“Alguns de nós não conseguem envelhecer com a pessoa amada.”

Spoilers Abaixo:

No episódio anterior ao derradeiro hiato que precede um final de temporada extremamente aguardado, Person of Interest resolveu torturar um pouquinho mais os fãs da série e apostou em mais um caso da semana simples recheado com uma pitadinha de HR apenas para nos deixar salivando pelo retorno da série em 04 de abril.

O caso da semana foi até comum, porém desta vez o roteiro foi bem elaborado e nem de longe cometeu as mesmas falhas vistas em Proteus, sendo o desenvolvimento da trama conduzido de maneira inteligente e não permitindo que o espectador pudesse adivinhar antecipadamente os motivos pelos quais o número de Lou Mitchell havia sido apontado pela Machine. Além disso, o esquema de lavagem de dinheiro gerido pelo mafioso Darien Makris foi muito interessante e nada óbvio, diferenciando o crime de outros já vistos na série. Quem diria que um monte de velhinhos em uma farmácia pudesse estar participando de um esquema de lavagem de dinheiro para o tráfico de drogas, hein?

All in também foi muito hábil em aproveitar a história pessoal de Lou Mitchell para relacioná-la com a de Finch, possibilitando-nos sentir mais uma vez todo o sofrimento e dor de Harold por ter sido obrigado a se afastar de Grace. Foi impossível não sentir pena de Finch e, principalmente, não torcer para que ele escutasse os conselhos de Lou e fosse atrás de Grace, ainda que, assim como John, soubéssemos que isso seria um tremendo erro. Além disso, os diálogos protagonizados por Lou e Finch (tanto os dramáticos quanto os engraçados) foram responsáveis pelos melhores momentos do episódio e conseguiram superar inclusive a trama paralela relativa a HR.

Ah, essa HR filha-da-mãe! Uma vez que não foi exterminada por inteiro, agora seus tentáculos começam crescer por todos os lados novamente e fazer novas vítimas. Agora, além de Simmons e Quinn, ela também possui um cara infiltrado em homicídios (Terney) e ainda conseguiu aliar-se à máfia russa dos irmãos Yogorov, o que significa que voltará a ter verba para fortalecer-se ainda mais. No entanto, quem não deverá gostar nada disso é Elias, que é inimigo mortal dos russos e não deixará barato uma tentativa destes de retomar o que perderam para ele. Guerra à vista? Tomara que sim! Mas será que isso ainda ocorrerá nesta temporada ou ficará para a próxima? Não vejo a hora de ver o nosso vilão carequinha favorito voltando a aprontar das suas!

E as artimanhas da HR para livrar os Yogorov da cadeia voltaram a atormentar Carter, uma vez que ela descobriu que foi Beecher quem denunciou Szymanski à Corregedoria. No entanto, uma vez que sabemos que Cal recebeu a dica de um informante em homicídios, para mim ele novamente foi usado pela HR, visto que deve ter sido Terney quem passou a dica para ele. Será? Enquanto isso a coitada da Carter continua na dúvida e agora ainda está correndo risco pois, como bem disse Fusco, ela pode muito bem ser a próxima vítima da HR.

Fusco que voltou a aparecer porém infelizmente foi pouco aproveitado novamente.  No entanto, mesmo em curta participação Lionel mais uma vez correspondeu e, além de ter dado ótimos conselhos a Carter, ainda foi responsável pela melhor piada do episódio quando a detetive lhe pede para dizer a verdade sobre algo e ele responde daquele seu jeito característico: “Papai Noel não existe. Eram os seus pais”. Chorei de rir nessa…

E falando em personagens que nos fazem rir, eis que o sem vergonha do Miles, ops, do Leon Tao, novamente deu as caras na série. Sua participação como sempre foi boa e engraçada, porém me preocupa que os roteiristas estejam recorrendo a ele muito frequentemente e acabem tornado suas aparições repetitivas. No entanto, vale ressaltar que a própria série acabou fazendo (e bem) piada sobre o assunto quando Tao aconselha os vilões que queriam matá-lo a saírem dali enquanto podiam. O safado já se tocou que sempre que está correndo risco John aparece para salvar seu pescoço, então ao invés de melhorar cada vez apronta mais. Mas ele tomou um baita sustinho na hora da roleta russa, não?

