O terror da minha professora de Ciências.

“O mundo de Beakman” (Beakman’s World) foi um programa infantil que estreou no canal TLC em setembro de 1992. Oi? Mas o Série Maníacos não é sobre séries? Mas você quer ou não quer relembrá-lo? Quero sim! Então…

Zaloom! “O mundo de Beakman” foi uma série que se mudou para a CBS em 1993, durou quatro temporadas, que foram ao ar nos sábados de manhã até janeiro de 1997, e em 1998 foi cancelada. A grande maioria aqui a conheceu através da TV Cultura, que começou a transmiti-la em 1994, mas a série teve passagens pela Record e pelo Boomerang. Teve 91 episódios.

Beakman (Paul Zaloom) era a estrela do seriado. Além de extremamente carismático, seu jaleco verde fluorescente e penteado exótico (como se tivesse acabado de sair de uma explosão! E sim, era peruca) ajudavam na montagem de um personagem cativante para seu público-alvo, as crianças.

A série só se tornou real porque, na época, o presidente americano exigiu que os canais de tv tivessem em suas grades conteúdos educativos. Na época, o período da manhã era ocupado por reprises e desenhos como  “Os Flintstones” e “Os Jetsons”. A série foi cancelada anos depois justamente por estar no ar só por causa dessa lei de cotas, e porque também não dava retorno financeiro.

Assim, baseando-se nos quadrinhos “You Can with Beakman and Jax” de Jok Church, publicados em jornais americanos, onde Beakman tinha uma irmã gêmea, a Jax, nascia esse seriado que marcaria a vida de grande parte das crianças dos anos 90. Jax foi desconsiderada porque os produtores acharam que as crianças poderiam se confundir.

Bom para nós, já que o professor amalucado dividia os holofotes (e as bagunças) com dois outros personagens: Lester (Mark Ritts), um rato de laboratório (finalmente eu entendi porque havia um rato no programa, D’oh!), que na verdade era um ator desempregado que topou ajudar Beakman em seu laboratório, e foi obrigado a usar aquela fantasia com pedaços de queijo colados nas mangas. No começo, Lester era apenas um fantoche, ideia que logo foi descartada.

Além deles, havia também uma assistente, papel que coube à Rosie (Alanna Ubach), Liza (Eliza Schneider) e Phoebe (Senta Moses). Essas trocas aconteceram por decisões das próprias atrizes (vai ver elas pensavam que fazer um seriado infantil não era tão “glamouroso”).

Os episódios se dividiam em três blocos, e o trio lia cartas dos fãs, que na versão dublada tinham nomes como “Paulo Curioso” e “Arnaldo Raio de Sol”. No começo, as cartas eram feitas por eles mesmos, já que o programa teve muitos episódios gravados antes de ir ao ar.

Além disso, Beakman se vestia de cientistas famosos, como Newton, Einstein, Bernoulli, Darwin, Graham Bell e Benjamin Franklin. Ou então dava vida a personagens fictícios, como seu irmão Meekman, Frango Fajuto (que nascia quando Lester unia seu polegar ao seu indicador), professor Chatoff (cabia a ele as definições chatas e formais), Arte Burn (apresentador do “Cozinhando com Arte”), Steve Shallow (apresentador do “O que tem pro almoço”), Vlavaav (hippie que entendia sobre o arco-íris), Homem Equilíbrio (conhecedor da gravidade), entre outros. Em um dos episódios, uma atriz deu vida à sua mãe, ou seja, à Beakmãe (se eu errei algum desses nomes me avisem, pois tive que recorrer a amigos e à internet para relembrá-los).

Além deles havia o casal de pinguins Don e Herb (homenagem a Don Herbert, apresentador de um programa científico da década de 50), que comentava o programa direto do polo sul. A mão do câmera do programa fazia participações especiais também nessas cenas.

Os episódios se guiavam pelas perguntas dos telespectadores, que recebiam as respostas dos mais variados modos. Beakman podia simplesmente respondê-las, ou fazia algum experimento para poder sanar as dúvidas dos fãs.

O trio de personagens vivia num laboratório tão maluco quanto eles. O cenário, bem colorido e divertido, tinha uma tabela periódica em forma de Twister, além da gaiola gigante onde ficavam as cartas. A título de curiosidade, o laboratório possuía 34 globos terrestres, 36 pneus de bicicleta, 14 extintores de incêndio, 5 manequins, 9 torradeiras e 6 troféus de boliche. Além disso, em cada episódio, mais de 5 mil efeitos sonoros eram usados…

 “Parem, parem tudo. Estão ouvindo esse som? Ele quer dizer que está na hora do “Desafio do Beakman!””

Esse quadro era o mais interativo da série, além de ser o ápice de cada episódio. Além de criar perguntas e jogar alternativas para a gente escolher, era nele que Beakman fazia seus experimentos mais malucos. Como não se lembrar da cama de pregos? Mas é claro que como qualquer bom programa infantil, os pais eram sempre solicitados. Chamei minha mãe para fazer papel reciclado no liquidificador!

Toda essa diversão só poderia ter um resultado: sucesso. E a série chegou a receber mais de mil cartas por semana, além de ser transmitida em mais 90 países. Mas mesmo sendo um seriado extremamente criativo, a série não agradava a todos os professores (incluo a minha nesse grupinho).

O motivo era que muito conteúdo “nojento” também estava misturado nessa salada. Mas o próprio Paul Zaloom (o Beakman), quando veio ao Brasil, disse “Que criança não se interessa em saber mais sobre xixi, cocô e flatulência?”. Exatamente.

“O mundo de Beakman” revolucionou tanto o modo de se fazer programas infantis, como os programas científicos também. No fim das contas, a série funcionava tanto para as crianças, como para os mais velhos.

Em outro depoimento, Paul conta que Mark Ritts (o Lester) era a pessoa mais inteligente que ele já havia conhecido. Enquanto no programa Lester era constantemente rebaixado ao nível de um simples rato sem qualquer traço de inteligência, na vida real “o rato” era o inteligente da dupla, formado em Harvard e tudo o mais. Se na série eles viviam brigando, na vida real a coisa era totalmente invertida. E Paul ficou ao lado do amigo em seus últimos meses. Mark faleceu em 2009, vítima de um câncer.

É claro que todos nós aprendemos com esse seriado noções das mais variadas ciências, como química, física, matemática e astronomia, através de uma linguagem direta e fantástica. E pensar que eu já enviei uma carta para o Beakman (não sei o que a minha mãe fez com ela), e que já acreditei em muitos amigos que diziam ter estudado com o Beakman, ou que ele era o professor de ciências da escola do outro bairro. Santa ingenuidade!

Foi com esse seriado que eu aprendi a rasgar uma lista telefônica, a equilibrar garfos num palito de dente, a fazer papel caseiro, que um beija-flor pesa menos que uma moeda, pra que serve a cera do ouvido, porque o céu é azul, como levantar um pote de vidro sem tocá-lo, enfim, que muitas das minhas dúvidas eram as mesmas de crianças por todo o mundo.

Sem sombra de dúvidas, “O Mundo de Beakman” fez parte do conjunto de séries de todos aqueles que foram crianças no início da década de 90, uma época onde a gente tinha que esperar até o dia seguinte para contar aos amigos da escola se o experimento do dia havia ou não dado certo.

E vocês, aprenderam o quê com o Beakman? “BADA BIN, BADA BEN, BADA BUN!”

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