Um brinde a qualidade televisiva!

Spoilers Abaixo:

Cá estou eu de novo, depois de um breve hiato. E antes de mais nada quero me desculpar pela ausência das últimas semanas que resultou no leve (só que não) atraso dessa review. Mas tenho certeza que todos aqueles que são universitários entenderão essa ausência com somente três palavras: final de semestre!

Dito isso, vamos falar de coisas boas. E que coisa boa foi essa primeira temporada de Hannibal, certo? Uma temporada de estreia consistente, envolvente e inteligente. Uma temporada que serviu para nos apresentar e mostrar o potencial da série, e até mesmo nos surpreender, digo isso porque os acontecimentos da season finale me surpreenderam sim, eu realmente não esperava pela inversão dos papéis que conhecíamos até então.

A série contou, e com muita, qualidade de roteiro e competência de direção. Contou também com um show visual a parte, que guiou com perfeição os acontecimentos dessa primeira temporada. Sem contar com um elenco extremamente maduro e consciente em suas devidas interpretações. Claro que Hugh Dancy e Mads Mikkelsen roubaram a cena, mas a real é que isso já era o esperado. O que não era esperado era o grau de maturidade das participações especiais, portanto menção mais que honrosa para Gillian Anderson, Kacey Rohl, Lara Jean Chorostecki e Eddie Izzard.

Bryan Fuller conseguiu, de novo, mostrar algo diferente dentro de um assunto já explorado diversas vezes na televisão. A questão é que ele foi muito feliz quando resolveu usar o mundo já estabelecido de Hannibal Lecter e Will Graham para mostrar o conflito entre realidade e ilusão, certo e errado, bem e mal. E sabemos do potencial de um showrunner, quando esse nos mostra personagens e situações já estabelecidas e conhecidas e mesmo assim consegue nos surpreender de maneira positiva, isso sim é adaptação com qualidade. Não precisa ser fiel, precisa sim ser objetiva e boa, portanto “clap clap” sr. Fuller. Agora, como já disse antes, é rezar para que Bryan finalmente consiga quebrar a maldição de no máximo duas temporadas, mesmo achando um pouco improvável, afinal é fato que a NBC e até mesmo o público americano ainda não estão totalmente preparados para uma série um pouco mais complexa como Hannibal.

Em Rôti vimos a volta do dr. Gideon, simplesmente para aumentar o nível do controle que dr. Lecter exerce em Will.  Como bem dizem as pessoas sabedoria é poder e dr. Lecter é quem detém a sabedoria que Will na realidade é vítima da encefalite, a real causa de suas alucinações. Lembrem-se demência não é doença, e sim é sinal de doença. Enquanto Hannibal Lecter for o único com o conhecimento dessa doença de Will a tendência era mesmo Will ir cada vez mais para o fundo do poço, e foi exatamente isso que aconteceu. Dr. Gideon voltou, nos chocou ao mostrar suas reais habilidades como cirurgião, ajudou indiretamente os planos do dr. Lecter e se foi, simples assim. Simples, porém eficiente e impactante. Pelo menos agora ele entendeu quem de fato é o Chesapeake Ripper.

Se em Rôti nos despedimos do dr. Gideon, em Relevés e Savoureux  nos despedimos de Abigail Hobbs, e com isso os planos reais do dr. Lecter finalmente veio a tona e todos os acontecimentos da temporada se conectaram de maneira impressionante. Will finalmente chegou ao fim do poço, mesmo com todos os esforços da dra. Alana Bloom para evitar esse destino. Percebemos que o plano de Hannibal Lecter foi sim  metodicamente articulado para, não somente enlouquecer seu “amigo”, como também o incriminar por todos os crimes do suposto copycat. A justificativa das ações de Lecter é simples mas de uma inteligência fora do comum. Sabemos que o dr. Lecter gosta de controle e suas ações visam controlar aqueles ao seu redor. A curiosidade em ver as reações dessas pessoas em determinadas situações que são maquiavelicamente criadas por ele. Curiosidade de fato será uma das ruínas da humanidade.

As cartas estão na mesa e o dr. Lecter possui uma certa vantagem em cima de Will, como deve ser nesse momento. Vantagem essa que foi construída desde cedo, afinal lá no começo da temporada vimos Lecter “brincar” com os anzóis de Will e agora entendemos o motivo. E aqui falo novamente sobre a inversão dos papéis. Afinal, estamos acostumados com o Hannibal Lecter atrás das grades no Baltimore State Hospital for the Criminally Insane, e não um agente do FBI, ainda mais Will Graham, que foi aquele responsável pela pequena parcela da ruína do dr. Lecter. De todas as possibilidades de caminhos a serem tomados pela série, digo genuinamente que esse me surpreendeu e me fez pensar no que virá a seguir. O que sei é que Will acordou, e entendeu quem realmente é o antagonista. Agora nos resta esperar e imaginar qual será o futuro desse detalhado jogo psicológico entre Will e Hannibal. Me vejo empolgada com as possibilidades. Afinal, como Will sairá dessa sinuca de bico em que se encontra? E principalmente como o dr. Lecter será finalmente desmascarado? Ainda mais, quando não é somente Will quem entendeu a real natureza de Hannibal, a dra. Bedelia Du Maurier também ficou mais consciente. E aqui deixo registrado minha imensa admiração por TODAS as cenas entre Gillian Anderson e Mads Mikkelsen.

Ficou claro que os principais trunfos de Hannibal, são os diálogos afiadíssimos e uma estrutura visual deslumbrante. O que impressionante mais ainda é a elegância das cenas mais violentas, exemplo claro disso é a cena hipnotizante da morte de Georgia Madchen. A sutileza das informações também é outro ponto muito positivo da série, e aqui uso como exemplo a fina linha que separa Will Graham e dr. Hannibal Lecter, que vai desde a maneira de se vestirem até a mais complexas de suas ações.

Uma primeira temporada praticamente impecável de uma série muito bem elaborada e executada que de certa maneira me fez esquecer totalmente que estamos diante de uma versão para a história de um dos maiores serial killers da dramaturgia. Afinal a série me deixou com mais vontade é de continuar assistindo esse brilhantismo envolvido na evolução dos personagens.

Que venha a segunda temporada, e se for a última que deixe sua marca permanente. E principalmente que venha também David Bowie, Lee Pace e Anna Friel. Bryan Fuller, seu tremendo safado genial!

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