
Depois de uma temporada meia boca, uma final surpreendentemente espetacular!
Ao longo desta temporada de estreia do The Voice Brasil, eu e nosso caríssimo Gabriel Oliveira gastamos boa parte do nosso espaço para tecer críticas honestas mas, infelizmente, não muito elogiosas ao maltratado formato do programa. Por isso, nada mais bacana do que poder contemplar uma final que foi capaz de colocar uma pedra em todos os erros e em toda a desorganização por que passou o reality e simplesmente curtir ótimas performances musicais por parte dos finalistas.
O clima foi bacana, os apresentadores mostraram que era tudo uma questão de adaptação e tiveram um desempenho mais do que satisfatório, os técnicos conseguiram finalmente mostrar um vínculo bacana com seus pupilos (tudo bem que isso aconteceu muito mais nas performances com os eliminados do que na relação entre eles e quem ainda estava no páreo, mas isso é detalhe), e as finalistas, claro, continuaram mandando bem, como sempre.
É verdade que, para chegar a esse momento, foi preciso passar por toda uma burocracia que teria sido desnecessária caso Boninho tivesse planejado o programa minimamente bem para chegar a uma final com apenas as 4 cantoras que interessavam, podendo dar a elas o foco merecido sem precisar perder tempo com Knockout Rounds de última hora – para quem não sabe, os Knockout Rounds são uma fase do The Voice US anterior aos shows ao vivo, em que os participantes são separados em duplas e cantam individualmente em um ringue para que um deles seja escolhido pelo coach para avançar. Senti falta, por exemplo, de um dueto entre cada técnico e seu finalista, algo tradicionalíssimo do formato do The Voice que poderia ter sido feito se já tivéssemos começado com 4 cantoras. Os eliminados poderiam, ainda assim, ter retornado em performances em grupo, sem os técnicos (tudo bem que não dá para reclamar ao ver a maravilhosa Mira Callado cantando com Carlinhos Brown e Sergio Mendes, mas tradição é tradição).
Isso não foi exclusividade do The Voice Brasil. A versão australiana, lamentavelmente, fez a mesmíssima coisa em seu Top 8, e os resultados foram tão previsíveis quanto os brasileiros – todos os técnicos acabam indo com o público e eliminado aqueles que foram salvos por eles próprios na etapa anterior. Independentemente do país em que isso ocorra, acho uma total falta de noção de quem elabora as regras.
Mas não vamos atropelar a cronologia do programa. Sigamos com as performances de cada um dos 8 “finalistas”:
TEAM LULU
2) Késia Estácio – Sinais de Fogo (Ana Carolina)

A esta altura, a classificação é apenas uma questão de gosto pessoal, mesmo, porque tenho tanto Késia quanto Maria Christina em altíssima conta, sendo apenas uma questão de qual estilo me agrada mais. Késia cantou maravilhosamente, como sempre, e transformou a consagrada canção de Ana Carolina em algo completamente próprio, cheio de sua brasilidade, da sua carioquice, coisas que adoro ver. Curti imensamente a performance, e só lamentei o fato de que ela ou Maria Christina precisará sair.
1) Maria Christina – A Namorada (Carlinhos Brown)

Maria Christina me cativa imensamente em cada performance. Aqui, além dos vocais sempre belíssimos e impecáveis, ela demonstrou uma energia muito bacana no palco, coreografou, improvisou e, como sempre, passou sua mensagem. Nos tempos de Ídolos, não havia em Maria Christina essa vontade tão escancarada de defender a bandeira LGBT, e eu fico extremamente orgulhoso de ver a Rede Globo dando essa liberdade à cantora em pleno domingo à tarde. De sua postura à seleção de canções que tem apresentado no programa, Maria Christina mostra que a militância faz parte também de sua identidade musical, e consegue, ao mesmo tempo, entregar uma performance cheia de identidade e ainda homenagear um dos técnicos. Golaço!
FINALISTA – TEAM LULU
Lulu Santos inaugurou a tendência que eu desde o início acreditei que seria seguida no The Voice, e escolheu Maria Christina. Até aí, nenhuma surpresa. Mas o discurso do técnico foi algo tão bacana de se ver, tão bem pensado, inteligente, e cheio de carinho por suas pupilas, que valeu a pena ouvir cada palavra. Comparar Maria Christina e Késia, chamando a primeira de “biscoito fino para as massas” e a segunda de “biscoito massa para os finos” foi uma sacada de extrema elegância, que não desmereceu nenhuma das duas. Palmas para Lulu Santos, que acabou de fato se mostrando o melhor técnico do programa!
TEAM DANIEL
2) Danilo Dyba – Te Vivo (Luan Santana)

