Mars behind bars.
Continuando onde o episódio anterior parou, Veronica continua investigando o caso do assassinato do treinador Tom Barry. Pela primeira vez vemos Veronica ser presa, eu esperava um pouco mais de drama quando isso acontecesse de verdade, mas Kristen Bell e o texto de Rob Thomas sempre me surpreendem com o oposto do esperado.
Lá está Veronica, com uma tatuagem de unicórnio feita com canetinha e fazendo flexões. Pedindo por cigarros e levando aquele momento ao que realmente ele representa, uma piada. Essa prisão serve apenas para que exista o questionamento se Josh realmente é o assassino, ou não. Como se isso já não estivesse nos corroendo por dentro.
Será que uma pessoa inocente poderia pensar da forma que ele pensou? Mas passado algum tempo, lá está Josh, tentando convencer Veronica de que ele não matou o próprio pai, com uma convicção absurda. Mas não adianta muito, já estamos com um pé atrás com ele. O sentimento de não poder confiar no personagem é muito grande e a todo momento eu pensei “Veronica, você está ajudando o assassino a fugir, menina”.
O mais interessante de tudo isso é ver que ficamos tanto tempo tentando adivinhar se Josh realmente é ou não culpado pelo assassinato do pai, que a resolução apresentada acaba se provando a mais simples possível. O pai descobriu que tinha uma doença terminal e armou o próprio assassinato para que a mulher e os dois filhos (um deles autista) pudessem receber o seguro. Simples assim.
É isso que eu mais gosto em Veronica Mars, essa capacidade de utilizar nossos preconceitos e nosso conhecimento prévio de outros materiais, para que a culpa assimilada ao suspeito seja maior que nossa vontade de realmente entrar em um processo de investigação. Nós estamos tão acostumados a ver a Veronica resolvendo todos os mais diversos crimes e problemas, que deixamos que a personagem pense por nós. Por isso, o papel da investigadora sempre é bem desempenhado, pois nós dependemos da detetive tanto quanto os clientes e amigos dela.
Mais do que isso, “Mars, Bars” é o episódio que marca a morte do xerife Lamb. Não sei se fiquei feliz pela forma com que ele foi embora. Durante os anos, Lamb acabou se tornando o antagonista de Keith. Tudo o que o papai Mars era, Lamb se torava o oposto. Tanto que eu sempre imaginei sua partida como um momento em que eu ficaria extremamente satisfeito. Contudo, a morte dele pelas mãos do viciado Botando acabou desenvolvendo uma certa empatia com o personagem e aquele sentimento de que ele não merecia ter morrido assim. Acredito que a função principal desse tipo de morte, sem que tenha existido um evento vilanesco por parte de Don é exatamente isso, nos fazer sentir pena de um cara que nós odiamos por praticamente três anos. E funcionou, pelo menos comigo, funcionou.
Mas o mais triste de tudo isso foi saber que nunca mais teremos momentos como o de Wallace chamando Don de “melhor amigo da Dorothy”. Para quem não sabe essa era a forma com que homens gays se reconheciam nos Estados Unidos durante o começo do século 19, em que era proibido ser homossexual. Eles se denominavam “amigos da Dorothy” em homenagem a personagem de Judy Garland, que na época era um ícone no cenário gay. Don foi um canalha, mas era muito legal vê-lo sempre levar uma tirada ou outra de praticamente todo mundo.
O foco principal, porém, continua sendo a morte do reitor O’Dell. E mais uma vez vemos uma bela cortina de fumaça sendo levantada. Quando Botando é preso pela morte do xerife Lamb e fala “aquela vadia armou pra mim”, duas coisas ficam em aberto. A esposa do Reitor e Botando podiam ser cúmplices, ou a outra prova encontrada por Weevil, a camisa do Dr. Landry mostra que Landry e Mindy podem ser os cúmplices. Porém, mais uma vez a série está dando abertura para que nós possamos pensar, e de tudo o que aprendemos a única coisa que realmente importa é que o vilão é aquele que menos esperamos. Então, nesse caso, ainda resta a dúvida.
Do outro lado, Logan está mostrando todo o poder de sua maturidade. Não é nem de longe aquilo que queremos para o personagem, que ele seja domesticado, mas foi até interessante o ver participando de um campeonato do dia dos namorados. Isso só reafirma aquele sentimento de que o seu ex sempre irá fazer pela próxima namorada, tudo aquilo que ele nunca quis fazer por você. O clima levantado entre Logan e Parker foi até bonitinho de assistir, mas Parker ainda é uma personagem tão chatinha, que eu não sei se fico preocupado com a reação da Veronica, ou com a possibilidade do novo interesse amoroso dele acabar transformando um personagem tão legal em um banana.
Sendo assim, esse episódio marca o fim de um era em Neptune e o inicio de uma nova cadeia de possibilidades. Será Keith o responsável por solucionar o crime do reitor? Ou contaremos com a perspicácia de Veronica para mais um “final feliz”? A verdade é que as coisas já começam a caminhar para uma resolução, seja ela qual for.














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