
100% Testosterona!
Home Improvement, uma série feita de homens para homens. Ou quase isso. Foram ao todo 204 episódios, divididos em oito temporadas, as quais foram ao ar entre setembro de 91 e maio de 99, na ABC. Essa comédia também fez muito sucesso, tanto que foi o programa mais assistido na TV americana durante a temporada 93/94. No Brasil, a série já foi transmitida pelo Sbt, pelo Canal Sony e pelo Disney Channel. Além disso, já foi trabalhada aqui no país sob o nome de “Gente pra Frente”.
Tim “The Tool Man” Taylor (Tim Allen) era o protagonista da série, e era o apresentador do programa “Tool Time”, sobre dicas de reforma, tal como trocar lâmpadas, repaginar cadeiras e instalar um chuveiro. É difícil rotulá-lo em poucos adjetivos, mas vamos lá: Tim era macho, daqueles que estufam o peito, engrossam a voz, e produzem sons animalescos. Sim! Tim vivia grunhindo, latindo, uivando, ou imitando um homem das cavernas. Esse era o seu modo de extravasar virilidade.
Além disso, ele usava o programa para esquecer problemas familiares, e para fazer uma das coisas que ele mais curtia: trabalho manual e ferramentas. O problema era que toda essa sua prepotência o fazia entrar em enrascadas a cada programa, porque ele não sabia tanto sobre o assunto, e nunca seguia os procedimentos de segurança. Seu lema, acompanhado pela plateia, era “More Power!”. Uma das graças era que essa mesma plateia achava que os acidentes (reais) eram propositais, e que Tim os produzia como forma de aprendizado. A outra era que, por frequentar tanto a sala de emergência do hospital, ele tinha benefícios, assim como um cliente de supermercado fiel.
Jill Taylor (Patricia Richardson) era sua esposa e a típica mãe que criou muito bem os filhos, mas queria ter um emprego e independência. Apesar de ótima mãe, Jill era péssima cozinheira. De família militar, usava essa bagagem para botar ordem na família quando necessário. Era muito inteligente, estudou psicologia e era voluntária na biblioteca da cidade. Feminista, tentava gostar de esportes, mas gostava mesmo era de teatro e ópera. Sua missão era fazer com que seus quatro homens fizessem a coisa certa sempre. Tinha um humor diferente do de seus filhos e marido, e adorava carros.
Brad (Zachery Ty Bryan), o mais velho, era o mais forte e atlético dos irmãos. Mas era também o menos esperto dos três, o que o fazia entrar em muitas encrencas. Parou na delegacia por jogar pedras nas janelas de uma casa abandonada, e também já foi pego com maconha. Dos três, é o mais parecido com o pai, e gostava de ajudá-lo na garagem. Se dá bem no futebol, mas seus pais insistiram que ele fizesse uma faculdade, mesmo com tantas propostas de times. Mesmo com uma lesão no joelho, acaba ganhando uma bolsa. Era apaixonado pela “Tool Girl” Heidi.
Randy (Jonathan Taylor Thomas), o do meio, era o mais inteligente dos três, o que fez com que ele terminasse algumas matérias antes do tempo. Herdou do pai a comicidade, e vivia fazendo piadinhas e comentários engraçados. No começo, por ser o palhaço, fez aulas de teatro. Ao longo da série ficou mais baixo que os irmãos, e isso acabou virando motivo de piada. Ajudava o pai quando sua mãe estava brava com ele, e passou a gostar de causas sociais. Virou vegetariano, e teve uma única namorada, Lauren, ao contrário das várias de Brad, e vai com ela para a Costa Rica.
Mark (Taran Noah Smith) era o sensível. Era o alvo das brincadeiras dos irmãos, mas quando estava do lado deles, acabava sempre os dedurando. Por causa dessa solidão, vira gótico na adolescência, em busca de atitude e posição social. Gostava de produzir filmes, e acaba filmando um de terror nessa sua fase gótica, a qual acabou antes do fim da série. Gostava de karatê e se tornou chef de cozinha. No começo da série, era escoteiro. Com a ausência de Randy, Mark acaba se aproximando do irmão Brad na última temporada.
