Ei, sabe você aí, que assim como eu esperava uma season finale de cair o queixo? É, pois é né, não foi dessa vez…
… Que a série nos deixou na mão!!! Wow! Uhul!! Uau!!! Gente, que season finale foi essa? Que coisa mais linda de se ver! O cuidado que o roteiro tem com a série é algo de dar gosto. Como seria bom se todas as séries tivessem o grau de responsabilidade, cuidado, e, acima de tudo, respeito com os seus fãs. A qualidade técnica e artística que Sherlock alcançou é indescritível. A maneira como ela ainda consegue surpreender positivamente o público é invejável. Tudo bem que temos que esperar dois anos para vermos três episódios apenas (e apenas em duas semanas), mas a qualidade com que os roteiros são escritos faz a espera valer MUITO a pena.
O que eu mais gostei nessa season finale é como a série consegue reinventar os personagens e as situações, mas sem jamais perder a essência dos escritos de Doyle, sendo que em alguns casos, a série consegue até mesmo melhorar o original (fãs canônicos, por favor, não me matem!). Fala sério, quem já leu o conto Charles Augustus Milverton sabe que o vilão que o intitula não é tão marcante, sem contar que Holmes tem uma participação nula nos eventos que se desenrolam. Ainda assim, muito dos elementos foram utilizados, mas sem jamais se contentar em ser apenas uma mera cópia do original, reinventando muitas situações, mas claro, fazendo sentido.
O roteiro de Steven Moffat acerta ao nos trazer um vilão melhorado, muito superior ao do conto original. Moriarty era um vilão assustador por ser imprevisível, instável e jamais sabíamos do que ele era capaz ou até onde ele podia ir, ou mesmo qual era a real extensão de sua rede e seu poder. Moriarty era para Sherlock o que o Coringa é para o Batman, ou o que o Duende Verde é para o Homem Aranha, ou ainda o que o Heinz Doofenshmirtz é para Perry, O Ornitorrinco. Ele é o tipo de louco que colocaríamos em uma camisa de força, dentro de uma cela acolchoada (precisamente mostrada na cena do Palácio Mental de Sherlock). Já Charles Augustus Magnussem é assustador por ser frio, calculista, mas acima de tudo, extremamente inteligente. Se Milverton era um rato que queria enriquecer às custas dos segredos alheios, Magnussem é bem menos caricato, se mostrando um oponente à altura das circunstâncias, além de ter sido divinamente bem interpretado por Lars Mikkelsen. Tem que ter colhões para recusar uma oferta de Sherlock e ainda por cima urinar na lareira da sala. Olha a presença que o ser invocava.
Uma coisa legal nesta série é que ela é uma ótima anfitriã. Não importa se estamos vendo em cena é gente antiga ou convidados novos que estão entrando pela primeira vez na casa, todos estão igualmente à vontade em cena. Lars chegou e arrasou. Amanda chegou e arrasou. Tom Brook (que interpretou o viciadão-quase-assistente-de-Sherlock) chegou a arrasou. Martin e Benedict arrasaram. Tudo na série funciona e contribui para que ela seja uma produção de qualidade.
E para essa última review da temporada, não tenho como não dedicar um parágrafo para Mary. Estou muito feliz com a adição de Amanda Abbington à série, principalmente pela sua personagem ser muito forte e muito bem interpretada. Muito mais do que contribuir para o crescimento de John (e o que seria pior, ser apenas uma sombra do marido), a personagem tem presença e tem cacife para ser a protagonista feminina, se houver tal posto na série. Gente, essa sacada de a transformar em uma ex-agente da CIA tinha tudo para ser um tiro no pé, mas dentro do contexto e como a coisa foi feita funcionou muito bem. A mulher sabe manusear uma arma, e ela estar no meio do olho do furacão fez com que o episódio ficasse eletrizante desde o começo. Toda a sequência da cena da invasão dela ao Appledore até o tiro foi muito bem dirigida, e a atuação de Amanda durante todo o episódio ficou no mesmo nível dos dois protagonistas. Além disso, achei ótimo John já ter descoberto que Mary não é quem diz ser, assim não fica aquele clima estranho entre eles.
