
Esperanças vãs… Ah meu Deus, porque somos tratados dessa maneira?
Spoilers Abaixo:
Eu gostaria muito de saber como são as reuniões que resolvem quais as produções com a marca JJ Abrams que serão executadas na TV americana. Eu gostaria de saber como são tomadas essas decisões… Até porque, tenho a sensação de que o sistema deve ser mais ou menos assim:
Mesa retangular. Cada um com seu bloquinho. O responsável pelo aval, na cabeceira.
“Tenho uma série sobre prisioneiros de Alcatraz que somem e reaparecem no nosso tempo”.
“Tá dentro”.
“Mas não sei ainda como ela vai se desenvolver”.
“Não importa”.
“E eu tenho uma série sobre um apagão que deixa o mundo sem nenhum tipo de energia, por quinze anos”.
“Tem planejamento definido?”
“Ainda não”.
“Ótimo, faça.”
Acho que é assim… Só uma ideia, sem necessidade de avaliação a longo prazo… Simplesmente uma ideia, que se afirma no piloto e depois vai seguindo a esmo, conforme o barco vai navegando. Sem preocupações com uma sinopse amplificada, com a escolha correta de atores e escritura coerente de diálogos.
Revolution tem tanto potencial pra ser terrível que chega a dar medo. Parece tão dentro da forma que já arruinou outras produções, que não pode haver espaço para boas expectativas. É assustador… É a mesma história fraca que só se apoia numa “boa ideia” gigante, são os mesmos personagens forçados, vazios, interpretados sem bravura, é a mesma protagonista loira sem expressão e experiência. Uma tristeza… Não consigo me importar com nada. Absolutamente nada.
Mas vamos tentar falar alguma coisa sobre esse episódio.
Começamos com um flashback de uma semana após o apagão. Nele, uma apática Elizabeth Mitchell (como tem o dedo podre, essa mulher) ordena que a filha Charlie nunca solte a mão do irmão durante o percurso de fuga que farão. Ela o faz. Cortamos para o presente, onde Charlie faz cara de heroína sofrida. Já entendemos que ela vai suar bastante pra demonstrar que encontrar o irmão é seu maior objetivo.
Eu ODEIO essa Charlie. Meu Deus, é tanta aversão à ela que nem encontro palavras pra explicar. Me soa tão leviano escolher uma atriz tão superficial pra dar conta dessa responsabilidade toda… Uma atriz que pode até ter potencial futuro, mas que não tem bagagem visível pra nos convencer de sua jornada.
Já péssimo por ter que lidar com ela, sou obrigado a aturar Super Miles Em Ação, que mostra toda sua coragem em duas cenas absolutamente precipitadas. Pelo menos a gente não dorme… Vamos com ele e Charlie atrás de uma tal de Nora.
Do outro lado, o personagem de Giancarlo Esposito se encarrega de mostrar como ele é malvadão. Mata, tortura, ofende e queima a bandeira dos EUA. Tudo na frente do irmão de Charlie, que passa todo esse episódio contemplando cenas inúteis para o enredo central.
Charlie, que saiu escondida atrás de Miles, encontra-o rapidinho. E encontra seu interesse romântico involuntário também. Mais um amor meio proibido de uma virgem relutante com uma figura masculina de perigo. Stephenie Meyer aprova. Eu, já estou com tonturas nesse ponto.
A busca pela tal Nora tem lá suas qualidades visuais (único ponto realmente positivo da série), mas cai no desgosto da tentativa de lirismo, ao nos fazer engolir a tentativa de correlacionar o passado da menina Charlie com os acontecimentos presentes. Os flashbacks pretendem aprofundar a personagem, mas acabam vulgarizando as sequências. Forçar o envolvimento do espectador, nunca funcionou. E nesse mundo cínico em que vivemos, heróis ou heroínas morais não dão certo do mesmo jeito.
E o que também não funciona mais é furo de roteiro, né gente? Ben ficou 15 anos com aquele colar/artefato/pêndulo/coisa-que-não-sei-nomear junto de si, e nunca quis encontrar a tal da Grace. Mas um dia, do nada, resolve passar a coisa adiante. E para o cara mais atrapalhado da vila. Agora, Aaron precisa encontrar Grace… Estranho… Vamos explicar isso aí direito.
A tal Nora quase mata todo mundo pra pegar uma arma, e tem uma tatuagem de mal gosto nas costas. Eu me pergunto… Ela devia ter essa tatuagem antes do apagão, né? Porque, pra fazê-la deve ter precisado ligar a máquina em algum lugar. Ou não? Até porque a bandeira americana está com o desenho relativamente bem feito. Alguém explica isso aí também, please.
No final, duas “grandes” surpresas: Grace é abordada por um tal de Randall, e ele parece ter a missão de acabar com ela. E Rachel, a mãe de Charlie, está viva e permanece prisioneira do tal Monroe. Ok, tá registrado. Por enquanto, essas são apenas reviravoltas vazias. Precisamos de um bom plano, e de boa condução, ou vai ficar parecendo que, como eu disse lá em cima, pouco importa o resultado. Temos uma “grande ideia”, meu povo. Quem precisa de mais que isso?
Nós.














