
What is one to do when a woman is unfaithful?
Spoilers Abaixo:
Essa é a pergunta que não quer calar durante todos os 05 episódios de Parade’s End, minisérie da BBC baseada na tetralogia de mesmo nome, escrita por Ford Madox Ford. A adaptação televisiva ficou a cargo de Tom Stoppard (Shakespeare in Love) e direção de Susanna White (Nanny McPhee and the Big Bang).
Com nomes como Benedict Cumberbatch (Sherlock), Rebecca Hall (Vicky Cristina Barcelona), Rupert Everett (O Casamento do Meu Melhor Amigo), Stephen Graham (This is England), Anne-Marie Duff (O Garoto de Liverpool), Janet McTeer (Damages), Miranda Richardson (Harry Potter) entre outros no elenco fica mais fácil ter um projeto de qualidade em mãos. E quando a história mistura fatos históricos com romance típicamente britânico, o que dizer?
Aqui acompanhamos através dos anos o triângulo amoroso formado por Christopher Tietjens (Benedict Cumberbatch), Sylvia (Rebecca Hall) e Valentine Wannop (Adelaide Clemens).
Christopher é um típico aristocrata inglês que trabalha no departamento de estatísticas do governo britânico. Além de ser brilhantemente inteligente (daqueles que escrevem um soneto em dois minutos e meio), Christopher é totalmente fiel ao código de honra da época. Depois de um rápido envolvimento com a socialite Sylvia, ele descobre que a mesma está grávida (de um filho que pode nem ser dele, já que Sylvia é promíscua ao extremo). Guiado pelo mesmo código de honra, Christopher se casa com Sylvia, para o desespero de seu irmão mais velho Mark (Rupert Everett).
Claro, que como todo casamento forçado, os anos passam e Christopher e Sylvia se tornam extremamente infelizes. Sylvia se transforma em uma mulher amargurada, tendo sua única felicidade em atormentar o marido de qualquer forma possível, inclusive, cometendo adultério de maneira escancarada com o intuito claro de humilhar Christopher, que mais uma vez deixa o bendito código de honra falar mais alto e passivamente acaba aceitando Sylvia de volta.
E é então que Christopher conhece e se apaixona pela jovem sufragista, cheia de vida e idealista Valentine Wannop. Mas sendo o homem honrado que é, Christopher se vê incapaz de aceitar esse amor.
O tempo passa e as frustrações profissionais e pessoais levam Christopher a aceitar seu lugar como patriota e lutar na 1º Guerra Mundial.
E é entre movimento sufragista e 1º Guerra Mundial que a história se desenvolve e resolve. Coisa que os britânicos sabem fazer como ninguém, é desenvolver uma história romântica incrivelmente balanceada com os momentos históricos, e aqui encontramos mais um belo exemplo.
Escuto muitos dizerem que estamos presenciando um saudosismo por parte das produções britânicas, relatando com fervor o período aristocráta e o papel dos ingleses na 1º Guerra mundial, exemplos são produções que vão da própria Parade’s End a Downton Abbey. Eu não me oponho, desde que essas produções mantenham a qualidade e principalmente a atenção aos detalhes.
Benedict Cumberbatch é um show a parte em Parade’s End. Sim, sabemos que ele domina como ninguém esse tipo de personagem, mas aqui ele consegue transformar um personagem totalmente apático e muitas vezes patético, em um personagem pelo qual nos apaixonamos e torcemos desesperadamente. O carisma de Cumberbatch é incrível e o que ele consegue fazer apenas com os olhos é simplesmente extraordinário. Acompanhamos com muita emoção o caminho percorrido e a evolução de Christopher.
Rebecca Hall, também não passa muito longe do incrível. Além de ser belíssima, ela nos passa com maestria os motivos e as razões que fizeram Sylvia se transformar numa pessoa infeliz, amargurada e muitas vezes malvada. E incrivelmente nos faz entender e até justificar algumas de suas ações. Nos mostra que, apesar de insinuar o contrário, ela nutre um amor não correspondido por Christopher, fazendo assim dificil odiarmos completamente a personagem.
As cenas entre Cumberbatch e Hall são dignas de Baftas, Oscars, Emmys, que seja. Eu fácilmente assistiria 57 minutos de diálogo puro entre os dois. Sim, Parade’s End definitivamente é o Benedict Cumberbatch e Rebecca Hall show. No entanto não podemos menosprezar o elenco de apoio, que por si só, já é um grande motivo para assistirmos a série. Menção honrosa à Anne-Marie Duff e Adelaide Clemens.
Conseguir reunir o necessário para garantir a qualidade do projeto, aqui pareceu missão cumprida. Além do elenco e da história coesa e bem escrita, as locações escolhidas são de tirar o folêgo. Claro que não podemos ignorar o trabalho do fotográfo, mas ele teve a incrível ajuda da paisagem que é o countryside inglês. E aqui essa paisagem parece saltar da tela e nos convidar a de fato participar da história.
“Parade” é o desfile militar. Aqui é uma analogia usada para nomear o código de conduta masculino daquela época. Portanto, “Parade’s End” é o fim desse código na cabeça do protagonista Christopher, fim que acontece quando ele não nega mais seu amor por uma mulher que não é sua esposa.
Parade’s End foi feito por e para pessoas que gostem desses períodos históricos, e contêm todas as características desse tipo de projeto. Então minha dica é, se você não faz parte desse grupo, pense duas vezes antes de assistir.
Curiosidades antigas:
Em 1964 foi realizada a primeira adaptação dos textos de Ford Madox Ford para televisão, chamou-se “Theatre 625” e tinha Judi Dench no papel da jovem Valentine Wannop (entre outras personagens). As informações sobre esse projeto são bem escassas, para nossa tristeza.











