
“Ideia genial”, pra quê te quero?
Spoilers Abaixo:
Na longínqua última vez que falamos sobre Revolution (prometo tentar não fazer mais reviews duplas), estávamos num terreno ambíguo dentro da mitologia da série. Para uma série que nascia de dentro de uma muito presente “nova” forma de entender a dramaturgia – e suas narrativas fragmentadas apoiadas em ideias geniais – e que veio sem medo de mostrar essas referências, Revolution começou a abrir mão muito cedo de seus próprios segredos.
Não há nenhum problema em desafiar o público com revelações e respostas. O problema todo é quando essas revelações e respostas começam a parecer uma tentativa de fugir das prisões estabelecidas por essas mesmas grandes ideias: Revolution se chama Revolution porque se pretendia mostrar o sentido dessa palavra a partir de um mundo que funciona sem nenhum tipo de energia artificial. Com esses dois episódios que vamos comentar, aumenta a sensação de que com tudo respondido e esclarecido, o que sobra mesmo é a tal revolução.
E em Songs Remains the Same, o compasso parecia realmente o mesmo, com a série ainda seguindo nessa direção. E com tudo se conectando estranhamente, pulando de cenas em que vemos Rachel dar informações sobre a mitologia, para cenas em que a energia funciona perfeitamente e ironicamente, em forma de Lionel Richie no Iphone. É como se a série quisesse realmente resolver tudo e nos dizer: a energia não importa mais. O que importa agora é a guerra.
Descobrimos que a falta de energia foi causada por uma espécie de ácaro chupador de força, que paira no ar que todos ali respiram. É uma explicação um pouco esquisita, e cheguei a torcer para uma continuação das insinuações acerca da obra de Stephen King, porém, por enquanto elas acabaram.
O episódio foi focado em Tom, o que continua não sendo uma saída muito esperta. Por mais fãs que Giancarlo Sposito tenha (por conta de Breaking Bad), esse personagem não tem mais a menor relevância para a série. Nesse episódio, eliminaram mais algumas pontas soltas dele, e pioraram a impressão de desimportância. Até mesmo torturá-lo perdeu um pouco do sentido, já que os segredos que importam estão com Rachel. Mas valeu pela sacaneada que o filho lhe deu.
Quando começamos a ver o roteiro nos levar para o clímax da bomba nuclear, assinam o recibo do “vale tudo”. Numa sociedade sem energia, os roteiristas teriam que sambar para encontrar um clímax que fugisse dos clichês de sempre, mas já falamos da preguiça deles antes… Eles preferem a saída “24 horas” mais acessível, igualando uma série apoiada numa ideia nova, à diretrizes de formatos velhos. O título desse episódio enfim, é adequadíssimo.
Assim, lá se vão Rachel e Aaron encontrar a Torre. E isso enquanto Miles e Cia vão atrás da ogiva nuclear que segue para a Geórgia. Tom precisou fugir e desertar por medo de Monroe, e Jason apareceu e sumiu com a mesma competência de sempre. Quando seguimos para o episódio seguinte, vemos mais um elemento da mitologia sendo entregue, e mais um passo definitivo na direção da dramaturgia apenas bélica, que eles parecem tentar estabelecer.
A viagem para a Georgia acaba sendo um depoimento negativo também. E antes que eu seja atacado com pedregulhos, precisamos nos lembrar que essa é uma história apoiada numa ideia central vendida para a audiência. Sinceramente, não espero ver uma série sobre uma civilização sem energia, funcionar como uma civilização COM energia. A Georgia é a parte rica do mundo de Revolution. Ninguém se preocupa muito em explicar como se chega lá tão rápido e porque ninguém nunca pensou em se mudar para o lugar. A “presidente” se garante com dinheiro, mas ainda não consigo entender o valor do dinheiro nessa configuração de mundo.
O roteiro se esmera em encontrar pontos de tensão para os personagens, e Miles sempre é uma vítima fácil. Todo mundo que ele encontra fala de seu passado terrível, mas efetivamente, não vemos esse vilão todo impresso na rotina da série. A fragilidade de sua relação com Charlie ou com Rachel perde um pouco da verossimilhança, uma vez que absolutamente tudo na sua versão presente, parece verdadeiramente emocional.
Sendo assim, a busca pela ogiva se divide entre uma ação de resgate consideravelmente fácil e personagens do passado de Miles vindo falar de sua reputação. No fim das contas, nada explode, o segredo entre ele e Alec não atinge mais ninguém, e a Georgia ainda ganha um novo general. General esse, que esperamos sinceramente que providencie ações de impacto, e fuja das obviedades mexicanas que Monroe apresenta. Vilões de Revolution… Todos seguindo uma cartilha.
A mitologia enfim, parece ter dado seu recado mais definitivo. Kate Burton aparece com sua maquininha de queimar pessoas e com o endereço da Torre. No diálogo com Rachel, descobrimos que os ácaros chupadores de energia também são curativos. Se eles forem desligados, algumas pessoas podem morrer… Mas enfim… Rachel acha que só agora, 15 anos depois, é a hora de se arrepender desse completo desatino.
Já sabemos por que a energia acabou, como ela acabou e o que fazer para ela voltar. Sendo assim, pra onde vamos? Viver em guerra por mais uma temporada? Com a renovação confirmada, algo precisa estar mesmo dentro dessa torre. Disputas de território infinitas são realmente tão atraentes assim? Para mim não, para alguns de vocês pode ser que sim… O que eu sei é que sofremos a ameaça de vermos desligada a parte mais importante desse programa: sua mitologia.














