Mais um belíssimo episódio de Monday Mornings cheio de simbolismo, realçando a qualidade técnica de antes sem se perder nos vertiginosos aparatos visuais.

Spoilers Abaixo:


Um ponto extremamente interessante desse episódio consiste na reparação da personalidade agressiva e cômica do Dr. Villanueva, rompendo com um paradigma já estabelecido que permanece até o final do episódio. Após a carga dramática injetada nos minutos iniciais, com filho numa maca a caminho da cirurgia, o personagem renasce com novas camadas, assim como aconteceu com o Dr. Park no terceiro episódio.

O roteiro cria um pretexto na manutenção da relação entre pai e filho, culminando num momento realmente genuíno que só engrandece o Dr. Villanueva. O passeio com o filho é de uma cumplicidade gratificante. Ali, através do ótimo roteiro, somos confidentes da reação de ambos diante de uma promessa.

Do outro lado Dr. Tierney estabelece outro paradigma para o seu personagem. Sua postura alçada diante dos colegas é reduzida entre os pacientes. Sua personalidade é desfeita com atos sutis, mas marcantes. Como o momento em que ele, diante da irmã da sua paciente, confessa a sua frustração. Ele enaltece a sua responsabilidade como médico, mas no fim do expediente ele se satisfaz apenas com um breve elogio, uma demonstração de que o seu esforço teve algum significado e de que ele fez tudo ao seu alcance.

Outro momento marcante está na relação do Dr. Park com o seu paciente.  Ele é dono de uma personalidade ambígua e ágil. Sua precisão é reconhecida por todos. Diferente do Dr. Wilson, que se nega a procura assistência dos colegas, ele avalia cada situação emergencial e confere os instrumentos necessários para a reparação imediata. Esse é o paciente que mais se assemelha a ele. Sua paixão pela música só se compara com a paixão pelo êxito, algo extremamente pessoal para ambos.

Nas manhãs de segunda, o Dr. Tierney ganhou os holofotes e a atenção dos colegas. Mais do que um julgamento, essa foi a porta de entrada para a Dra. Napur brilhar com um dos momentos mais fortes da série, guiado somente pela percepção do amadorismo e da obscuridade da ciência ocidental. Forte e inesperado, o roteiro trata com bastante agressividade a resistência meramente cultural que ainda reside na nossa ciência, que infelizmente rege toda a conduta dentro de um hospital.

E nessa relutância ente a ciência e fé, entre o novo e velho e entre diferentes perspectivas que Monday Mornings consegue se sobressair. É como rever o mesmo procedimento várias vezes e apresentar a melhor versão do que foi apresentado. Até agora, todos saíram ilesos. Mas em algum momento, mesmo que breve, o Dr. Hooten vai bater o martelo.

Peço aos leitores, pessoas que integram o cada vez mais elevado número de fãs da série, que entendam que essa review reflete um ponto de vista de um episódio específico e que isso não resume a minha opinião sobre toda a obra. No episódio passado elogiei a série enquanto apresentava, com argumentos, pontos que eu considero essenciais numa série médica. Mesmo com alguns problemas, Monday Mornings é sim uma ótima série.

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