Uma linha de investigação para chamar de nossa.

Spoilers Abaixo:

Esse início de temporada, e de investigação, em “The Killing” tem se mostrado bem mais focado do que aquele do ano de estreia.  Sei que muitos, assim como eu, lembram-se daqueles episódios que sempre terminavam com uma revelação bombástica, só pra ser desmentida no início do episódio seguinte. Foi essa frustração repetida que afastou muitos espectadores ao fim da primeira temporada, mas corrigida no ano seguinte. É bom sentir que os produtores realmente aprenderam com aqueles erros e todo o caso desta vez flui de maneira mais orgânica e sem brincar com nossas expectativas em busca de revelações baratas. Todo o caminho percorrido por Linden e Holder parece ter um encadeamento lógico. Goldie realmente estava envolvido, mesmo que indiretamente, com o sumiço das garotas, assim como a Mamacita (amo os apelidos Holder) dona do hotel do mal. Não há mais aquela sensação de tempo perdido e enganação de antes e isso é um dos maiores trunfos atuais do seriado.

A única história que anda um pouco segregada das demais é a do condenado à morte Seward. Nos dois primeiros episódios, foi o que mais me chamou a atenção, mas agora os eventos de lá parecem apenas uma enrolação pra manter o personagem em cena. A vantagem é que podemos continuar vendo o ótimo trabalho de Peter Saarsgard, mesmo com o fraco material que lhe é dado, e do chefe dos guardas Becker, que é interpretado por Hugh Dillon. Becker é de uma frieza curiosa e a cena com sua família foi muito bizarra. Acredito até que ele tenha algo a ver com o caso. Lembram de que Seward disse que arrancou o olho de um primo dele? Estaria o guarda ligado ao assassinato de sua esposa numa espécie de vingança? Bem, os eventos da prisão tem despertado tão pouco interesse que o que resta é especular a sua conexão com o restante do que se passa na tela.

E posso dizer? Todo amor do mundo pra Bullet. A garota e Holder têm uma química perfeita, e até com Linden no meio deu certo. Ótimo momento o da garota fumando no carro com a detetive. Bullet me conquistou com essa fragilidade escondida embaixo de toda a atitude agressiva masculinizada. Basta conferir o momento em que ela começa a aceitar que sua melhor amiga pode mesmo estar morta. Está aí o diferencial desta temporada, não são pessoas que choram por um morto, mas sim pessoas que sofrem na esperança de ainda achar seu ente querido vivo. Mesmo suspeitando de que a menina no veterinário não seria Kallie, fiquei torcendo até o final para que fosse. Então, ao ver a realidade, senti um pouco do que a Bullet tinha sentido.

Agora é seguir a pista de Joe Mills. Ele já havia sido citado no primeiro episódio, como um taxista conhecido das garotas, e foi visto depois recebendo um boquete da Lyric. Não lembro ao certo, mas acho que Kallie entrou num táxi no momento em que desapareceu, e Joe era alguém que ela conhecia, o que resultou nela ter confiado nele. Sendo assim, o telefone tocando na última cena foi apenas o que faltava para confirmar minhas suspeitas. Acredito que Joe seja um dos culpados, isso é, se realmente existir mais de um assassino como eu imagino que seja.

“The Killing” continua acertando todas nesse retorno do limbo dos cancelados. Uma investigação mais crível, com o abandono da abordagem em que cada episódio era um dia dos policiais, um trama mais fluída e menos coadjuvantes avulsos são alguns dos fatores que colaboraram com esse sucesso. Agora é torcer pra que a segunda metade da temporada seja tão bom quanto esta.

Em Tempo de Melhor Cena do Episódio: Quem também vibrou quando Holder foi ao porta-malas do carros e trocou sua roupa por aquele casaco surrado das outras temporadas? Holder dos velhos tempos de volta pra dar um gostinho.

Em Tempo de Melhor Fala do Episódio: “Ela foi embora junto com o sósia do Eminem” – garota de rua falando sobre Holder.

Em Tempo de Audiência: O último episódio exibido de “The Killing” teve a maior audiência desde o 5º episódio da segunda temporada. Depois de algumas semanas em baixa, os números da série voltaram a se recuperar.

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