Curvem-se à Rainha!
Desde o segundo episódio da terceira temporada de Revenge, venho alardeando por todos os lados sobre o quanto a série voltou a ficar incrível e maravilhosa, rivalizando com a qualidade de sua ótima temporada de estreia. Já estava claro que a terceira temporada veio para devolver ao nosso novelão favorito o respeito que ela teve em seus bons tempos, mas nada, absolutamente nada, havia me preparado para o nível de qualidade de Mercy, episódio que talvez tenha batido o recorde de padmadas em nossas caras!
Mercy não nos deu muito tempo pra respirar. Provavelmente passei o episódio inteiro com cara de “Que que isso meu Deus???”, já que tive poucos segundos de intervalo entre cada um de seus momentos surpreendentes e crocantes, mas um arco específico mereceu o meu destaque, porque vibrei em níveis até então inéditos em minha longa história de amor com Revenge.
É claro que estou falando de Victoria Grayson, nossa eterna rainha que jamais ficaria inerte depois de perder o trono dos Hamptons. Tem gente que nasceu para divar, é um dom natural, e Vicky é a representação plena desse tipo de pessoa na série, e tenho dificuldades para me perdoar por ter duvidado disso. Realmente acreditei que passaríamos pelo menos um episódio inteiro vendo a nova vida de Vicky no proletariado, mas Revenge jamais deixaria isso acontecer. Victoria é boa demais pra perder o glamour. Consciente disso, ela armou um plano maquiavelicamente delicioso para voltar ao topo, e só precisou de um breve momento de humildade e de engolir um ou outro sapinho para chegar lá. Fui ao delírio ao longo da cena em que Vicky anuncia que se apropriará da galeria da “amiga” e já ex-patroa – que, sim, foi claramente movida pelo prazer de humilhar a Rainha ao organizar a festa de boas-vindas. E não estaríamos falando de Queen Victoria se isso não fosse feito com estilo: “Apossei-me de sua galeria, agora vai lá e troca essa lâmpada pra mim, vassala!” É muito amor!
Mas Vicky jamais teria conseguido isso sem o seu fidelíssimo escudeiro, um personagem maravilhoso que ganhamos de presente nesta temporada, o filhinho que toda vilã ricaça pediu a Deus (e boa parte do público de Revenge também pede a Deus, mas por motivos bem diferentes), Patrick Osbourne! Não vou mentir, acreditei plenamente que Patrick iria ao menos tentar ir embora. Cheguei a entrar em pânico com a possibilidade de o personagem se tornar mais um daqueles parentes que aparecem magicamente e somem com a mesma facilidade, um dos arcos mais comuns da vergonhosa segunda temporada. Sim, amigos, minha fé em Revenge havia sido abalada, mas Mercy a restaurou de uma vez por todas, e Patrick é um dos maiores responsáveis por isso! Muito orgulho de vê-lo como a mente responsável por esse plano maravilhoso!
Além de ser #TeamVicky com muito orgulho, Patrick me deixou feliz também por ser #TeamNolan, se é que vocês me entendem (e eu sei que entendem). Fiquei apreensivo quando Nolan começou a tentar desenterrar os podres de Patrick, mas tranquilo quando percebi que tudo o que a personagem de Brianna Brown (emprestada diretamente de Devious Maids, e, se você ainda não viu essa delícia, corra!) tinha para dizer era que se casou com uma bee. Assim, a profecia da review passada se cumpriu, e agora estamos diante daquele que é sem dúvida o casal mais bacana da série, rivalizando apenas com Vicky e Conrad em termos de química.
Tenho certeza de que Nolan e Patrick serão um casal abraçado pelo público da série por dois motivos que podem ser explicitados analisando separadamente a relação de cada um dos personagens com esse público, e aqui me permitam fazer algumas generalizações dos fãs de Revenge que não se aplicam a 100% do grupo, mas certamente podem ser ditas sobre uma maioria. Nolan é definitivamente a única unanimidade de Revenge, um personagem extremamente carismático e muito bem tratado pelo roteiro. Mas há em Nolan um trunfo que nunca discutimos aqui: identificação.
Não nos sentimos realmente parecidos com uma louca vingativa, uma diva glamorosa sem escrúpulos, um velho sedento por poder a todo custo e o bando de antas da Patagônia que compõem o resto do elenco de Revenge. Nós, que somos público de séries, sabemos bem que uma parcela gigantesca do mundo série maníaco faz uma intersecção com o mundo dos geeks. Sim, somos um bando de nerds felizes vendo nossas séries, e ver um nerd sendo retratado de uma maneira tão bacana como Nolan é com certeza motivo para nos apegarmos ao personagem. Nolan é nossa ligação pessoal com Revenge. Até por isso achei bastante ousado da parte de Mike Kelley (RIP) conectar justamente esse personagem ao mundo LGB T, mas aí entra o público específico de Revenge, que já faz parte desse mundo ou, no mínimo, o aceita tranquilamente.
