Como não amar Mary Stuart?

Reign chegou a sua mid-season-finale e nos deixou absolutamente perplexos e com gostinho de quero mais. Tenho falado exaustivamente sobre a força deste texto, sobre a capacidade de unir com maestria a verdade dos fatos com a licença poética. Essa tem sido a tônica da série e em “Fated” não poderia ser diferente. E finalmente, chegamos ao ponto, aquilo que fez Mary Stuart se transformar e transformar sua forma de enxergar o poder – assim conta a história.

História essa que explica que o direito da nossa Rainha pelo futuro trono de Elizabeth provinha de um ascendente em comum entre elas: Henrique VII, fundador da dinastia Tudor, através da filha deste, Margareth, avó de Mary – e apesar de serem primas, não mantinham nenhum tipo de contato.  O ano de 1558 trouxe uma reviravolta em seus destinos. Mary estava cumprindo seu papel ao se casar com Francis e a filha de Ana Bolena estaria se tornando Rainha da Inglaterra. A filiação de Elizabeth foi sem dúvida o ponto principal de discussão para aqueles que queriam invalidar seu direito ao trono, uma vez que para os países católicos ela era uma bastarda. Em vista disso, nosso Reizinho Henri, declarou que Mary era a legítima rainha da Inglaterra, título esse que até sua morte julgou ser seu. Porém, como sua trajetória provará, nem tudo saiu conforme os desejos de nossa Rainha. Mas Mary criou nos anos em que passou na França um profundo auto reconhecimento de seu poder como majestade, justificado pela teoria do direito divino dos reis. Foi diante desta situação que Mary Stuart entrou para a história e se tornou o mito repleto de adjetivos – bela, majestática, romântica, pretensiosa, forte, livre e egocêntrica.

E mais uma vez podemos mergulhar profundamente na história através deste episódio. França e Inglaterra se odiavam realmente e isto é comprovado pela existência da Guerra de Cem anos – tendo a França sempre como maior prejudicada. A história não entra em muitos detalhes sobre o comportamento do Rei Henrique II quando declarou Mary como legítima Rainha da Inglaterra, mas se imagina que seus motivos tenham sido exatamente os propostos na série – seu ódio e sua sede de poder. E Mary Stuart só não foi a Rainha da Inglaterra porque Elisabeth era inigualável e com certeza é até hoje considerada por muitos a maior Rainha de todos os tempos.

Em Reign toda esta busca pelo poder foi novamente abordada de forma veemente em “Fated”. E apesar dos momentos românticos e do amor que parece realmente existir entre Mary e Francis, tivemos um final enigmático e surpreendente – e mais uma vez, a Rainha da Escócia agiu de acordo com suas próprias vontades. Tudo foi colocado à prova neste roteiro que nos leva cada vez mais para dentro de uma trama planejada nos mínimos detalhes.

Tudo se inicia com nosso Reizinho Henri colocando o horror e até mesmo ameaçando Catherine de morte caso ela ficasse em seu caminho. Henrique II demonstrou muito de sua personalidade neste episódio – um homem que não dá ouvidos para ninguém, apenas para ele mesmo e para Diane. E falando em Diane, era óbvio que seu plano não daria certo – só serviu para ela ganhar mais uma inimiga – Kenna. Aliás, podemos dar um atestado de burrice para esta criatura – pois agora resolveu enfrentar todos na Corte, a Rainha, o Rei e a sua amante oficial – será que não merecia ter morrido por tanta burrice?

Kenna foi responsável pela ira de Catherine que se mostra cada vez mais sem caráter e escrúpulos. Seu diálogo com Diane foi extremamente interessante e carregado de verdades históricas, pois sabemos que de alguma forma estas duas mulheres apesar de se odiarem, aprenderam a conviver juntas ao lado de um mesmo homem por objetivos diferentes.

E Catherine também tocou o horror neste episódio, pois – dominadora como sempre – preparou venenos, gritou com Nostradamus, convenceu Mary de suas certezas, mandou Diane vazar e desejou matar Kenna. BITCH com letras MAÍSCULAS! Mary ainda não entendeu que a Rainha da França é o seu pior pesadelo! Mas acredito que logo, logo ela começará a se dar conta das verdadeiras atrocidades de Catherine de Médici e o jogo comece a se modificar a seu favor. É o que esperamos!