Detesto ser repetitivo, mas Danilo Dyba começou e terminou o The Voice Brasil ainda me passando a impressão de ser apenas um sertanejo genérico. Cantar Luan Santana só confirmou essa informação. Luan está longe de ser um grande cantor, mas tem uma força, um carisma quando se apresenta, do qual Danilo não consegue chegar nem perto. Assim, o que vimos foi mais uma apresentação competente, mas extremamente morna, longe do nível que esperamos de uma final.
1) Liah Soares – Pra Ser Sincero (Engenheiros do Havaí)

Liah tem absolutamente todos os requisitos necessários para ser uma competidora de destaque em um reality: é boa cantora, tem identidade e trata cada apresentação que entrega como uma verdadeira artista! Cada uma de suas versões é só de Liah, e ninguém nunca viu ou vai ver uma interpretação da mesma música parecida com a dela. Liah não se contenta com covers, e sempre faz alterações agradáveis e hipnotizantes em toda a sua trajetória no programa. O mesmo aconteceu aqui, e, embora os vocais não estivessem tão “na mosca” quanto em sua magnífica versão de “Asa Branca”, continuaram muito bons e dignos de tudo o que Liah conquistou no programa. Não há nem como cogitar a hipótese de Liah não ser a finalista de Daniel.
FINALISTA – TEAM DANIEL
Daniel não falou muito, mas fez a escolha certa, mantendo a tendência de atender ao público. Mas mesmo que Liah não tivesse sido escolhida pelo público no programa anterior, Daniel tinha a obrigação de levá-la para essa final. Por isso, só pude me alegrar ao vê-la se classificando.
TEAM MILK
2) Thalita Pertuzatti – Quem de Nós Dois (Ana Carolina)

Estranhei um pouco a escolha musical de Thalita, mas, diante do histórico da cantora, decidi dar crédito e confiar que ela sabia o que estava fazendo. E isso de fato estava acontecendo, com uma bela e emocionante performance vocal, como Thalita sempre faz. Mas, no finalzinho da música, por algum motivo que desconheço, Thalita decidiu mostrar que consegue gritar. E nós sabemos que consegue, e nunca reclamamos disso antes. Mas, nessa apresentação específica, não havia necessidade de descaracterizar a canção da forma como Thalita descaracterizou. O grito final ficou feio, Thalita arriscou, mas arriscou errado. E no pior momento possível. Acabou manchando sua até então impecável trajetória no programa.
1) Ju Moraes – A Menina Dança (Novos Baianos)

O produtor musical Torcuato Mariano disse tudo no vídeo de apresentação de Ju Moraes: ela canta com o corpo inteiro, e não apenas a voz. Acredito que seja extremamente mais interessante ver Ju ao vivo do que ouvir apenas um CD seu, porque é justamente sua movimentação, sua ginga, sua presença de palco, o que torna suas performances são ricas. Mais uma vez, Ju acertou em cheio na escolha musical, que permitiu que ela mostrasse todos os seus pontos fortes e sua ginga, ao mesmo tempo em que mandava bem nos vocais. É verdade que a música não exigiu demais da voz da cantora, mas nem sempre isso é o mais importante em uma performance, principalmente se ela for executada com o carisma e a competência de Ju Moraes.
FINALISTA – TEAM MILK
Claudinha escolheu Ju Morais como sua finalista, como não poderia deixar de ser diante das performances. Foi a terceira a acompanhar o público, o que, a esta altura, já deixa mais do que claro que essa é a tendência de todos os técnicos.
TEAM BROWN
2) Ludmillah Anjos – O Canto da Cidade (Daniela Mercury)

