Ele fez tudo por ela.
Low Winter Sun foi vendida como a nova Breaking Bad, mas a série é muito menor. Ainda assim é possível tirar proveito de sua temporada, que apesar de irregular, consegue acertar em alguns pontos, como a cidade onde a história é contada, por exemplo. Longe da perfeição e com futuro incerto, Low Winter Sun deverá se modificar, caso volte para a segunda temporada, mas existem elementos que, se bem explorados, podem trazer grande qualidade para a série.
O amor realmente é capaz de tudo. E foi o amor que motivou grande parte das ações de Frank, o grade protagonista da série, nos cartazes promocionais divulgados pelo AMC, Frank é vendido como “good man, cop killer”, e essa frase consegue definir com exatidão o personagem. Ele matou um companheiro, com ajuda de um outro colega, o diabólico Joe Geddes, mas fez isso por seu amor por Katia, uma prostituta europeia pela qual mantem uma obsessão absurda durante a temporada toda. E se entende o motivo dessa obsessão, pois Katia é calma, gentil, tem uma voz suave, e é capaz de entender um homem sem que esse sequer expresse o que está sentindo. A contínua perseguição de Frank à Katia é desesperadora, mas no fim, compreensível.
Detroit, a cidade escolhida para ambientar a versão americana, é a escolha certa para essa história, porque consegue fazer um paralelo entre a devastação da cidade, que afunda-se em pobreza e desespero, com a devastação do serviço policial, transbordando corrupção, criminalidade, fuga das regras e salários baixos. Detroit lembra Baltimore, e consequentemente lembra The Wire. Nesse quesito, Low Winter Sun acerta em cheio, porque nada melhor que uma cidade em ruinas para servir de pano de fundo para personagens em ruinas, cheios de dilemas, dúvidas e mágoas. Todos os personagens da série são sombrios e tristes. Todos tentam fazer o máximo para levarem uma vida melhor, mas acontece que em Detroit, tentar não diz nada, porque na Motor City, apenas tentar não é suficiente. Ainda mais se for pelos caminhos justos. A sujeira e a corrupção são caminhos mais acessíveis para a busca de uma estabilidade, na cidade mais instável dos Estados Unidos.
Por mais que tenha uma premissa interessante, o que comprometeu a qualidade de Low Winter Sun foi sua obsessão pelo caminho mais fácil. A resolução do caso pelo qual temporada gira em torno foi extremamente superficial. Foi decepcionante, porque prende um personagem extremamente excêntrico que passa a temporada incomodando. Só que esse incomodo é importante, porque representa exatamente os momentos que vivem Frank e Joe, incomodados por suas próprias memórias, e pela culpa de terem matado um companheiro de delegacia.
Em seu outro núcleo, a série trata mostrar como algumas pessoas tentam fazer o certo através do errado. Maya e Damon não são pessoas ruins, mas também não são capazes de tentar viver dentro da legalidade. Frequentemente envolvidos com drogas e com um dos chefes do crime da região onde vivem. Skelos e Damon são inimigos, e nessa inimizade moravam promessas de bons momentos, mas no fim, Skelos serviu para impor medo em meia dúzia de segmentos, Damon serviu para mostrar que nessa série, nenhum personagem está safo de um fim cruel, baleado no estacionamento de um motel barato.
As possibilidades e o potencial que Low Winter Sun são tão grandes, que é decepcionante ver tudo isso sendo jogado fora. Frank consegue ser um personagem extremamente carismático e suas atitudes são tão bem justificadas que às vezes acabamos entendendo o motivo de agir da forma que age. As atuações também são sólidas, pois o elenco já tem experiência de produtos televisivos anteriores.
Mesmo tento planejado o assassinato perfeito, Frank e Joe foram descobertos e mesmo assim saíram livres. Livres da prisão, pois suas mentes estarão sempre aprisionadas ao que fizeram. E a doença da mente reflete no físico, visto em Frank nos últimos dois episódios, que foram bastante ágeis e práticos. A primeira temporada de Low Winter Sun só não foi melhor porque a série insistiu no óbvio e mesmo matando alguns personagens, livrou a dupla de malfeitores de enfrentar as consequências que deveriam. Esse deslize mostra exatamente a situação da polícia de Detroit, que procura por melhores momentos, desesperadamente.