Essa era a família Taylor, que dividia o teto de uma típica casa americana, no subúrbio de Detroit. Na casa ao lado, morava Wilson W. Wilson (Earl Hindman), o vizinho que nunca mostrava os lábios. Quando criança, seus pais não o deixavam conversar com os vizinhos, e por isso ele conversava tanto, depois de adulto. Viajou o mundo e tinha doutorado em cultura e línguas estrangeiras. Tinha vários artefatos, e uma sobrinha que apareceu bastante depois da sétima temporada, quando ela vai morar com o tio. Wilson era o conselheiro de Tim, o qual escutava cada lição dada, mas que nem sempre eram compreendidas claramente.
Tim dividia a apresentação do programa com seu assistente Al Borland, e uma linda ajudante (ou “Tool Girl”), que nas duas primeiras temporadas foi a Lisa (Pamela Anderson), e depois foi a Heidi (Debbe Dunning). Pamela saiu para estrelar aquela famosa série sobre salva-vidas.
Albert E. “Al” Borland (Richard Karn) tinha uma personalidade oposta a de Tim. Sempre sugeriu que deveria ser o apresentador do Tool Time, e era filhinho da mamãe, passando a vida a agrandando. Ela morre no fim da série, de ataque do coração, quando Al diz que vai se casar. Ficou noivo de Ilene por um bom tempo, mas acaba se casando com Trudy. Tinha um irmão, Cal, que só surgiu na história porque um fã mandou uma foto aos produtores do show mostrando o quão era parecido com Al.
O número não foi sempre o mesmo, mas Tim tinha seis irmãos. Marty Taylor (William O’Leary) era o mais novo, e considerava Tim um pai. Não conseguia um emprego fixo, era casado e pai de gêmeas. Ele se se separa, e passa um tempo na casa do irmão com as filhas até conseguir um emprego decente. Já Jeff Taylor (Thom Sharp) era o mais velho, e era um homem simples e careca, motivo de zoação por parte de Tim. Também tinha problemas em encontrar um emprego, até fazer um investimento na empresa de Tim.
Havia ainda Harry Turner, dono de uma loja de ferramentas, onde Tim gastava muito de seu tempo e dinheiro. E lá mesmo ele encontrava seu amigo de longa data, Benny Baroni. Home Improvement se diferencia de outras comédias por um simples motivo: ao mesmo tempo em que seus personagens (em especial as crianças) evoluíram ao longo dos anos, ela nunca deixou a chama de suas origens apagar. Do começo ao fim, ríamos dos acidentes, choques, destruições, explosões e erros de Tim.
Além de tudo o que já foi dito desse protagonista, Tim nos fazia rir por mais outras razões. Adorava botar na conversa o peso de sua sogra, assim como da mãe de Al. Seu assistente de palco sempre foi o alvo de piadas, por causa de suas camisas de flanela, de sua barba, de seu peso, e de seu jeito mais introspectivo. Característica recorrente na série, Tim tinha dificuldades em aprender novas palavras, muitas vezes pedindo para repeti-las, ou mesmo trocando sílabas e letras.
Fora do show, Tim realmente gostava (e mandava bem no conserto) de carros. Passava uma temporada inteira parafusando um motor em sua garagem, momento que usava para refletir, e também para dar lições aos filhos. Ao final, a série mostrava o carro completo (não me lembro quantos foram).
Era obcecado com esportes e torcia para todos os times de Detroit. Era comum episódios que envolviam algum jogo, ou reunião de amigos para assisti-los. E era fanático pelo Halloween e pelo Natal (vai ver por isso ele fez filmes do gênero, rsrs), competindo com os vizinhos pela casa mais enfeitada, competição a qual nunca ganhou.
O episódio piloto já começa com a apresentação do Tool Time, com toda a macheza e grunhidos de Tim. Enquanto Jill tem uma entrevista de emprego, Tim fica de babá dos filhos, e resolve dar uma potência à máquina de lavar da família. No fim das contas ela não consegue o emprego e Tim quebra a máquina, após levar um choque e correr para a garagem, numa das cenas mais emblemáticas da série.
Relembrando alguns episódios, há aquele onde o casal sai para um passeio romântico e, na falta de babás, um mágico fica encarregado de cuidar dos pentelhos. No fim, ele acaba preso dentro de sua própria caixa mágica.
Há também aquele onde Tim, como sempre, quer assistir ao jogo, e Jill decide que é hora deles fazerem seus testamentos. Se Tim tinha como lema “More Power!”, o de Al era “I don’t think so, Tim!”. Em um dos episódios, a plateia do programa é composta por um fã clube de Al, e todos gritam esse lema ao mesmo tempo.