PÁ!!! Ludmillah Anjos pode até não ter sido melhor do que alguns cantores que deixou para trás, mas ela é tão bafônica carismática e nos diverte tanto que nós até perdoamos, não é verdade? Adorei a escolha dela, achei que ficou tudo a cara da cantora, que executou a performance com extrema competência e seriedade sem perder o carisma que a gente ama. É tranquilamente minha performance favorita de Ludmillah no programa!
1) Ellen Oléria – Anunciação (Alceu Valença)

Tão impressionante quanto tudo o que Ellen Oléria faz foi ver a Rede Globo identificando, por escrito a namorada da cantora na plateia em plena final. Fiquei surpreso, não pelo fato de a cantora ser homossexual, fato que já era conhecido, mas sim por ver a Globo seguindo à risca a filosofia do The Voice e não tendo pudores ou escondendo quem seus candidatos são de verdade. A performance, como sempre, foi sensacional, da escolha musical à execução de Ellen Oléria. Ela pega realmente o espírito da canção, e isso pode ser percebido em cada pequeno momento, como quando ela entrega um discreto agudo em volume baixo logo após cantar a palavra “sussurra”. Mas, no final, é a força de Ellen Oléria que prevalece, força essa que não vem da simples vontade de vencer o programa. É paixão, é garra, é entrega ao que está fazendo. Essa é Ellen Oléria, o grande nome da primeira temporada do The Voice Brasil!
FINALISTA – TEAM BROWN
Sei que chamar Carlinhos Brown de desnecessário é extremamente redundante, mas o fato é que nunca houve perda de tempo maior do que a enrolação que ele fez nessa decisão, já que toda a torcida do Flamengo, do Corinthians e de todos os clubes do país já sabiam que Ellen Oléria seria a escolhida.
AS QUATRO FINALISTAS
A conclusão da história foi: o The Voice Brasil acabou entregando a segunda final indiscutivelmente justa da história dos realities musicais brasileiros (estou contabilizando aqui a segunda temporada do Ídolos no SBT), e uma das finais mais justas de todos os realities musicais dos últimos anos (curiosamente, só penso o mesmo das primeiras temporadas das versões norte-americana e britânica do próprio The Voice). Coincidentemente, no caso do Brasil, esta foi também a segunda final 100% feminina, o que, sem dúvida, é um avanço e até atesta a competência dessa mulherada, já que elas costumam precisar fazer infinitamente melhor do que os homens para que recebam votos do público.
Vale, aqui, explicar minha concepção de “justa”. Quando uso essa palavra, estou utilizando o critério que leva em conta unicamente as performances dos artistas no palco do programa, e não o que eles dizem fora delas, seja em VTs, seja em entrevistas, seja beirando a eliminação. Ou seja, a “justiça” a que me refiro considera apenas talento e competência, e não simpatia e popularidade, características que, claro, muitas vezes acabam pesando até mais do que o dom de cantar, mas, por meus critérios pessoais, considero secundárias.
Assim, digo com tranquilidade que Maria Christina, Ellen Oléria, Ju Moraes e Liah Soares eram as melhores de seus respectivos times, e é com bastante alegria que as vi indo até o fim. Vamos, então, a suas últimas performances?
4) Liah Soares – Tente Outra Vez (Raul Seixas)

Não sei se já disse aqui (é provável, mas me confundo porque nas reviews do The Voice US eu digo quase toda semana), mas detesto corais de igreja cantando em reality shows! A boa notícia é que, na apresentação de Liah Soares, o recurso foi usado na medida certa, e em momento nenhum ofuscou a cantora, nem vocalmente, nem no palco. “Tente Outra Vez” é uma música arriscada para tentar conquistar o público mais fiel de reality shows musicais, já que Shirley Carvalho se consagrou plenamente com essa música no Ídolos 2007, ainda no SBT. Mas Liah não só deu conta do recado, como apresentou uma versão um pouco diferente, menos agressiva vocalmente, mais delicada, o que pode ser observado plenamente no refrão. Liah já fez muito melhor em sua trajetória no programa, e por isso está em quarto lugar aqui, mas ainda assim continua ótima!
3) Maria Christina – Eu Comi a Madonna (Ana Carolina)