A cena dos respectivos Palácios Mentais, tanto de Holmes quanto de Magnussem foi muito bem filmada, nos mostrando um bom avanço em algo que faz parte da mitologia da série, mas que até então tinha sido pouco utilizado e explorado. A estética da série também merece destaque. Desde personagens congelados enquanto o ambiente ao redor se movimenta, até a fotografia dão o tom certo para o episódio, que voltou ao que estávamos acostumados. Vejam que nos dois anteriores o tom predominante era o de comédia. Neste His Last Vow a série retorna ao tom mais sério, mesmo tendo algumas escapadas cômicas, todas muito eficientes (como John estar mais interessado no fato de Sherlock estar namorando do que no caso do C.A.M).
O título do episódio faz alusão ao conto His Last Bow (O Último Adeus de Sherlock Holmes, no Brasil), o que fez muita gente especular se teríamos mais um cliffhanger com o Sherlock entre a vida ou a morte, ou algo do tipo. Finalmente tivemos uma mudança, e o gancho não consiste em nenhum dos protagonistas estar em perigo de morte, mas sim o retorno de um grande vilão. Aliás, não sei vocês, mas com esse cliffhanger eu ainda estou catando os pedacinhos do meu cérebro na parede. Por um lado, eu já estava conformado em ver Moriarty apenas em devaneios e lembranças, mas a possibilidade de ele retornar é fantástica pois, gente, ele é o Moriarty!!! Viram como ele acrescenta em cena, mesmo que seja com pouco tempo de tela? Andrew Scott está de parabéns por conseguir manter o personagem de maneira tão elevada mesmo depois de sua morte. Que atuação foi aquela na camisa de força? Monstruosa, pura e simplesmente. E eu achando que pela primeira vez a série não nos entregaria um gancho forte o suficiente para nos fazer roer a unha por mais dois anos.
O episódio foi sem dúvidas o melhor da temporada, encerrando-a com chave de ouro. As atuações estavam, como sempre irretocáveis, o roteiro impecável e a direção também acompanhou a maré. Foi muito bom poder acompanhar a temporada e melhor ainda poder compartilhar esta experiência com vocês. Esperam que tenham gostado da minha cobertura e que eu tenha feito jus a esta ótima série.
Observações Elementares:
– Benedict e Martin novamente humilharam o mundo com suas atuações perfeitas.
– Sherlock matando o Magnussem foi incrível. Agora eu acredito que o personagem é um “sociopata altamente funcional”.
– Eu quase tive a mesma reação de John ao ver Sherlock/Janine. Mas Sherlock, como bom sociopata que é, só estava usando a moça para chegar em Charles.
– Falando nisso, no conto Sherlock também fica noivo de uma empregada de Milverton para poder invadir a casa e entrar no cofre. A diferença é que no conto esta empregada se chama Agatha.
– Pode ser só coincidência (o que, a essa altura do campeonato, em se tratando de Sherlock, eu não acredito mais), mas no conto os óculos de Charles também eram de armação dourada.
– Tanto no conto quanto no episódio Sherlock compara Magnussem a um animal. A diferença é que no livro ele o compara a uma serpente, no episódio a um tubarão. Nos dois casos ele compara características físicas entre o vilão e o animal.
– A conversa sobre O Vento do Leste é uma referência ao último diálogo entre Holmes e Watson, presente no conto His Last Bow.
– Adorei a caracterização do Sherlock chapadão.
– Hilária a cara do John quando Sherlock e Janine se beijam.
– Sim, tudo estava conectado, desde o sequestro do John até os eventos deste episódio. Gostei dos flashbacks das situações com Mary quando Sherlock descobriu a verdade sobre ela.
– O nome da casa de Magnussem é Appledore. No conto, o nome da casa do Milverton é Appledore Tower, na cidade de Hampstead. No episódio, este é o nome do cemitério que funciona como um dos esconderijos de Sherlock.
Em tempo 1: “Você reparou em algo interessante?” Sherlock sobre as cartas de Magnussem.
Em tempo 2: “E essa é a parte de trás da camiseta”. Charles sobre John estar sempre por fora da situação.
Em tempo 3: “miss me?” Dispensa maiores explicações.