Enfim, All In não foi um grande episódio, porém pode ser inserido na lista daqueles comuns porém bons, tendo servido bem a seu propósito de divertir e segurar um pouco mais a trama para a reta final. O episódio não foi sonolento, soube criar ótimos momentos dramáticos, teve algumas cenas engraçadas, surpreendeu no desenrolar dos acontecimentos e como sempre arrumou um tempinho para explorar um tema dos arcos principais da série. Agora vamos nós nos corroer de expectativa durante duas longas semanas até o próximo episódio, o qual somente pelo título já está prometendo ser de tirar o fôlego!

Observações

– Um roteiro bem feito é aquele que consegue inserir certas cenas no meio episódio para tornar outra no futuro verossímil e All In fez isso muito bem. A cena da roleta russa é um bom exemplo, visto que o episódio primeiro mostrou a habilidade de Lou em manejar cartas para tornar crível a cena em que ele retira a bala do revólver sem que ninguém (inclusive nós) veja.

– Outro grande momento do episódio foi o diálogo final entre John e Harold. Cortou o coração de John e, de quebra, o nosso também.

– E o coitado do detetive Szymanski? O cara mal se recuperou das balas que levou da turma de Elias e já foi assassinado pela HR? E como é que a Machine não previu essa, o crime não foi premeditado? Epa, será essa uma falha feia num roteiro que parecia perfeito?

– Pelo segundo episódio em sequência, John e Finch tiveram de deixar Manhattan, indo parar desta vez em Atlantic City, a Las Vegas da Costa Leste americana, famoso palco de cassinos e lutas de boxe.

– Rachei de rir com os caras interrogados por Reese rolando no chão. Tava com saudade dessas cenas bem humoradas em POI.

 – Foram seis (!!!!!) telas azuis no episódio desta vez, o que me faz acreditar que a quantidade tem direta relação com a proximidade da data do despertar do vírus. Será no próximo episódio? Infelizmente até agora o significado das telas ainda não saiu em lugar nenhum (e olha que eu tô beeem atrasado com a review), porém quem quiser ver as seis telas e acompanhar o andamento das traduções pode clicar aqui e, assim que houver novidades, tentarei postar as informações já nos comentários deste post, ok?

– E já que não tem significado de telas, vamos aos diálogos e frases favoritas do episódio (com exceção daquelas já citadas):

Diálogo 1 (John e Tao):

J: “Precisamos parar com esses encontros.”

T: “Sempre fico feliz em revê-lo.”

J: “Na próxima vez, Leon, eu estarei de férias.”

Diálogo 2 (John e Finch):

J: “Confia em Leon com todo esse dinheiro seu?”

F: “Com certeza, não. Mas acredito que é o custo de se fazer negócios.”

Diálogo 3 (Lou e John):

L: “Acho que vocês não são mesmo da Receita Federal, não é?”

J: “Isso é tão óbvio?”

Frases

“Eu era um espião internacional, Finch. Sei jogar bacará.” (John para Finch)

“Gosta de frutos do mar? Vá pescar.” (Lou para Finch)

“Quando ele jogou minhas chaves em um aquário de crustáceos,tive a impressão de que ele não gosta de ser seguido.” (Finch para John)

“Tinha uma barra de pole-dance naquela coisa. Eu me sinto estranhamente obsceno.” (Tao para John)

“Você me lembra de uma garota… Candi. Alguma vez já pensou em ter cabelo rosa?” (Tao para moça no Cassino)

“Não é como se eu ainda chorasse pela Candi. Mas é sempre a mesma história, sabe? Você acha uma garota que gosta. Ela é alta, bonita, e descobre que alguém a pagou para algemá-lo a uma cama, para que pudessem matá-lo.” (Tao para John)

“Vou envelhecer com ela, Sr. Reese, só que de longe.” (Finch para John)

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