Olha só quem finalmente deu as caras no The Voice UK!

Spoilers Abaixo:

Parece ser regra: segunda temporada é sinônimo de mudança no The Voice, não importa em que país seja. No UK, obviamente, não foi diferente. O acréscimo dos steals imprimiu uma nova dinâmica nessa fase da competição e, claro, fez com que corações fossem à boca quando nossos artistas favoritos estavam à beira da eliminação, dependendo apenas de um botão pressionado para voltar ao jogo.

Apesar de considerar os steals um grande benefício para o The Voice, a forma como a edição decidiu tratá-lo é que me incomodou muito. Em primeiro lugar, ao invés do candidato agradecer o seu respectivo coach enquanto existe a possibilidade do steal, aqui eles são instruídos a dizerem por que merecem continuar, fazendo com que alguns apelos fiquem parecendo uma súplica, algo não muito agradável para assistir. Ora, se o cantor mereceu um steal, isso já deve ter ficado claro na batalha em si, não é preciso que ele implore por sua permanência. Para piorar, a edição ainda adicionou uma trilha sonora marcante para tentar criar a sensação de suspense, algo parecido com o que fez o The Voice AU, só que de forma mais exagerada. Não sei qual a opinião de vocês, mas eu achei tudo isso meio dramático demais, e espero que eles mudem esses “truques” de edição na próxima temporada.

Além disso, já falaram de knockouts durante o oitavo episódio, mas cada coach só pode salvar um candidato de outro time. O que me deixa a dúvida: como funcionarão os knockouts com sete candidatos? Vamos ter uma twist no meio do caminho ou vai ser algo parecido com os showdowns da versão australiana?

Esse ano, Tom e Will mantiveram seus técnicos convidados: Cerys Matthews e Dante Santiago, respectivamente. Danny contou com a ajuda da lindíssima e talentosíssima Dido, e Jessie, do cantor Claude Kelly.

Os dois primeiros dias de batalhas foram até bastante satisfatórios. A maioria das decisões foi certeira, algumas injustiças foram cometidas e alguns ótimos candidatos tiveram que se despedir mais cedo do reality. Para nos ajudar a fazer um balanço de tudo que aconteceu nessa dobradinha de episódios, apresento a vocês o “cherômetro”:

Como isso funciona: convidei Cheryl (ex-Cole), que mora no coração de 369 a cada 10 fãs dos reality shows britânicos, para me ajudar com a contagem. Tudo é meio autoexplicativo, mas só para não deixar nenhuma dúvida: cada vez que um judge cometer uma “cagada”, lágrimas escorrerão do rosto de Cherylzinha; se ela não se importar muito com o resultado ou com o steal, ela faz cara de desinteresse e segue sua vida como se nada tivesse acontecido; mas se a decisão do coach ou o candidato roubado merecer comemoração, bom, a imagem já diz tudo.

Então é isso, cherômetro calibrado, let the battles begin!

Jamie Bruce vs LB Robinson [Team Tom] – “When Love Comes To Town” (U2 & B.B. King)

Quando vi que essa seria a battle de abertura, fiquei bastante assustado por dois motivos: o primeiro é que eu nem me lembrava de quem era Jamie, e o segundo é que eu só lembrava de quem era LB porque o achei bastante fraco na sua blind audition. Felizmente, esse susto logo foi aliviado pela ótima performance que os dois entregaram. Embora tenham sido ajudados pela escolha da música por Tom, é inegável o êxito por parte deles não só na parte vocal, mas como também na presença de palco e interação entre eles, que contribuiu para fazer com que tudo ficasse ainda mais prazeroso de se assistir. Embora a movimentação tenha atrapalhado levemente Jamie nas notas mais graves, o timbre do cantor ainda se sobressaiu. Por outro lado, o fator surpresa fez com que eu também me encantasse por LB. No fim das contas, qualquer resultado me deixaria satisfeito. Tom discordou dos outros três jurados e escolheu levar Jamie adiante. O que faz com que a primeira entrada no cherômetro seja positiva!

