Em minha opinião, este foi o primeiro season premiere a delinear tão bem os arcos que figurarão nesta quarta temporada. Atipicamente, o caso da semana mal pareceu um caso da semana e o desenrolar da ação não foi tão sutil como de costume. Mas mesmo assim, a sensação final foi de que a história se repetia.

Spoilers Abaixo:

Claro que não houve apenas uma repetição. É evidente que mesmo que as circunstâncias em que nossas personagens se encontram sejam similares, elas não são as mesmas, enquanto que as histórias em si ganham novas nuanças. A premiere, como eu disse, foi um episódio atípico e se levarmos em consideração um vídeo de bastidores comentado por Julianna Margulies, esta sensação será recorrente.

O episódio retomou a história do pungente final da terceira temporada. Não da cena de Alicia indecisa no vestíbulo, mas de Kalinda a espera de seu marido. É curioso ver como que a personagem de Archie Panjabi se tornou um contraponto interessante àquele de sua colega. Sua história ainda está bastante nebulosa, mas as semelhanças e diferenças não estão expostas por acaso pois acho que as duas caminham para um equilíbrio e por isso a amizade dessas duas esposas é tão importante.

Contudo, a trama de Kalinda me assusta, pois temo o que ela pode vir a se tornar. A história do passado da investigadora começou a tomar forma na segunda temporada com a rixa entre ela e Blake Calamar. Desde então, ouvimos menções à máfia, gangues e identidades secretas. Agora, com a chegada de seu marido (Marc Warren), temo que as coisas comecem a sair de controle, pois como amarrar tudo isso sem descaracterizar a série? A cena que abre o episódio e aquela em que ela luta no elevador para depois se entregar a uma relação sexual viciosa, masoquista e perigosa foram cenas maravilhosas, mas elas, além de nos trazerem uma face interessante à personagem, trazem ao programa um lado destoante, obscuro e violento. Resta-nos confiar nos Kings.

Já que falamos do paralelo entre as esposas, vamos a nossa Alicia. Interessante que no caso da semana, ela pôde atuar como advogada e mãe, já que era seu primogênito o cliente da vez. Enquanto sua estratégia era usar a lei, a de Peter foi se valer do poder, da intimidação, ambas não foram tão eficientes quanto a de Zach que nem era realmente uma estratégia, era só um adolescente reclamando na internet como de praxe, mas de maneira criativa e crítica, o que é bem mais raro. Aliás, Zach se valendo dos artifícios cibernéticos foi o grande destaque do caso e foi divertido acompanhar. Mesmo assim, durante o episódio, eu também fiquei tensa, não que achasse que o jovem Florrick fosse ser realmente preso, mas temia que essa bomba estourasse na campanha eleitoral de Peter, e ainda fiquei apreensiva também pela mãe Alicia e toda sua preocupação e vulnerabilidade ao pedir ajuda a Cary, por exemplo.

Enquanto no tribunal, Alicia é firme, na vida pessoal ela continua indecisa. Ela nem sabe qual a real situação de seu casamento nem ao certo o que falar para imprensa sobre. Na sua entrevista para Peggy Byrne (Kristin Chenoweth), vimos sua postura de costume, sem se comprometer muito, mas colaborando com a imagem de Peter.  A boa esposa toma seu posto. No entanto, Peggy não parece convencida e parece saber de algo, procurar Will Gardner para se informar do trabalho de Alicia já entrega.

Alicia tem sorte de ter tido um caso com um amigo leal, qualquer outro poderia entregar fácil essa história, seja por dinheiro ou por vingança. A relação dos dois pós-caso ainda é um pouco estranha, mas eles sempre caminham bem no campo da amizade, há uma cumplicidade e um carinho ali de ambas as partes.  Alicia chegando com uma garrafa de bebida para comemorar a volta de Will a advocacia ilustra isso e, quem sabe, algo mais. Mas, como sabemos, eles sempre tiveram bad timing, e ela se retira ao encontrar Will já comemorando com Diane.

Essa bela cena dos dois sócios ― e o casal mais saudável da série ― vem também para firmar e celebrar essa parceria posta mais uma vez em prova nesse episódio. Os problemas financeiros da firma voltam a dar as caras e o comentário de David Lee ao ver Diane culpar a economia novamente foi o mesmo que me veio à cabeça. Eu sei que a saída de Edelstein prejudicou a firma, mas seria mesmo a ponto de gerar um prejuízo de 60 milhões de dólares assim tão rapidamente? Pelo menos, acredito, cessará esse vai e vem das finanças da L/G com a presença de Clarke Hayden (Nathan Lane), que já chegou fazendo o que ninguém ousava cogitar: colocar Lee em seu devido lugar.

Como todo primeiro episódio de temporada, I Fought the Law veio com a missão de recapitular o passado e apontar para o futuro da série, e diante de tantas histórias para dar conta, o episódio foi corrido e deu-nos também uma sensação de déjà vu (campanha eleitoral, crise da firma…), mas como faz tudo com primor e acrescenta novos elementos, o episódio agrada e instiga. Só espero que os próximos acertem no ritmo e nos levem além.

Outros destaques:

– É impressão ou Alicia se sentiu a última bolacha do pacote enquanto discutia com o officer Robb (Matthew Del Negro) e o procurador de Madison County (Jeremy Davidson)? Na minha opinião, Alicia não só agiu como advogada e mãe, mas como esposa de Peter.

– Os vídeos virais volta e meia dão as caras na série. É divertido, atual, mas já deixou de ser surpresa. Espero que não usem demais.

– Alguns textos atrás eu citei uma teoria que tinha sobre o título da série na abertura, lembram? Era furada ― pelo menos, por enquanto.

– Linda homenagem a Tony Scott.

– Senti falta de Jackie.

Promo do próximo episódio:

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