
Deixar a magia para trás não é garantia de que ela não vá perseguir você.
Spoilers Abaixo:
Faz tanto tempo que espero por um episódio como esse em Once Upon a Time, que tenho a impressão de que eu mesma estive em Neverland e que a espera foi muito mais longa do que a realidade. Depois de uma sequência que se dividiu entre sofrível e mediana, a série apresenta um episódio que aposta em tudo aquilo que nos fez amá-la, num mix de emoção e mitologia, que conseguiu casar bem os flashbacks e os acontecimentos em Storybrooke, nos dias atuais.
Com isso, estou muito mais confiante sobre o desfecho da temporada. Não acho, no entanto, que acabar bem compensa a enrolação, os furos e as repetições sem sentido nos plots dos personagens centrais, mas mostra que ainda há potencial e motivos para ter esperanças para o próximo ano. Antes de elogiar de verdade, no entanto, é prudente aguardar a Finale, na semana que vem. Aí sim, saberemos com mais certeza.
O foco da vez é Neal, ou Bael, para quem gosta de se ater aos nomes originais. Sempre foi grande a expectativa em torno dele, especialmente pela paternidade de Henry. Também sempre desconfiamos que ele tivesse passado uma boa temporada em Neverland, pois só isso justificaria sua aparência jovem (mais ou menos) e esse episódio vem contando justamente essa história.
Um fenômeno interessante acontece quando falamos desse personagem, porque, de modo geral, as pessoas odeiam Neal, mas gostam de menino Bael. Como vimos esses dois períodos dele no episódio, acho que esse disparidade entra em destaque. Não é que o desenvolvimento de Neal tenha sido ruim, mas não é tão interessante quanto o de Bael. Talvez porque seja cansativo vê-lo dizer que Tamara é só uma corredora voraz e que Emma só faz o que faz por recalque e ciúme.
No entanto, o que deve ser notada é a relação dele com a magia. Em determinado momento, Greg e Tamara afirmam que a magia já invadiu nosso mundo em diversas ocasiões e, por isso, existe até uma organização para combatê-la. Bael foge da magia, mas é perseguido por ela onde quer que vá e a experiência dele em Londres prova que Storybrooke não é um caso isolado.
O modo como a história de Peter Pan é introduzida é incrivelmente diferente, ao mesmo tempo em que mantém muito do conto clássico em alguns detalhes. A transformação do menino que não queria crescer numa sombra maligna foi aterrorizante (pelo menos para mim) e remete ao fato de que a sombra de Peter estava solta de seu corpo. Wendy, sempre prestativa e bondosa, chega a costurar a sombra de Peter, inclusive. Aqui, contudo, a sombra parece ser o próprio Peter, essa entidade obscura que leva meninos para Neverland, uma terra onde adultos não existem e não têm vez.
É preciso dizer que, em comparação com o nível usual dos efeitos na série, esse episódio se destaca por alguns momentos muitos bons. A sombra é realmente de dar medo (e esse era o objetivo) e a visão panorâmica de Londres deu um toque de “desenho animado” ao desenvolvimento. É claro que, no fim das contas, Bael encontra Hook e Smee no Jolly Roger e a continuação dessa trama é que mais nos prende para a Finale.
Em Storybrooke, a ladainha de Neal sobre a inocência de Tamara cai por terra e, mais uma vez, o vemos vítima da magia (e de um tiro). Como o episódio da semana que vem complementará esse aqui, quero esperar para tecer mais comentários, mas não se investirem no sumiço e nova busca por Neal através dos diversos mundos, estarão, mais uma vez, repetindo plots já usados e isso não seria lá muito bom.
Maria Margarete e seus constantes choramingos sobre o coração peludo que conquistou já estão quase insuportáveis, porque até para ajudar Regina temos que ver expressões de profundo pesar o tempo todo. De qualquer forma, o lance das lágrimas foi bem legal e pode marcar o inicio de uma união entre as duas personagens, seja pela gratidão ou pela ameaça à cidade e seus habitantes.
Não sei como uma organização qualquer sabe que aquele diamante negro serve para disparar o processo de destruição de Storybrooke, mas aguardo explicações. Também não entendi bem a reação de Greg, assustado por ter de fazer o que está ali para fazer, dizendo um “mas já?” quando Tamara avisa que o plano deve seguir. O que ele queria? Ficar torturando o pessoal na máquina de choque?
Outra coisa bizarra é a falta de ânimo de Charming para perseguir um cara perigoso. Não tem essa de “precisamos ajudar Regina”. Ele deveria ter agido como qualquer policial e perseguido o criminoso. No campo das bizarrices, a declaração de amor entre Emma e Neal não escapa. Até fiquei convencida da parte dela, mas quando ele responde, a coisa fica fora do tom e ninguém acredita que há amor ali.
Amor mesmo é o de Rumples e Belle. Sério. O que é aquilo? Não vejo sentido nessa nova personalidade da moça, mas até que entendo a proposta de fazer Rumples perder as estribeiras agora que sua amada adora um bad boy (pronto até mesmo para matar o próprio neto, se for o caso) e sente prazer em ver o namorado obrigando Dr. Baleia a beijar seus sapatos. Belle está toda assanhada, querendo ser jovem para toda eternidade, mas ela não é confiável e provavelmente está dando um belo golpe em Rumples. Não restam mais dúvidas. Desde que Lacey possuiu o corpo de Belle foi inaugurada uma nova categoria de mulheres interesseiras: Maria Magia.














