Agora é ver como Vicky será tratada a partir do momento em que seu bastardinho do coração descobrir a verdade. Aliás, podemos dar as boas-vindas oficiais a Patrick na família de Vicky? Sim, porque ninguém é um Grayson (ou mesmo um Harper) de verdade se não levar um suculento tabefe da nossa diva, é? Apenas aguardando ansiosamente pelo tapa na cara de Emily, agora que ela também é da família.

E sabem quem também já estou amando? Japa médica assassina, também conhecida como Takedinha. É impressionante o nível de didatismo de Revenge. Assim que a informação de que a personagem era filha do mestre de Emily apareceu, ficou claríssimo que a direção para a personagem era uma Revenge contra o assassino de seu pai (no caso, Aiden). Mas é claro que o roteiro precisava dizer isso com todas as letras, não é verdade? Agora também sou #TeamTakedinha em sua Revenge, e já peço aos deuses pela cena em que ela arranca o coração do mala. Quem sabe ela já não acontece no próximo episódio? Oremos, e até lá, pessoal!

Observações:

– Sarah, com meia dúzia de episódios, concluiu o que ninguém do elenco da série havia sido capaz de concluir até agora: Emily é uma psicopata. Tiremos o chapéu para a moça!

– A personagem mais burra e alienada que já habitou os Hamptons precisará descobrir sobre o golpe do baú de Emily o mais rápido possível, certo, roteiristas? Até quando vocês vão insistir na ignorância de Charlotte para poder continuar fazendo-a ajudar Emily sem querer?

– Troféu ingenuidade a qualquer espectador que tenha acreditado que não havia nada dentro daquele cachorro de pelúcia.

– Troféu ousadia para a cena de Patrick lambendo a mão de Nolan. Ui!

– Troféu I’m useless and I know it para Margô, que, choquem-se, foi promovida ao elenco fixo de Revenge, onde estará durante a quarta temporada (caso a ABC decida renovar, o que é 99,99999% provável). Não vou mentir, estou feliz com o modo humano e realista como os jornalistas estão sendo representados por ela na série – é raro um roteiro que não os retrate como pessoas extremamente ambiciosas, corruptas e puxadoras de tapete (e, no caso das mulheres, capazes de trocar sexo com qualquer um por informação) – mas também não precisamos exagerar, não é verdade? A notícia dessa promoção me fez sentir até saudade da Ashley! Ok, passou a saudade.

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Guto Cristino
Guto Cristino é engenheiro químico, jornalista e administrador. Nessa salada toda, o tempero constante é a paixão por séries e por Christina Aguilera, sempre presentes em seu cada vez mais curto tempo livre. No Série Maníacos desde 2011, é especializado em cretinice televisiva, com foco em novelões e realities, mas garante que vê série boa de vez em quando.