Estava tudo bom demais para ser verdade.

Spoilers Abaixo:

A sequência de bom ou excelentes episódios que vinha marcando Smash nesta reta final estava boa demais para ser verdade. Precisávamos de um episódio morno para dar uma folga, e ele finalmente veio. The Transfer já começa nos causando uma sensação de estranhamento, de choque, com um mundo bastante diferente do que deixamos após a morte de Kyle. Jimmy está famoso, Ivy faz comerciais (o que foi esse jabá do Ford Fusion, SOCORRO!!!) em rede nacional, Julia é efetivamente parte da equipe de Hit List, a dançarina aleatória que processou e em seguida desprocessou e dormiu com Derek também entrou para o elenco do espetáculo, que está apenas na… Broadway! Realidade alternativa? Que nada, não é feitiçaria, é tecnologia! Josh Safran fez a Glória Perez e avançou no tempo assim, sem mais nem menos.

Não que o recurso narrativo tenha sido uma má escolha, muito pelo contrário. O novo cenário nos entregou uma nova e necessária dinâmica para a série, pulando etapas de embromação e emplacando Hit List logo de uma vez. Já conhecemos o processo por meio de Bombshell (que parecia que não ia estrear nunca!) e não precisamos gastar mais de uma temporada e meia passando por aquilo de novo – até porque Smash não tem esse tempo pra perder, beijos!

Com isso, Jimmy transformou-se em um cara responsável e focado no trabalho – CHOQUEM-SE! Em nome da memória de Kyle, Julia assumiu as rédeas da transferência para a Broadway, incrementando o roteiro e a produção. Não dá para não achar forçado ver Julia e Jimmy tendo uma baita ideia dois segundos depois de porem as mãos nas anotações de Kyle.  A ideia em si pareceu interessante em tese, e foi extremamente bem vendida pela cena, que mostrou uma maneira simples, rápida e original de explicar ao público de Hit List que Nina (Nina é tipo a Sasha Fierce da Amanda, é isso mesmo, produção?) é a nova Carly Rae Jepsen da música pop.

O problema é o seguinte: por motivos óbvios, dificilmente deixamos o celular pra tocar quando vamos ao teatro, certo? Deixamos no silencioso ou no vibra. E, se ninguém está ouvindo nada, é muito curioso que absolutamente todas as pessoas da plateia tenham decidido pegar o celular pra ver mensagens naquela mesma hora, a não ser que tenham recebido algum aviso prévio de que isso aconteceria – mas, se tivessem, não teriam ficado tão surpresas daquela forma. Então, apesar de o roteiro de Smash ter vendido bem a cena do espetáculo fictício, não demonstrou muita preocupação com a facilidade com que podemos questionar os pormenores da execução de uma ideia como essa.

E o maluco do Jimmy, diante do sucesso da ideia, ainda propôs um festival de torpedos para TODAS AS TRANSIÇÕES DE CENAS. DEZENOVE FREAKING FESTIVAIS DE TORPEDOS durante a peça!!!! Meus caros, se eu sou Julia nesse momento, nem por rios de dinheiro toparia uma roubada dessas. Imagine, então, estando comprometida com outro show, que de fato leva seu nome? Julia dá a notícia a Jimmy da melhor maneira possível, e então era a hora de ele dizer “Ok, eu entendo, Julia, muito obrigado pela sua ajuda! Eu jamais teria conseguido sem você!”. Mas o que ele faz? Dá um piti pra cima dela!!!! Não tem jeito, uma vez molequinho mimado, sempre molequinho mimado, mesmo.

Felizmente, o ex-parceiro  da personagem nada tem em comum com esse moleque, e foi corresponsável pelo melhor arco do episódio, com folga: a despedida de Tom e Julia. Fiquei meio decepcionado porque contava com uma restauração da amizade e da parceria após o rompimento de Julia com Scott, mas realmente parecia bom demais para ser verdade. Achei toda a sequência dos flashbacks de ambos durante a canção uma cena do mais absoluto bom gosto e delicadeza! “The Right Regrets” é uma música linda, perfeita para a ocasião, e cantada por ninguém mais e ninguém menos que Debra Messing, que até o momento nunca havia nos dado o prazer de ouvir sua voz (toda editada e cheia de tratamentos, claro, mas tudo bem, quem nunca, né?). Era bem difícil seguir a maravilhosa volúpia de Megan Hilty na ótima apresentação de “Grin and Bear It”, mas Debra divou completamente esperando o momento certo e com uma música escrita especialmente para a sua personagem. Fiquei apaixonado por Smash nesse momento!