Em outro, Tim convida os amigos para assistir ao Super Bowl, enquanto Jill está de cama. A tv da sala queima, e todos vão para o quarto dela, para usarem a outra tv. Há também aquele onde o ex-professor de Tim corteja a mãe dele, deixando-o todo enciumado, aquele onde Tim volta para a casa com um pedaço de mesa colado em sua testa, outro onde ele derruba a tartaruga de Al no cimento, mais um onde Al e Tim são presos por revenderem ingressos de um jogo de hóquei, e um outro onde é Heidi quem fica enciumada, com a volta de Lisa. Num episódio de comemoração de aniversário do Tool Time, Al aparece sem barba, e Tim aparece todo barbado.
O humor era sempre presente, mas a série mostrou alguns episódios bem emocionantes. Cito dois deles, um quando descobrem um caroço no pescoço de Randy, e o câncer é uma das opções. Até descobrirem que o problema era hipotiroidismo, o garoto chora muito e questiona a vida. O segundo, já na última temporada, é quando Jill descobre um problema em seu útero, e acaba retirando os ovários. Tim vai ao fundo do poço nesse episódio duplo.
Home Improvement levou Tim Allen ao estrelato, assim como outros atores do elenco. A série foi indicada a alguns Globos de Ouro e Emmys, e Tim ganhou o seu Globo em 95. Alan Jackson, Jay Leno, Michelle Williams, The Beach Boys, além de vários astronautas, foram algumas das participações especiais.
No último episódio, o produtor do Tool Time decide transformar o programa numa espécie de “Casos de Família”, e Tim se demite por não querer ser uma Cristina Rocha. Ocorre também o casamento de Al com Trudy no jardim dos Taylor, e a cerca que dividia esse jardim com o de Wilson é retirada para mais espaço. Esse personagem, que além de esconder os lábios por trás da cerca, escondia também por meio de objetos, máscaras e da posição das câmeras, acaba finalmente aparecendo por inteiro, na última cena, quando os atores se despediam para a plateia presente.
Infelizmente, Randy (Jonathan Taylor Thomas), não apareceu no series finale. Essa história da Costa Rica aconteceu porque o ator queria se dedicar aos estudos. O telespectador só pôde matar essa saudade dele através dos muitos flashbacks presentes nesse último episódio, que teve um pico de audiência de 35,5 milhões de telespectadores, entrando para a história como (os números podem esta desatualizados) o décimo final de série mais assistido na história da tv americana.
Heidi, Al e Tim se reuniram num especial em 2003, para relembrar as melhores cenas da série. Em 2011, todo o elenco se reuniu para a revista EW, incluindo o filho do meio. Tim Allen está atualmente na série Last Man Standing, e Richard Kam (o Al) acertou uma participação especial em 2013, interpretando um arquiteto. Eu não conheço essa série, mas li que ela vai bem na audiência, tanto que fechou sua primeira temporada com 18 capítulos, cinco além do programado (novamente, quem a assiste poderá nos ajudar).
Essa era Home Improvement (quase chamada de Hammer Time), uma série divertida de humor inocente, e extremamente familiar. Seu protagonista, que dava vida ao estereótipo do homem americano, amante de ferramentas, carros e esportes, era, no fins das contas, muito mais do que isso. Era um pai palhaço, que tinha uma única missão em sua vida: fazer seus filhos, e nós também, jamais tirarem o sorriso do rosto e o brilho dos olhos.
“Does everybody know what time it is?”
PS1: Obrigado a todos vocês que compartilharam a informação de que The Nanny está passando no canal Comedy Central. Sempre que vocês souberem de algo a mais, comente para que eu e os outros leitores possam se informar.
PS2: Saiu há alguns dias! Três é Demais volta ao Sbt em janeiro de 2013!
PS3: Eu sei que dessa vez o texto ficou bem grande. Na primeira versão ele tinha o dobro desse tamanho, resumi muita coisa, mas mesmo assim… enfim, obrigado pela paciência.
PS4: Happily Divorced ou Last Man Standing? Qual é melhor? As duas vivem à sombra de seus protagonistas famosos ou vale uma review?
PS5: Esse é o último Baú das Séries que eu (pelo menos eu) escrevo em 2012. Mas voltarei em 2013, e algumas séries já estão na lista. Prometo me esforçar para entregar um trabalho ainda melhor. É isso. Bom Natal e Bom Novo Ano!