Winner: Jamie Bruce

Matt Henry vs Jordan L. Davies [Team Will] – “Do I Do” (Stevie Wonder)

Ok, devo começar a análise dessa battle dizendo que acredito que a escolha dessa música do Stevie Wonder era uma tentativa disfarçada de boicote ao Jordan. Pois bem, o que, talvez, Will não esperasse era que Jordan ia fazer o dever de casa direitinho, se adaptando, na medida do possível, a todo o soul que a música exige. Claro, também deve-se dizer que Matt não fez feio em nenhum momento, até mesmo porque o que ele precisava melhorar para a battle, ele melhorou, que era sua movimentação no palco. Por falar em movimentação, isso raramente acontece, mas dessa vez eu realmente achei que ficou um pouco too much, dava para eles terem maneirado um pouco em toda a dança. Por achar que o desafio imposto a Jordan foi maior, achei sua vitória merecida. Jessie e Tom discordam e, inclusive, tentaram usar seu steal, sendo que Matt acabou escolhendo Jessie. Observação sobre esse steal: eu adoro quando os candidatos ignoram esses “sopros” ridículos do Will.

Winner: Jordan L. Davies

Steal: Matt Henry – Team Jessie

Andrea Begley vs Alice Barlow [Team Danny] – “People Help the People” (Birdy)

Não é novidade para ninguém que todos os pareamentos já são escolhidos com um vencedor pré-definido, mas alguns coaches sabem disfarçar essa preferência. Não é o caso de Danny. Ele não só pareou Andrea contra uma das underdogs de seu time, como também escolheu uma música que se encaixava muito mais dentro do estilo de sua favorita e inibiu totalmente Alice de mostrar seu ponto forte – sua presença de palco. Para minha surpresa, Alice conseguiu se sobressair, demonstrando durante a battle diferentes vertentes de sua voz, enquanto a apresentação de Andrea pareceu uma linha reta vocal, começando e terminando no “just ok”. Mas Danny, pamonha como é, jamais eliminaria a candidata com maior apelo popular de seu time, portanto, deu a vitória à Andrea.

Winner: Andrea Begley

Sarah Cassidy vs Katie Benbow [Team Jessie] – “E.T.” (Katy Perry)

Tudo bem que cantar Katy Perry em um reality musical é 90% de certeza de alguém fazer um trabalho melhor ao vivo do que a própria cantora consegue. O problema é que, essa música especificamente, me pareceu pouquíssimo adequada para uma batalha onde as cantoras deveriam mostrar seu alcance e técnica vocal. Resultado disso: as duas tiveram que apelar para uma gritaria desesperada para tentarem impor seus lugares no palco. Além disso, Katie escorregou e perdeu o timing logo no começo, fazendo dessa uma das apresentações mais desconfortáveis de se assistir da história dos The Voice’s. Cheryl chorou de tristeza antes mesmo de saber o resultado.

Katie fez o que pôde para consertar a situação, bem como Sarah que gritou seus pulmões batalha adentro, mas, no fim das contas, eu nem consegui escolher uma favorita no meio de tanto exagero. Jessie acabou escolhendo Sarah por ser mais experiente.

Winner: Sarah Cassidy

Cleo Higgins vs Nu-Tarna [Team Will] – “Finally” (Cece Peniston)

Por falar em momentos desconfortáveis, eu já tinha falado que não gostei nem um pouco da atitude das meninas do Nu-Tarna. A batalha entre Cleo e o duo começou antes mesmo delas subirem ao ringue, e culminou em uma verdadeira guerra por parte das meninas com o objetivo de ofuscar a adversária. O que, nesse caso, salvou, foi que Cleo manteve a sua performance sob controle, sem deixar de dar um show de vocais poderosos nesse clássico da dance music. Por ter sido menos “explosiva” e, mesmo assim, ter chamado muito mais a atenção, a vitória de Cleo era simplesmente óbvia. PS: depois da batalha que veio logo antes, de seu próprio time, será que Jessie tinha mesmo moral para tapar os ouvidos e dizer que foi “too much”?

Winner: Cleo Higgins

Ash Morgan vs Adam Barron [Team Jessie] – “I Won’t Let You Go” (James Morrison)

Primeiro eu preciso perguntar: só eu que lembro desse comercial toda vez que vejo Adam balançando suas madeixas? Ok, voltando ao que interessa… Embora Jessie tenha errado com E.T., aí está um exemplo de song choice que não deixa eu me sentir arrependido por não me limitar apenas aos realities musicais norte-americanos. Me desculpem, mas Jessie vai ganhar uma curtida no cherômetro só por ter escolhido essa lindíssima música do meu cantor favorito.

