
“A polícia o chama de “o homem de terno”. Ninguém viu o rosto dele, ninguém sabe o nome dele, nem sei se ele existe mesmo. Mas ele é como um personagem dos quadrinhos.Quanto pessoas estão em apuros, ele surge do nada. Parece que ele chega sempre na hora certa. Quem quer que ele seja, já salvou muitas vidas. E ele atira em muitos joelhos.”
Spoilers Abaixo:
Após uma pequena queda de qualidade em relação ao usualmente apresentado pela série na semana anterior, Person of Interest retornou ao seu ritmo normal e exibiu um delicioso episódio, à altura daqueles apresentados na segunda metade da primeira temporada.
Em “Bury the Lede”, todos os elementos que frequentemente recheiam a série estavam presentes. Ação, humor, uma ótima personagem como caso da semana, participações importantes e relevantes dos coadjuvantes, elementos de tramas secundárias e, principalmente, excelentes diálogos entre os personagens. O episódio foi tão bom que, apesar de “The Contigency” e “Bad Code” terem sido ótimos, arrisco-me a dizer que talvez “Bury the Lede” tenha sido o melhor desta temporada.
Os acertos do episódio começaram com a escolha da repórter Maxine Cross como Social Security Number da semana. Bem caracterizada e interpretada pela linda e charmosa Gloria Votsis, a personalidade de Maxine (no melhor estilo Lois Lane) permitiu ao roteiro criar diversas situações a partir das características e ações da personagem e, desta forma, utilizar praticamente todos os recursos que a série dispõe para entreter seus fãs.
Os ótimos diálogos entre os personagens, que sempre foram uma característica da série e andaram um tanto escassos, voltaram com força total, principalmente entre Reese e Finch. A interação entre a dupla parece ter retornado aos velhos tempos, porém agora que a amizade entre eles está mais sólida e declarada, as trocas de farpas parecem estar um pouco menos ácidas e agressivas, tendo sido substituídas por “cutucadas” bem humoradas típicas entre melhores amigos do sexo masculino. No entanto, apesar da leve mudança (que é natural e condizente com os rumos que a amizade entre John e Harold vem tomando), o importante é que elas continuam sarcásticas e engraçadíssimas, mantendo a qualidade de sempre.
Contudo, o humor e os diálogos divertidos não se resumiram à interação entre John e Harold. O reaparecimento de Zoe Morgan também foi divertidíssimo e a maneira como ela deixou John sem jeito no restaurante foi absolutamente hilária. E se no final da primeira temporada Zoe já havia deixado um tanto claro para Harold seus sentimentos em relação a John, desta vez ela parece ter deixado a discrição de lado e partido de vez para cima de Reese. Finch quis usar Zoe como “ameaça feminina” para fazer Maxine se interessar por John, mas pelo jeito o veneno acabou servindo para os dois lados! Bom para a série, que assim adiciona mais uma trama secundária ao seu já vasto conteúdo e vai adquirindo cada vez mais bagagem para desenvolver novos episódios, além é claro de firmar definitivamente Zoe Morgan como uma personagem recorrente importante e que deverá reaparecer com frequência em episódios futuros.
E por falar em reaparecimento, dois outros personagens importantes também deram as caras em “Bury the Lede”: o agente especial Donnely, do FBI, responsável pela caça a John, e o corrupto policial Simmons, pertencente à ferida, porém não derrotada HR.
A volta do agente Donnely, apesar de não relacionada à caça de John desta vez, foi muito importante para desenvolver o personagem e dar a ele mais consistência para permitir seu reaparecimento em episódios futuros. Confesso que na temporada passada Donnely parecia ser um pouco ingênuo e não possuir a inteligência e capacidade para trazer problemas a Reese, porém sua firme atuação neste episódio (principalmente nas cenas com Maxine) eleva o personagem a outro patamar, fazendo com que futuras ações do FBI para capturar John tornem-se mais verossímeis.
Quanto a Simmons, sua aparição foi ótima não apenas pelo personagem já estar estabelecido como um grande vilão da série, mas também para ajudar a recolocar a HR na trama e inseri-la em um novo patamar de ameaça, indicando que desmantela-la será muito mais difícil do que parecia. Além disso, a revelação de que o verdadeiro cabeça da HR, Quinn, é “apenas” um gerente de campanha ainda reforça a teoria já pregada por Elias de que um bom chefe de organização criminosa é aquele que se mantém discreto, sem aparecer (o famoso “low profile”). Quinn sabe que não precisa estar sob os holofotes para comandar ou conseguir atingir seus objetivos, pois o verdadeiro poder está nas mãos daqueles que conseguem manipular as pessoas que teoricamente o detém. Como ele mesmo disse por duas vezes no episódio (primeiro a Maxine, depois a Simmons): “Políticos vêm e vão, mas nós ficaremos aqui para sempre”.
“Bury the lede” também foi responsável por voltar a dar importância a Fusco e reposicionar o personagem na trama. Antes corrupto e utilizado por Reese para fazer o serviço sujo que este não poderia pedir a Carter, o final da temporada passada acabou transformando Lionel em apenas um ótimo alívio cômico e vinha fazendo-o perder importância significativa na série. Agora, com a ameaça constante de Simmons e com segredos a esconder, Fusco ganha uma sobrevida e torna-se novamente um risco para John, Finch e Carter, visto que ele poderá agir contra eles no futuro para proteger o relacionamento com seu filho.
