
As mil e uma utilidades de uma chave de fenda.
Spoilers Abaixo:
OITNB gosta de surpreender. Não estou falando daquelas reviravoltas que acontecem em final de temporada que deixa todo mundo de queixo caído aguardando desesperadamente pelo próximo ano (sim, estou pensando em Game Of Thrones), mas daquela sensação que a gente tem que nunca vai adivinhar qual será o resultado de um determinado plot.
Joseph Campbell, um renomado autor que estudou as narrações em uma publicação chamada “A Jornada do Herói”, explica que o princípio básico de uma estória é a busca de um protagonista por algo que o torne completo. Ele explica que o início da jornada se dá quando o mundo que o personagem conhecia como normal sofre alguma alteração que o faz se sentir incompleto ou vazio. E ele entra nessa aventura em prol de recuperar o que está perdido. No caso de Piper, essa perda se reflete em sua liberdade. Meio óbvio, eu sei, mas eu prometo que vou chegar lá.
Claudette, por sua vez, já passou por essa jornada uma vez. Ela foi arrancada do seu país de origem e foi forçada a trabalhar em um lugar desconhecido para pagar a dívida dos pais. Sua superação é comprovada um tempo depois, quando aquela menina que não gostava de falar inglês se torna uma mulher forte e protetora. Agora, por se colocar na posição de mãe dessas meninas que trabalhavam para ela, acabou sendo obrigada a enfrentar mais uma fábula. Dessa vez, entretanto, ela está mais sábia e pisa em ovos para lidar com as adversidades.
Apesar de Piper e Claudette terem tido um destino em comum (a cadeia), elas passaram por caminhos completamente diferentes. Enquanto a protagonista passou por uma vida de impulsos e inconsequências, inclusive no que diz respeito ao crime que cometeu, a haitiana é organizada e planejadora. Até seu crime foi planejado. Enquanto a ex de Alex é emotiva e carente, a ex empregada demonstra frieza e desapego.
Por uma ironia do destino (sqn), essas duas mulheres tão opostas se tornaram colegas de cela. Essa dinâmica, que já teve uma prévia no episódio passado, continua caminhando com força e demonstrando estar próxima de se tornar um relacionamento de cumplicidade e amizade. Mas não vou fazer promessas por enquanto porque acabei de falar sobre OITNB gostar de surpreender.
Falando nisso, vamos comentar rapidamente sobre o núcleo da oficina da prisão. Quem diria que, no final das contas, a maldita ferramenta acabaria sendo usada como consolo? Eu passei 40 minutos da minha vida imaginando uma cena sangrenta de briga entre as namoradas de Mercy, mas foi uma surpresa muito agradável que todo esse rolo tenha sido finalizado com uma bela gozada. Na verdade, a série não parece ter entre suas características o uso abusivo de sangue cênico. Talvez por estar muito acostumado com Prison Break, fico com a constante sensação de que a violência sempre está por acontecer. O orgasmo de Big Boo tem muito mais a ver com o perfil de OITNB que uma briga envolvendo lésbicas e chaves de fenda.
Apesar de OITNB ter demonstrado uma grande estabilidade em sua narrativa até aqui, vejo que Imaginary Enemies deu um passo bastante importante no desenvolvimento da temporada. Enquanto o episódio distraía seus telespectadores com um plot divertido e leve, a história foi andando a largos passos em direção ao finale (que eu estou maluco pra assistir de uma vez e escrever pra vocês). Minha única preocupação é a chegada constante de novos personagens. Em uma série que tem prometido desenvolver a história de um personagem coadjuvante por episódio, fica aquela impressão de que muitas dessas mulheres serão deixadas de lado. Mas, novamente, ainda acredito no poder da série de me surpreender.














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