Acredito que esse pareamento tenha sido bastante justo, já que Ash e Adam são cantores que colocam muito sentimento quando cantam, e não haveria canção melhor para que eles pudessem expor o melhor dessa característica do que “I Won’t Let You Go”. Ambos foram impecáveis vocalmente, arrancando uma merecidíssima standing ovation de todos os quatro coaches. Confesso que, até os últimos segundos, não conseguia firmar um nome vencedor, mas, com aquela nota final, Ash garantiu sua vitória nessa battle. Felizmente, Tom e Danny viram potencial em Adam e arriscaram sabiamente seus steals, e o cantor passou a enriquecer o Team Tom.

Winner: Ash Morgan

Steal: Adam Barron – Team Tom

Leanne Jarvis vs Carla & Barbara [Team Will] – “Hero” (Mariah Carey)

Bom, dessa vez me sinto mais seguro em não parecer implicância, já que Jessie J mostrou, através de sua expressão facial e até mesmo altas e claras palavras, a minha opinião sobre essa song choice para essa battle: P-A-V-O-R-O-S-A. Solta um pontinho negativo nesse cherômetro aí.

O resultado não podia ser diferente. Essa música, já extremamente batida em qualquer programa do gênero, não se encaixou nada bem ao estilo de Carla & Barbara e a batalha acabou me parecendo ligeiramente bagunçada. Não levem esse pobre reviewer a mal: Carla & Barbara são adoráveis, talentosas dentro de seu estilo, mas não havia dúvidas de que essa vitória era de Leanne.

Winner: Leanne Jarvis

Cherelle Basquine vs Elise Evans [Team Tom] – “All About Tonight” (Pixie Lott)

Tom escolheu uma música que claramente beneficiaria Cherelle, que já tinha cantando algo semelhante em sua blind audition. Apesar disso, a batalha foi bastante equilibrada, mas a angelicalidade e alegria que Elise passou quando estava no palco me deixaram totalmente hipnotizado, assim como quando ela se apresentou pela primeira vez no programa. Como ela ficou bem menos travada no palco, apresentando maior tranquilidade para atingir as notas, confiei totalmente que Tom a escolheria. Enganei-me. Isso já daria um chorozinho no nosso placar, mas o fato de ninguém ter roubado Elise (pô, Danny!) e perdermos essa linda vale um choro duplo.

Winner: Cherelle Basquine

De’Vide vs Danny County [Team Jessie] – “Best I Ever Had” (Drake)

Que alívio foi perceber que, mesmo depois de começar levemente nervoso, Danny, que já era um dos meus favoritos desde o início da competição, conseguiu se recuperar e dar um verdadeiro show de voz, presença de palco e carisma. Claro que De’Vide não ficou tão atrás assim, cumprindo competentemente o seu papel. O que carimbou a vitória de Danny foi que esse papel da dupla pareceu ser o de complementar a performance do cantor, ou seja, ele foi, o tempo inteiro, o grande destaque no palco. E discordo do Danny (o coach), acho que as dancinhas de seu chará deram um ar até cool.

Winner: Danny County

Leah McFall vs CJ Edwards [Team Will] – “The Way You Make Me Feel” (Michael Jackson)

Leah chegou nas battles já carregando certo favoritismo perante o público conquistado em sua audição. A minha GRANDE surpresa foi CJ, que para mim parecia carta fora do baralho antes mesmo dessa fase começar, elevar sua performance a um nível que ofuscou totalmente a jovem cantora no palco. Era simplesmente impossível não prestar atenção e admirar a desenvoltura do candidato no ringue. Mesmo o VT pré-battle ter dado a impressão que Will já estava 100% inclinado a levar CJ adiante, fui surpreendido novamente quando o coach elegeu Leah como a vencedora, o que não pode ser considerado inteiramente injusto, já que a cantora se segurou bem diante do adversário e, como dito anteriormente, carregava um favoritismo. Por essa razão, o ponto do cherômetro é positivo, porém vai rolar um negativo também porque Danny não usou seu steal com o merecedor CJ Edwards.