CHOCADO é a palavra para descrever meu estado com essa apresentação. Não me canso de dizer que estou positivamente surpreso com o The Voice por permitir que Maria Christina levante sua bandeira tão livremente. Mais uma vez, a apresentação foi cheia de personalidade e, como já de praxe nas apresentações da cantora, vocalmente impecável. Mesmo com a vencedora já definida há tempos, minha torcida, que estava dividida entre Maria Christina e Liah Soares, acaba de ir de vez para a primeira.
2) Ju Moraes – Verdade (Zeca Pagodinho)

Eita sambinha bom! Mesmo não sabendo sambar (só se for pra sambar na cara da sociedade! rs), sou fã do nosso bom e velho samba, sou fã de Zeca Pagodinho e, claro, sou fã de Ju Moraes. Excelente maneira de encerrar sua participação no The Voice Brasil, com toda a sua brasilidade e sensualidade, que está longe de se resumir à beleza física de Ju, incluindo também sua enorme presença, seu estilo inconfundível diante das demais finalistas e, claro, sua linda voz. Não tivemos apresentações ruins nessa final, mas Ju sem dúvida conseguiu finalizar esse programa com um belíssimo carimbo, estampando o The Voice Brasil com sua identidade.
1) Ellen Oléria – Taj Mahal (Jorge Ben Jor)

Como pode esse vozeirão, essa segurança, essa luz imensa que Ellen Oléria emite quando canta? Nada mais justo para quem se consagrou no programa já durante as audições às cegas com Jorge Ben Jor, terminar também com essa belíssima homenagem ao intérprete. Ellen Oléria venceu o programa lá atrás, com “Zumbi”, e isso pode até me fazer reclamar pela previsibilidade do programa, mas, na verdade, a questão é que ela continuou ganhando semana após semana em que se apresentou. Em plena final, não foi diferente. Ellen não deixou a peteca cair em nenhum momento, e, diante disso, não há como questionar seu mérito para ser a primeira cantora coroada no The Voice Brasil.
Finalizadas as apresentações das finalistas (e a diversão que foi ver Dani Suzuki dizendo que Maria Christina conseguiria ganhar até a Madonna caso ganhasse o programa), chegamos ao momento dos duetos/”trietos”, que também considero que merecem alguns comentários, de leve, da minha parte.
Daniel, Alma Thomas e Carol Marques – Te Amo Cada Vez Mais (João Paulo e Daniel)

Gostei da volta de Carol Marques e Alma Thomas, duas vozes que certamente marcaram o Team Daniel. A apresentação foi ok, quase burocrática (ou seja, a cara do Daniel durante todo o programa, na verdade), mas valeu a reunião da equipe.
Claudia Leitte e Ana Rafaela – Bem-vindo Amor (Claudia Leitte)

Não vou nem comentar a escolha da sem sal Ana Rafaela para cantar com Claudinha quando tivemos tanta gente boa eliminada desse time (Bella Stone, Grace Carvalho e até Gustavo Fagundes, estou olhando pra vocês). Ao menos ela cantou bem direitinho e a apresentação foi linda.
Sergio Mendes, Carlinhos Brown e Mira Callado – Mas Que Nada (Jorge Ben Jor)