E agora esmiuçando sobre as atitudes de nossa Rainha neste episódio, podemos dizer que tudo foi muito coerente dentro do contexto da trama. O seu amor com Francis estava cada vez mais fofo – aliás, a química Adelaide-Toby segue interessantíssima, sendo possível até mesmo torcer pelo casalzinho, apesar de saber que Bash está mais vivo do que nunca. Mas como já era esperado, a Corte Francesa não é lugar para grandes amores e sim para grandes reviravoltas políticas. E tudo partiu das profecias horripilantes de Nostradamus que voltou arrasando neste episódio – já estávamos sentindo sua falta – recheando os acontecimentos de mistério e suspense.

Mary tentou, tentou e tentou não acreditar nas profecias, mas o destino já estava marcado e ele veio através das mãos de Clarisse! Isto mesmo, gente! “Fated” nos deixou ainda mais confusos em relação a esta criatura-monstro. Afinal, no que Clarisse acredita? Porque esta conexão com Mary? Com certeza, não deve ser apenas por acha-la uma vítima como ela. Mas algo ficou bem claro – Clarisse não tem limites para defender sua “musa” e isto inclui até mesmo assassinato.

As amigas de Mary são verdadeiramente importantes para o equilíbrio de nossa Rainha, portanto a morte de Aylee teve um peso fundamental em suas decisões – e sim, foi terrivelmente triste vê-la morrendo tão brutalmente. Tudo ficou confuso, nebuloso e para quem pensou que o principal motivo para a fuga de Mary Stuart foi proteger o seu amado, se engana redondamente. Salvar Francis é apenas um dos motivos que a fizeram tomar esta decisão. Mas Mary tem aprendido que precisa criar uma autopreservação, que ser uma Rainha implica enormes responsabilidades e também trás o gostinho agridoce do poder. Na Corte Francesa todos querem colocar rédeas curtas em Mary Stuart – isto inclui Francis – mas ela tem o espírito livre e jamais irá contra suas próprias aspirações. É claro que este roteiro precisava fazer algo para agitar ainda mais o coreto, e traçou um caminho fácil para Bash tentar conquistar sua amada, fugindo ao seu lado – de oito episódios até agora, essa é única lembrança que tenho deste texto trazendo algo de forma gratuita para facilitar os acontecimentos a seguir, portanto foi um deslize completamente aceitável. Mas é interessante pensar que teremos um pouco mais de Mary com Bash – e agora absolutamente sozinhos pelo mundo – pelo menos por algum tempo. Assim, saberemos se existe química neste casalzinho também! Ahhhhh, e se existir vai bagunçar ainda mais as nossas cabecinhas!

Enfim, Reign chegou a sua mid-season-finale, nos deixando com imenso gostinho de quero mais. A audiência permaneceu um pouco mais estabilizada, o que nos renova as esperanças de uma segunda temporada. Excelente produção e direção, roteiro inacreditavelmente bem escrito e interpretações consistentes – ou seja, ingredientes de qualidade não faltam em Reign! Agora é esperar até dia 23 de janeiro para ter esta delícia de volta! E continuo repetindo, vida longa à nossa Rainha da Escócia!

PS. E não é que Mary e Francis transaram antes do casamento? O roteiro continua mostrando as nuances de nossa Rainha – que sabemos se perdeu muitas vezes em tórridas paixões.

PS. Bem, analisando os acontecimentos deste episódio, podemos concluir que Olívia desapareceu do mapa!

PS. Catherine testa seus venenos nos pobres canários?

PS. Achei muito estranho aquele sangue em volta de Aylee. Normalmente a CW é tão cuidadosa com os efeitos…

PS. O que Nostradamus fez com Clarisse?

PS. Os figurinos seguem impressionantes…

PS. Greer reclama para Mary que ela irá sem casar sem a presença da mãe e ela diz que suas amigas são sua família. Mas uma verdade inserida no texto, pois por sair da Escócia muito cedo, Mary nunca chegou a possuir uma relação próxima com Maria de Guise.

PS. Greer ainda não se ligou que a profecia de Nostradamus para ela deu muito certo!

PS. Foi muito interessante a explicação sobre a profecia do leão, do dragão e das papoulas.

Artigo anteriorCSI 14×11: The Lost Reindeer
Próximo artigoHaven 4×13: The Lighthouse [Season Finale]