Pena que não durou muito tempo, já que toda aquela história da “esperteza” de Eileen por ter vazado a informação da dissolução da parceria não faz sentido nenhum. Gente, faz dois episódios que Tom e Julia armaram um barraco público em que Tom deixou claro que eles não trabalhariam mais juntos! Não tinha nenhuma bomba nesse “rumor” de Eileen! E ok se eles tiverem dado um jeito de contornar a situação, mas isso precisava ter sido mostrado e explicado, certo? Ou eu que fiquei louco?

Isso não significa que não houve nada bombástico no episódio. A gravidez de Ivy realmente me pegou de surpresa! Fiquei preocupado com a pobrezinha. Se ela abandonar Bombshell, estará abdicando de um importante passo na carreira e também de uma indicação ao Tony. Se seguir firme no espetáculo, terá sua performance cada vez mais limitada com o tempo, o que pode também comprometê-la na premiação. Isso, claro, se não chegar logo o momento em que a barriga não a deixará mais ser Marilyn. Pô, Ivy, você não podia se dar a esse luxo, nunca ouviu falar de contraceptivos? Acho que esse filho acabará unindo definitivamente Ivy e Derek no final da série, e quem sabe fazer com que o diretor queira ser uma pessoa melhor, não cedendo à chantagem da dançarina aleatória. Se Derek for nobre e puser a carreira em risco, pode até abrir portas para Tom como diretor, não é verdade?

Serei obrigado a encerrar a review com uma excelente surpresa de The Transfer: nossa querida e amada protagonista!  Ok, ela começou como a mosca morta de sempre quando, em seu mundinho cor-de-rosa, jurava que Derek não substituiria Ana. Além de tudo, saiu com a missão de investigar essa história e, mesmo conversando com Derek, ficou totalmente sem noção do que estava acontecendo até a própria Ana, que provavelmente pensou “Nunca que vou deixar isso na mão dessa tonta” descobriu toda a história por conta própria e agiu. Fiquei com muita pena de Ana, que conquistou o papel com muito esforço e mérito e não merecia esse destino. Espero que ela consiga recuperá-lo!

Voltando a Karen, o que foi essa mulher possuída pelo ritmo ragatanga naquela coreô de “I’m Not Sorry”, hein? Adorei a música, adorei a coreografia, e minha maior tristeza foi o fato de que tivemos que engoli-la sendo executada por Daisy, e não pela linda da Ana. Poxa vida! Mas o meu maior motivo de orgulho de Karen ainda está por vir!

Com essa passagem súbita do tempo, instaurou-se na Broadway o clima de rivalidade e preocupação com a temporada de premiações. É claro que o climinha de BFFs entre Karen e Ivy estava bom demais para ser verdade. Karen, que não é boba nem nada, já está minando a concorrência e difamando Ivy por todo o meio artístico (sim, porque, se a história da “melhor amiga” for verdade, eu a Karen temos conceitos muito diferentes de amizade, já que nunca acusei amigos ou amigas de não terem talento ou de se aproveitarem do desejo dos homens pra crescer profissionalmente)! ADOREI! Ivy leu muito bem a rival, percebendo que ela se faz de tonta pra viver e ser subestimada. Depois de subir no salto e ir tirar satisfações, nossa Marilyn ainda foi obrigada a ouvir “Querida, todo mundo sabe que você é uma vadia que dá pra conseguir o que quer, não me culpe!” Ah, Karen, por onde você esteve esse tempo todo? Essa Karen manipuladora e fingida eu compro com gosto, amiguinhos! Vamos ver se os votantes do Tony comprarão também. The Transfer acabou se mostrando um episódio morno e cheio de furos de roteiro, com alguns pontos bastante altos envolvendo basicamente Julia, Tom, Karen e Ivy. Mas nada disso importa. No dia 26 de maio, quero todo mundo de traje de gala, porque vamos a uma premiação que promete muito!!! Até o próximo – e último – episódio de Smash!

Músicas do episódio:

Pretender (original), por Katharine McPhee;

G.I. Joe(original), por Lindsay Mendez;

Grin and Bare It (original), por Megan Hilty;

I’m Not Sorry (original), por Katharine McPhee & Mara Davi;

The Right Regrets (original), por Debra Messing & Christian Borle.

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Guto Cristino
Guto Cristino é engenheiro químico, jornalista e administrador. Nessa salada toda, o tempero constante é a paixão por séries e por Christina Aguilera, sempre presentes em seu cada vez mais curto tempo livre. No Série Maníacos desde 2011, é especializado em cretinice televisiva, com foco em novelões e realities, mas garante que vê série boa de vez em quando.