Tão emocionante quanto o polígrafo.
Foram planejados e anunciados 15 episódios para Hostages, mas não estou muito confiante de que chegaremos a tanto. A audiência, que já não havia sido das melhores na estreia, caiu quase 20% nessa segunda semana. Essa foi pior performance não só da CBS, mas da noite de segunda-feira. Mas triste mesmo, é que Invisible Leash não fez por onde ignorar esses números e defender veemente o não-cancelamento da série. Ou minissérie. Under the Dome já nos ensinou que não dá pra confiar quando a CBS diz que é coisa de uma temporada só. Mas pra que discutir o formato de algo que já deu indicadores que talvez não conquiste nem um Season nem um Series Finale?
O problema maior aqui foi que o episódio não entregou a emoção esperada. Queria muito que Duncan tivesse matado o marido de Dra. Sanders, mas se os sequestradores não tiveram coragem de matar um cachorro, quem dirá alguém daquela família. Invisible Leash começa com a ameaça de morte a um personagem que julgamos importante e que nos chocaria imensamente ver assassinado e termina com a “morte” de uma personagem que nos foi apresentada rápida e superficialmente e que não representa perda nenhuma perda para nós. Usei aspas em morte porque isso pode não passar de uma armação para manipular a médica, já que as evidências são um carro abandonado e um post suicida no Facebook.
O único ali que me assusta com sua frieza é Archer Petit. A sequestradora Sandrine, não fica muito atrás, mas o negão se destaca pela risadinha mórbida que dá quando Carlisle põe a arma na mão da médica. A sinceridade daquele flagra me surpreendeu mais do que quando ele diz que Duncan deveria ter atirado pra valer no marido. Ele é cínico, compenetrado e dedicado ao que está acontecendo ali, é o único da trupe que acredito ser capaz de matar alguém daquela casa. Enquanto Carlisle indica ter razões pessoais para estar ali, ignorando o blablablá do chefe do gabinete da Casa Branca que diz que aquilo é mais importante que a vida de um único homem e que vai ajudar a moldar o futuro do mundo. Os motivos de Archer (e dos outros) continua uma incógnita, mas parece que para ele, é um trabalho como outro qualquer. Por mais que ele não esteja a par de todo o plano, ele leva o que faz a sério o suficiente para não hesitar em esticar o trabalho de um dia em duas semanas. Talvez ele se sinta em dívida com Duncan, mas isso é só um tiro no escuro, visto que não sabemos quase nada sobre ele e seus comparsas.
Outra frieza que merece menção foi obrigar Brian a se encontrar com a namorada Samantha (Peyton Saywer, vá comer um hotdog que magreza tem limite) enquanto sua família está sob a mira de armas. Pra que responder um SMS dizendo que está doente e não vai poder encontrá-la se os sequestradores podem fazer dissertações via mensagens de texto e ainda amarrar com um “eu te amo”? Sandrine, sequestradora e pimp. Parabéns para o maridão que cumpre seu papel e não deixa a amante na mão. O que ele não faz por amor? Arrisco que a carência de Samantha vai causar mais problemas a Brian.
Já ficou claro que há muita gente envolvida nessa tentativa de assassinato, não precisa a cada episódio sair um novo personagem da moita, do nada, ameaçando a médica, ou vou me sentir procurando o Geninho assistindo She-ha. Se uma verdade já foi estabelecida, não há necessidade de incluir personagens que não acrescentam à trama enquanto há tanto a se descobrir ainda sobre os personagens principais da série.
De resto, falta tensão, falta aumentar os riscos (ou alguém acreditou que o revólver nas mãos da médica estava carregado? Ou que ela falharia no polígrafo?), falta revelar em doses homeopáticas um pouquinho mais sobre os sequestradores, falta aliviar a trilha que força sentimentos que não estão vindo a tona. Ou não vai haver o envolvimento necessário para nos fazer voltar toda semana.
Eu não costumo assistir cenas do próximo episódio, mas como dei uma desanimada com Invisible Leash, fui atrás do promo de Power of Persuasion e gostei do que vi. Se alguém mais precisar de uma forcinha para se convencer a ver o terceiro episódio, dá um play.















