Um episódio que tinha tudo pra dar certo.

E deu. Depois de duas semanas de folga, A Fair To Remember mostrou por que a gente sente falta de Modern Family. Não lembro se já comentei isso aqui, mas uma das coisas que mais me fazem amar a série é a sutileza no humor. Claro que, como comédia, é importante e necessário que se desenvolvam piadas mais escrachadas e óbvias. Mas o que realmente me faz rir são os momentos menores que podem passar despercebidos no decorrer dos episódios. O sétimo dessa temporada explorou exatamente isso, mas sem deixar de lado o pastelão.

Em A Fair To Remember, o plot principal, que, ao meu ver, é o aniversário de casamento de Phil e Claire, conseguiu mesclar tudo que a série tem de bom e saboroso. É interessante como a série consegue costurar piadas copiadas de outras produções com suas próprias invenções de forma harmoniosa e inteligente. Já falei aqui sobre como eu gostei do desenvolvimento da história do Andy dentro da família Prichett. Mas já chego lá. Vamos por partes. Não é surpresa que o Phil sempre consegue pegar a sua história e tornar em pura fofura. Dessa vez, entretanto, mesmo não sendo autor do presente mais genial das séries, ele conseguiu se manter em uma posição onde a gente consegue adorar tudo que ele faz pra mostrar seu amor pela Claire. A insegurança que ele demonstrou ao descobrir que o American Idol estava fazendo audições na festa da escola do bairro foi um show à parte. Mas quem roubou a cena foi a Claire, que deu o presente dos meus sonhos para o marido dos sonhos dela.

Enquanto isso, Haley começa a se aproximar do Andy de uma forma que faz sentido na trama (não que eu acredite que Modern Family tenha real interesse em criar tramas), mas que coloca em xeque sua relação com Dylan. Por um lado, eu fico meio com o coração partido. Afinal de contas, Dylan é Dylan e seria muito estranho ver a Dunphy mais velha com outro cara. Ao mesmo tempo, esse episódio colocou uma pulga atrás das nossas orelhas. Estarão Andy e Haley prestes a se apaixonar? Ou é só mais um furo que Modern Family irá reparar com uma saída fácil assim que desistir do ator que interpreta o babá? É uma conta meio que os showrunners costumam fazer de formas imprevisíveis. E isso não foi um elogio.

O plot de Cam, por outro lado, ficou meio que sobrando. Mesmo que, no final do episódio, tenha se amarrado com a adição de Manny ao time de futebol americano do colégio, pareceu mais uma encheção de linguiça só para fechar os 20 minutos. Mas isso não significa que não funcionou como tirada cômica. Principalmente a cena do brinquedinho de bater com o martelo (não sei o nome daquilo e não consegui encontrar no Google porque não tinha nada com “brinquedo de bater martelo”). Foi uma cena com cara, jeito e voz de Cam.

Por falar em cena com voz e jeito de Cam, não podemos deixar de lado as cenas com cara, jeito e voz de Jay. Não é a primeira vez que Modern Family faz piada com cenas clichês. Impossível esquecer, por exemplo, as caras e bocas da Gloria no final da terceira temporada durante a novela colombiana. Mesmo não sendo exatamente o tipo de humor que me faz rir, achei que foi uma boa tirada. E tudo que tem saxofone fica melhor. Já Manny (o original), que estava finalmente caindo nas minhas graças, voltou a ser um menininho chatinho que pensa ter conteúdo. Mas, como eu disse no parágrafo anterior, sua entrada no time de futebol pode render alguns bons momentos em episódios futuros. Eu só não entendo o esforço do Papa Prichett em tentar fazer do Manny um menino normal. Ele não é e nunca vai ser. E, mesmo que Manny seja meu personagem menos preferido na série, eu acho que já bateram muito nessa tecla, e está na hora de aceitarmos que ele será sempre essa pessoa estranha com gostos esquisitos. Ele é muito mais feliz assim que tentando ser popular.

Mas o que torna Modern Family uma série gostosa de assistir, como eu falei anteriormente, são as piadas menos explícitas. Momentos como Alex imitando a menina Sienna (que precisa aprender a se vestir) ou o Mitchell oferecendo uma pintura facial para a Lily e ganhando um “não” do Cam. Para mim, essas tiradinhas rápidas são muito mais efetivas que as cenas maiores e mais escrachadas como a sátira do Jay e da camisa ensanguentada com raspadinha. De qualquer forma, A Fair To Remember, apesar de não ter sido exatamente um episódio relevante ou inesquecível, foi um episódio sem erros e com boas tiradas cômicas.

PS: Gostaria de me desculpar sobre ter comentado a respeito de uma suposta gravidez da Sarah Hyland na review do episódio passado. Não, ela não está grávida. O motivo de ela ter ganhado um peso e ter tido que usar um figurino mais larguinho foi uma recente cirurgia de transplante de rim pela qual ela teve que passar no início do ano. Sarah tem uma condição congênita que não permitiu que seus rins desenvolvessem normalmente. Por isso, seu pai doou um rim para salva-la. De fato, Sarah não pode reclamar por falta de pais legais. Na ficção, Phil é aquilo tudo que a gente já conhece. Na vida real, um pai que não hesita em doar um rim. Aí sim, hein!

Artigo anteriorNashville 2×07: She’s Got You
Próximo artigoGrimm 3×04: One Night Stand