E é nessa identificação com Nolan que reside a importância do ator escalado para representar o filho de Vicky, que nem precisa dizer nada para ser sucesso de público. No fundo, quando Nolan fisga esse boy, está espelhando um sonho desse público de ter um Patrick para chamar de seu – o que não exclui os homens heterossexuais bem resolvidos, que também sonham com uma mulher com o mesmo nível de beleza. De alguma forma, o sucesso de Nolan é o que queremos para nós, e essa relação fica estabelecida no momento em que Nolan divertidamente solta seu “Have mercy!” (uma maneira inteligentíssima de brincar com o título do episódio) após ser beijado por alguém como Patrick.
A isso, soma-se o competentíssimo trabalho de roteiro que Sunil Nayar executou para que Patrick fosse um personagem interessante e até querido em algum nível (ao menos para quem simpatiza com o #TeamVicky). E essa versão gay de “Romeu e Julieta” tem tudo para funcionar perfeitamente bem. Prevejo conflitos entre Nolan e Emily, conflitos entre Patrick e Victoria, conflitos internos nas cabecinhas dos protagonistas do romance, e muitos, mas muitos planos mirabolantes vindos de todos os lados. Se me permitem arriscar, acredito que Emily acabará encontrando um jeito de aceitar o romance, mas Vicky, corujona como é com suas crias, tentará separá-los e será descoberta, o que gerará um Patrick decepcionado com a mãe e uma Vicky novamente sozinha e triste. Veremos se Nayar nos surpreenderá, mas, independentemente disso, o novo showrunner ganhou em definitivo o selo Cristino de aprovação depois de Mercy.
Até porque quando você consegue, em um mesmo episódio, tornar Jack e Aiden mais interessantes do que jamais foram, algum mérito você deve ter. Fiquei bastante feliz com esse novo Jack ditando as regras a Emily. Adoro que agora é só falar “faz o que eu quero senão eu conto tudo sobre você pro povo todo!” pra manipular a protagonista como ele bem quiser.
Outra profecia que se cumpriu foi o fato de que o acidente de Conrad (que me deixou gelado ao dar a impressão de ter descoberto a sabotagem dos remédios, mas ele apenas decidiu, finalmente, fazer um novo exame!) não foi coincidência, e nem poderia. Estamos falando de Revenge, e alguém tinha que ter mexido nos freios do carro, pessoal! E ver Aiden tentando colocar os Graysons contra Jack por puro ciuminho por Emily ter dito a verdade ao rival me deixou muito feliz com o personagem! Não sabia que Emily e Aiden tinham contrato de exclusividade pra justificar a ceninha de ciúmes dele, mas a consequência foi tão deliciosa que achei tudo ótimo! Desta vez, não estamos falando de um plano oculto de Emily, a série já deixou estabelecido que ela jamais exporia seu amorzinho de infância dessa maneira. O que vimos foi Aiden agindo sozinho e se colocando como um obstáculo entre Emily e seus planos. Achei bacana, achei digno, achei uma belíssima padmada!
O suspeito mais óbvio da sabotagem é Patrick, que conviveu diretamente com o sofrimento da mãe e a prisão psicológica à qual Conrad a submete desde o episódio de David Clarke. É muito possível que o rapaz tenha tentado libertar Vicky, e a minha dúvida é apenas quanto ao fato de sua capacidade de matar. No fundo, torço para que não tenha sido ele, e isso me faz olhar de maneira suspeita para Daniel, que me impressionou muito ao não murchar diante de uma Emily que, bravinha por ver o noivo se aliando ao pai, revelou sua já tradicional cara de psicopata vingativa pela primeira vez a ele. E, juro, achei que Daniel sairia correndo e ganindo com o rabinho entre as pernas na primeira vez que Emily psicopata assumisse o controle na frente dele, por isso fiquei bastante satisfeito ao ver nosso banana favorito peitando-a sem medo. Se, com Vicky, o descontrole de Emily foi minuciosamente planejado, não acredito que o mesmo tenha acontecido com Daniel. Emily agiu com ele no calor do momento, e já vem perdendo o controle sobre o noivado há um tempo. Quem sabe não estejamos diante de uma nova temporada para Daniel, em que ele deixa de lado a bananice, impede o pai de confessar e ainda dá uns merecidos tiros na protagonista? Depois de um episódio como Mercy, um seriíssimo candidato ao posto de melhor episódio de toda a série, eu digo que não custa sonhar, amigos, porque sonhar voltou a ser permitido em Revenge. Até a próxima!
P.S. – Charlotte não merece falar comigo e nem com meu anjo.















