O bom retorno de White Collar.

Após uma excelente terceira temporada, White Collar teve um quarto ano bastante instável, especialmente por conta da natureza da trama proposta por Jeff Eastin, buscando um autoconhecimento de seu protagonista através da revelação de seu pai, que diversas vezes não consegue se elevar a ponto de conferir relevância a ela mesma. Ainda assim, o desfecho dessa história consegue surpreender o espectador e criar certa expectativa para o novo ano. Nesse aspecto, At What Price não tem exatamente a atmosfera que se esperava, mas se mostra como um competente retorno.

Escrito por Eastin em parceria com Joe Handerson, o episódio se inicia com Peter na cadeia, e Neal sem saber o que fazer diante da situação. É aí que acaba se envolvendo com o Dutchman, que oferece uma saída para seu parceiro através de uma gravação de uma falsa confissão de James para que o golpista detento faça o restante. No entanto, isso leva a um golpe que visivelmente se mostra uma armadilha, quase fazendo com que Neal e Mozzie sejam pegos pelo próprio Peter, recém-promovido a chefe da White Collar Division, uma posição que ele não tem certeza se deve, ou pode, aceitar.

Após os acontecimentos de In The Wind, era de se esperar que White Collar investisse em ao menos um episódio inteiro sobre a prisão de Peter. Nesse aspecto, é curioso como a série aposta em algo mais simples, logo libertando o agente para trabalhar a história em torno das consequências disso. Embora a solução acabe soando simplória, ao menos o roteiro deixa claro que a situação está longe do fim, e que estas consequências são o começo do novo arco principal, que novamente envolve a confiança de Peter em Neal.

Sim, de novo. Ainda que seja interessante o fato de o episódio fugir do que parecia desenhado para ele, é sintomático que isso signifique recair no mesmo conflito que víamos na terceira temporada, quando Neal e Mozzie roubaram o tesouro e passaram boa parte da história tentando esconder seus rastros e escondendo o fato de Peter e do FBI. Não é estritamente necessário para uma série procurar sempre novos horizontes, mas White Collar flerta com isso no season finale da quarta temporada para logo em seguida desistir disso. Mais do que isso, a série, que parecia disposta nos últimos anos a mostrar algum desenvolvimento na relação entre os personagens, agora se acomoda em uma zona de conforto que não é compatível com a série, que, se não é inovadora do gênero, ao menos trabalhava seus personagens de forma mais orgânica.

De toda forma, At What Price sabe explorar sua trama. A começar pelos primeiros momentos, que trazem uma interessante ironia ao mostrar Peter vestido de laranja enquanto Neal o visita (seria melhor se não tivesse sido anunciada pelo próprio Peter). Além disso, a maneira com que o ex-golpista não hesita em fazer o que for necessário para libertar o amigo é condizente com o que White Collar vinha demonstrando para o personagem, criando uma bela sobreposição de vozes que alterna entre o momento em que a gravação é feita e quando ela é executada. Da mesma maneira, o fato de Neal precisar de um “pacto com o demônio” é bem demonstrado através de diálogos que ressaltam o desconforto do protagonista em aceitar o acordo com o Dutchman.

Assim como a execução do roubo das moedas, que cria cenas divertidíssimas, como a que Mozzie se contorce para não concordar com as teorias da conspiração sugeridas pela policial que tenta resgatá-lo, ou mesmo o momento em que Neal se utiliza de diversas artimanhas para provocar um pequeno incêndio e recuperar o objeto de desejo do Dutchman, ainda que o fato de Peter se destrair o suficiente para que não notar o sumiço de seu parceiro por um bom tempo seja um tanto quanto exagerado. Além disso, At What Price se sai bem ao insinuar uma longa passagem de tempo mostrando Diana grávida e uma salva de aplausos para Peter quando ele entra no FBI novamente.

Por mais que todos esses aspectos sejam inegavelmente competentes, White Collar parece preguiçosa para construir uma trama digna de um season premiere. Ainda que a promoção de Peter seja de fato uma evolução, não chega a ser um arco principal bem definido, mantendo-se em um escopo indireto que é incompatível com que fora apresentado no season finale passado, criando no espectador a sensação de que algo está fora do lugar.

Isso acaba por enfraquecer At What Price, que, se é bem executado durante a maior parte do tempo, também evita percorrer caminhos mais ousados, jamais permitindo que o episódio deixe o plano do óbvio.

Artigo anteriorRevenge 3×04: Mercy
Próximo artigoAudiência USA – 24/10/13: Quinta