Para não dizer que “Bury the lede” foi um episódio perfeito, o fato de Maxine não ter ligado John ao misterioso “homem de terno” pode ser apontado como um ponto falho, afinal, uma repórter esperta e curiosa como ela deveria ter percebido alguma coisa, principalmente no tiroteio. Além disso, também foi um tanto conveniente demais que ela e não Reese tenha sido a pessoa responsável por terminar o relacionamento entre os dois. Entretanto, será mesmo que Maxine não desconfiou de nada? Ou ela percebeu sim que John é o misterioso herói o qual ela investiga e, graças ao erro que cometeu em relação a Christopher Zambrano, mudou de idéia quanto a revelar sua identidade?
Eu aposto na 2ª opção, afinal, aquela desculpa de ser casada com o trabalho e achar que John ainda está um pouco ligado a Zoe soou um tanto esfarrapada para mim. Além disso, Maxine Angelis mostrou-se um bom personagem e é uma forte candidata a reparecer na série futuramente, seja para auxiliar ou para expor John. Será que a veremos novamente?
Observações.
– O clima tá esquentando! Quanto tempo levará para finalmente rolar alguma coisa entre John e Zoe? Os shippers devem ter se deliciado neste episódio (não é, meninas?).
– Se tem outra coisa que a cada episódio se torna mais engraçada é o relacionamento entre Finch e seu novo “melhor amigo” Bear. É muito divertido ver que Harold, por trás daquela máscara séria e nerd, no fundo não passa de um coração mole e boa praça. Nós já havíamos visto um pouco desse seu “outro lado” em “Baby Blue” (quando ele mostrou possuir o maior jeito para cuidar de bebês), porém com a entrada de Bear na série essas suas características estão podendo ser mais exploradas, o que torna o personagem ainda melhor e permite a Michael Emerson diversificar seu show de atuação semanal.
– E o armário de armas do John, hein? A cara do Finch vendo tudo aquilo foi impagável!
– Claro que a maioria dos fãs não gostaria que Lionel voltasse a agir do “lado errado”, mas essas mudanças e ameaças são necessárias para redirecionar a trama e voltar a dar importância a alguns personagens. Assim, da mesma forma que Fusco volta a ter um pé no lado negro, algo pode ser feito no futuro para tirar o relacionamento da dupla John e Finch com Carter da zona de conforto. Contudo, penso que no caso de Carter isso se dará com ela escarafunchando e descobrindo o que não deve sobre a Machine.
– Antes que alguém use esse argumento, Lois Lane era uma jornalista inteligentíssima e fuçadora que não via o que estava a frente do seu nariz, portanto, as comparações são inevitáveis. Ainda assim, fico com a minha impressão de que Maxine desconfia de mais do que aparentou.
– “Bury the lede” é um termo jornalístico que significa iniciar uma história com detalhes de importância secundária ao leitor, enquanto posterga fatos mais importantes.
– O Porsche Turbo S 2012 “Sinister” utilizado por John no episódio para encontrar Maxine foi customizado especialmente para Jim Caviezel. O painel interior do carro contém uma placa com um símbolo e, dentre outras inscrições, a frase “God will give me justice” (Deus me dará justiça), que faz referência ao filme “O Conde de Monte Cristo”, do qual Caviezel foi o protagonista.
– Se os últimos episódios tiveram poucas frases para destacar, desta vez precisei dar uma filtrada nelas, visto que a quantidade de diálogos divertidos ou interessantes foi enorme. Lá vão algumas delas:
Diálogo 1:
John: “Finch, isso é interferência?”.
Finch: “Não, fiz a besteira de comprar um brinquedo com apito”,
Diálogo 2:
Fusco: “Acha que o John me colocou na HR por causa da minha ficha limpa? Agradeço pelo FBI não ter me prendido”.
Carter: “O dia ainda está começando, Fusco”.
Diálogo 3:
Finch: “Queria que não fizesse isso aqui”.
John: “Quando faço no parque, as pessoas estranham”.
Diálogo 4:
Finch: “Abotoaduras novas eu entendo, mas comprar um carro de 100 mil dólares era mesmo necessário?”.
John: “Relaxe, Finch. O carro é roubado”.
Diálogo 5:
Finch: “Conseguiu ver os homens que atiravam?”.
John: “Eu tentei, mas eles estavam atirando em mim”.
Diálogo 6:
Maxine: “Ele gosta muito daquele armário, não é?”.
John: “Os biscoitos dele estão lá”.
Outras frases:
“Está querendo me deixar enciumada?” (Zoe para John).
“Sua dica veio de um celular descartável, a primeira opção de criminosos e impossível de rastrear. Então, parabéns, Srta. Angelis, você foi enganada, provavelmente pelo verdadeiro chefe da HR.” (Donnely para Maxine).
“Não sou uma ameaça para o seu filho, Lionel. Você é.” (Simmons para Lionel).