Mira Callado foi, sem dúvida, a melhor escolha de retorno desta final! Eu já estava morrendo de saudades de ouvi-la, e fiquei muito feliz quando ela surgiu no palco (não sei se os eliminados que retornariam foram divulgados em algum lugar, mas eu não havia visto nada a respeito). Verdade, foi estranho quando ela entrou no tom errado, mas ficou claro que a cantora sofreu problemas técnicos – aparentemente, ausência de retorno – quando ela retirou o ponto da orelha. Ainda assim, Mira conseguiu entregar uma belíssima apresentação, com uma leve – e correta – dose de sua sensualidade característica, e Carlinhos Brown foi generoso suficiente para deixá-la brilhar tanto quanto merecia. Perdão aos que não gostam, mas suspirarei eternamente por Mira Callado (ainda mais depois de ela ter feito a Fergie naquele finalzinho da música).
Lulu Santos, Marquinho Osócio e Gabriel Levan – Sossego (Tim Maia)

Mais uma excelente seleção para essas apresentações da final. Marquinho e Gabriel sem dúvida marcaram o programa, e este último, na minha opinião, foi precocemente eliminado. A apresentação contou com todos os gritos e firulas a que teve direito, não só vindas de Gabriel, mas, claro, principalmente dele, o que considerei perfeito para o clima despretensioso de uma performance como essa. Gabriel saiu por cima, com estilo, e isso é o mínimo que ele merecia no programa.E chegou a fatídica hora. O resultado que todos aguardávamos.
E A VOZ DO BRASIL É…
ELLEN OLÉRIA!!!!!!
Oh, que surpresa, só que ao contrário, não? Ellen tinha a vitória nas mãos desde a estreia do programa, e todos sabíamos disso. Mas essa previsibilidade não reduz, sequer minimamente, o merecimento da cantora de ter conquistado esse título. Ver uma vencedora mulher, negra e assumidamente homossexual conquistando o Brasil nas tardes de domingo é, sem dúvida, uma pequena vitória cultural para as minorias do país, mas, acima de tudo, é a vitória do talento, da voz e da música brasileira. No fim, o perfil da vencedora é apenas um bônus. Isso é o que importa.
Só estranho um pouco ver Tiago Leifert, depois de um desempenho tão elogiado por mim, dizer que a vitória foi “com muita justiça”. Extremamente desnecessária essa insinuação de que Ellen está um patamar acima das demais finalistas, mesmo que isso seja verdade. Tiago não é um técnico, não é um crítico, não é um cara com background musical, e não foi contratado para julgar artistas ou performances. Por isso, nada mais inapropriado do que vê-lo, no último momento do programa, ainda sem compreender qual a sua verdadeira função ali. Mas tudo bem, teremos esquecido esse erro crasso até a próxima temporada.
Antes de terminar, gostaria de uma rápida dinâmica para refletirmos sobre a primeira temporada do The Voice Brasil, naquele conhecido formato “sobe e desce”, apenas para deixar claro o que eu acho que deu certo, e o que precisa urgentemente melhorar para a próxima temporada.
SOBE
Talento
Por mais que tenhamos nossas preferências dentro do programa, é inegável que o nível dos artistas do The Voice Brasil deu um banho nas duas últimas temporadas do Ídolos, e ainda fez com que as 4 finalistas fossem as mais merecedoras do posto. Impossível encontrar algum defeito nessa área.
Música
Brasileira ou estrangeira, essa superdose de música de qualidade em nossas tardes de domingo foi realmente uma bela refrescada na terrível programação da TV aberta brasileira. Ponto para a Rede Globo!
Ana Carolina e Jorge Ben Jor
Como esse povo cantou músicas deles, não?
Lulu Santos
Ele começou como os outros, com um feedback bastante genérico e sem muito critério para virar. Porém, ao longo do programa, foi se consolidando como o artista mais técnico da bancada, com várias observações sobre as performances vocais e musicas de cada artista e critérios bastante objetivos e justos para manter ou eliminar seus candidatos. Apesar das pequenas crises de ego inflado em certos momentos (que coach do The Voice US nunca teve uma dessas, não é verdade?), Lulu Santos se consagrou como o melhor da bancada. De longe.
Dani Suzuki