Winner: Leah McFall

http://www.youtube.com/watch?v=cC35mhfTOWk

Lovelle Hill vs Nate James [Team Jessie] – “No Air” (Jordin Sparks & Chris Brown)

Tanto Lovelle quanto Nate fizeram um bom trabalho – nada excepcional -, mas falharam bastante ao passar a emoção e a dor que “No Air” pedem de quem a interprete. Claro, o arranjo mais acelerado pode ter contribuído para que isso acontecesse. Como ambos chegaram até aqui sem ter tido grande destaque nas blind auditions, acredito que isso tenha feito a decisão de Jessie ainda mais difícil. Segundo Jessie, ela acabou optando por quem ela poderia ajudar mais dali adiante – no caso, Lovelle. Nada que eu acredito que vá mudar alguma coisa na história dessa temporada.

Winner: Lovelle Hill

Por isso, nosso cherômetro fica cabalístico – só múltiplos de 3. Quem será que vai mudar esse painel?

http://www.youtube.com/watch?v=LgcFC8abQcM

Conor Scott vs Smith & Jones [Team Danny] – “Some Nights” (fun.)

Ora ora, se essa não foi uma das batalhas mais açucaradas da história do The Voice?! Três candidatos fofíssimos subiram ao ringue ao som do hit recente da banda fun. e o resultado foi algo semelhante ao que aconteceu na batalha entre Leah e CJ. Apesar de, julgando por essa apresentação, eu desse a vitória para a dupla, a vitória de Conor não foi injusta. Na verdade, ambos os candidatos já estavam na minha lista de queridinhos, então eu já estava de lencinho preparado, independentemente do resultado. A dupla se impôs mais no palco, se sobressaiu vocalmente e diria até que surpreendeu quem não botou muita fé neles a princípio, porém Conor também segurou a batata muito bem, mantendo-se fiel ao seu estilo e sua postura. Devo admitir que ouvi alguns pequenos deslizes aqui e ali, mas nada que aliviasse minha tristeza por perder um dos dois em um resultado bastante agridoce.

Winner: Conor Smith

Com o fim da primeira parte das battles, vamos recapitular  como ficaram os times até então:

Danny parece estar usando a estratégia de levar adiante os candidatos com maior apelo popular. Sendo assim, a dupla (lembrem-se que as duplas SEMPRE saem em desvantagem) e a menina que mal teve airtime na audição já foram podadas. Uma estratégia que não dá para julgar, já que isso pode ajudá-lo quando chegarem os live shows.

A única decisão chocante de Tom foi eliminar uma four chair turn para levar uma who adiante. Usou muito bem seu steal com Adam Barron, e tem uma candidata forte guardada para a semana que vem (Alys).

O altíssimo nível do time de Jessie fez com que ela já tivesse decisões super difíceis e uma eliminação em especial que deverá ser sentida por parte do público – Katie. Embora eu trocasse facilmente Lovelle por Katie, acredito que o Team Jessie continua fortíssimo, tendo agora tirado fora dois candidatos já sem chance de ir muito longe.

Ok, podemos respirar POR ENQUANTO. Will, até o momento, não cometeu nenhuma estupidez como fez quando eliminou J Marie Cooper. Embora uma de suas batalhas tenha tido um resultado questionável, o fato de ele optar por levar a candidata mais popular não pode ser sacrificado – jurados de todos os programas fazem isso o tempo todo. Will também foi estratégico – e justo – ao tirar as duas duplas de seu time, e, assim, seu time continua tendo a nata da nata.

O programa volta só daqui a duas semanas, com um episódio especial no sábado, onde deve haver o encerramento das batalhas. Pela prévia, parece que nosso suspiro de alívio pelo Team Will pode estar com os dias contados, já que Jessie chegou até a se retirar, dando a entender que estava indignada com algo que o líder do BEP fez.

E aí, o que acharam dessa primeira metade de batalhas? Resultados coerentes? Vai sentir falta de Elise ou de algum outro? Carla & Barbara deveriam ter continuado e ido até a final só para representar toda a diversidade e liberdade artística que o programa representa? Achou o resultado final do cherômetro justo? Semana que vem ele volta para vermos qual vai ser o balanço geral dessa fase! Vejo vocês daqui duas semanas, e fiquem a vontade para usar os comentários para me contar suas opiniões!

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Aleph Macaullay
Goiano que foi viver no caos de São Paulo mas não esconde as origens caipiras e chora quando ouve "Evidências". Radialista por formação e redator publicitário por profissão.