A apresentadora e atriz teve o papel mais ingrato do The Voice Brasil: cuidar da terrível salinha de mídias sociais, característica intrínseca à franquia. Mas ela fez isso de forma bacana, divertida e dinâmica, sem cansar o espectador, muito diferentemente das terríveis apresentadoras das versões dos EUA e Australia, que parecem duas antas fazendo perguntas imbecis para os candidatos. Ponto pra Dani Suzuki!
Tiago Leifert
Apesar dos deslizes, Tiago Leifert sambou na cara de todos que achava que, por vir de uma área completamente diferente da música, o apresentador não seria capaz de fazer um bom trabalho no The Voice. Mas, com seu jeito descontraído e bacana, ele acabou nos trazendo leveza e descontração a um programa que parecia estar beirando o desastre, salvando nossas tardes e até nos dando paciência para aturar Carlinhos Brown em vários momentos.
Preta Gil e Luiza Possi
Elas participaram brevemente do programa, apenas como auxiliares na fase de batalhas, mas mostraram mais carisma e capacidade de contribuir com o crescimento dos pupilos do que os próprios técnicos . Por mais que Preta Gil tenha sido extremamente grossa ao dar um esbrega em Gabriel Levan, ela não tinha medo de ser honesta, e isso ajuda demais. Já Luiza conseguiu dizer tudo o que precisava ser dito de forma extremamente classuda. Ambas fizeram, e vão continuar fazendo, muita falta.
DESCE
Peguei
Uma das sacadas mais geniais do The Voice norte-americano foi o principal problema da versão tupiniquim. Mas não pela regra em si, e sim pela falta de noção e planejamento por parte da produção. Não é só enfiar um twist nas regras, precisa saber usá-lo. O fato de a possibilidade de alguém ser de fato eliminado na etapa de batalhas ser minúscula deixou essa fase completamente enfadonha e desinteressante, e entendo perfeitamente quem largou o programa nesse momento.
Regras de eliminação
O problema causado pelo Peguei se arrastou durante toda a etapa de shows ao vivo, chegando até a final do programa. Excesso de cantores, tempo ridiculamente pequeno de votações, falta de um results show decente e até mesmo tratamentos diferentes para cada artista, submetendo-os a regras diversas entre si em uma mesma etapa do programa, tudo o que a gente pode – e muita coisa que não pode – imaginar compôs esse samba do crioulo doido que foram as regras do The Voice. Isso PRECISA mudar em 2013!
Daniel
Ele é bacana, ele é educado, ele é galã, ele é considerado um príncipe. Mas ele não tem critério para virar, ele não fala absolutamente nada interessante, e ele ainda arrasta um sertanejo completamente genérico até o último programa, consagrando-se como o técnico mais desnecessário da bancada.
Carlinhos Brown
Gosto dele, mas precisa ser amarrado e amordaçado na próxima temporada.
BBB Voice
O curto período de votação, o momento em que os números abriam (antes de qualquer um começar a cantar) e fechavam (pouquíssimo tempo depois de o último cantar), e a ausência de um results show decente destruíram a chance de avaliarmos as performances da semana antes de votar. O desempenho semanal dos cantores tornou-se algo secundário e, principalmente nas primeiras fases de shows ao vivo, o critério de votação acabava descambando para o mais simpático, o mais sorridente, o mais bonito. Assim não pode, Boninho, assim não dá!
A segunda temporada do The Voice Brasil está programada para estrear em julho de 2013. Aparentemente, todos estarão de volta: Lulu Santos, Carlinhos Brown, Claudia Leitte, Daniel, Tiago Leifert, Dani Suzuki e, claro, Boninho. Por isso, resta torcer para que eles ouçam o público e voltem muito melhores do que foram em 2012. Ainda assim, diante da qualidade musical que invadiu nossas casas, preciso dizer que o balanço do programa acabou ficando positivo.
Acho que posso falar tanto em meu nome quanto no do Gabriel ao agradecer a todos que acompanharam nossas reviews do Série Maníacos, e à paciência com os atrasos que acabaram ocorrendo. Especificamente nesta review final, explico-me dizendo que estou em viagem, com acesso à internet consideravelmente restrito, por isso ficou muito difícil entregar rapidamente a review. Minhas desculpas sinceras a todos que aguardaram e, mais uma vez, obrigado!














